Nos últimos dez anos, a cirurgia plástica se tornou mais popular e acessível. O recente ‘boom’ das cirurgias de aumento dos seios com implantes de silicone ajudou a desmistificar os procedimentos para os pacientes e até para os próprios médicos.
Mas, um novo filão da cirurgia plástica está ganhando a simpatia das brasileiras e curitibanas, talvez, inspiradas por um dos novos símbolos sexuais da televisão brasileira: Andressa Soares, a ‘Mulher-Melancia’.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
No Centro Médico Athena, em Curitiba, houve um aumento de 1.200% na procura pelo procedimento. ‘Antes, tínhamos duas cirurgias dessas ao ano. Hoje, fazemos duas por mês. É um grande aumento, mas acredito que esse segmento pode crescer ainda mais’, relatou a cirurgiã plástica Ana Zulmira Diniz Badin, organizadora do 8º Curso Internacional de Videoendoscopia em Cirurgia Plástica e Procedimentos Mínimos Invasivos realizado, em Curitiba, no último final de semana.
O aprimoramento da técnica – que agora implanta as próteses por meio de um único corte de três a quatro centímetros na linha interglútea (a linha formada entre as nádegas), próximo ao cóccix – também ajuda a atrair mais interessadas.
Para Ana Zulmira, a procura só não é maior porque os médicos ainda não têm todo o domínio do procedimento. ‘Dos cerca de 200 cirurgiões plásticos em todo o Estado, acredito que apenas uns dez fazem a operação de glúteos’, estimou.
A cirurgiã conta que um dos motivos de existir uma certa relutância da parte dos médicos em realizar o procedimento é o fato de a prótese ser implantada abaixo do músculo, o que envolve o risco de atingir um osso. ‘Por isso, os cirurgiões brasileiros que fazem o procedimento são convidados para atuar em muitos outros países. Os médicos europeus, por exemplo, gostam do resultado, mas, praticamente, nenhum opera’, conta Ana Zulmira.
Cleonice (que preferiu não revelar o sobrenome), 52 anos, colocou próteses de 270 mililitros com a cirurgiã Ana Zulmira, há três anos. Ela achava que, por ser de descendência indígena, tinha pouco glúteo, o que ficava desarmonizado com os seios grandes e as coxas grossas.
‘Minhas filhas foram contra a minha decisão. Mas, depois de pronta, elas aprovaram o resultado. E ficou tão natural que ninguém percebe’. Ela diz que nem mesmo os namorados que teve após a mudança sentiram alguma diferença e tem conseguido manter o segredo até das amigas mais próximas.
‘Aconteceu uma coisa ótima em uma das primeiras vezes que saí na rua depois da cirurgia. Um rapaz gritou – ‘ô bundão’ – nem vi quem era, mas me senti muito bem’, conta Cleonice.
Segundo ela, a cicatriz sumiu, o que a permite, agora, usar até um biquini fio dental. No entanto, o período pós-cirúgico, segundo ela, foi muito dolorido. ‘Mesmo já tendo feito outras cirurgias como plástica no nariz, lifting e retirada do útero, essa foi a que mais sofri’, avaliou.
De acordo com Ana Zulmira, a recuperação da cirurgia é simples. A paciente deve dormir de bruços nos primeiros dias, não praticar exercícios pesados, nem tomar sol por um mês e usar um modelador pelo mesmo período. A pessoa pode sentir um pouco de dor de acordo com o tamanho da prótese – que varia de 270 ml a 330 ml – e rigidez da musculatura.
A cirurgiã plástica Léa Mara Moraes, membro-titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, também realiza a técnica em Curitiba. Ela conta que a maioria das mulheres que a procura para fazer o aumento de bubum é jovem e magra.
‘Seja para por a prótese de silicone ou para fazer uma lipoescultura e corrigir algumas imperfeições da área, o que todas essas mulheres querem é harmonizar o contorno corporal. É vaidade, mas é acima de tudo uma tentativa de aumentar a auto-estima’, pondera.
Cleonice concorda, afirmando que até a sua postura melhorou. ‘Como eu passei a me sentir mais bonita, minha auto-estima melhorou e comecei a andar melhor’, conta.
‘As mais jovens e magras podem fazer somente o implante das próteses. Para quem tem mais idade ou está acima do peso, recomendamos uma associação de técnicas, que pode envolver, também, uma lipoaspiração na cintura e no culote’, explica Ana Zulmira.
Apesar da fama internacional de ter glúteos firmes e avantajados, Ana Zulmira afirma que muitas brasileiras fogem do esteriótipo. ‘Essa característica está ligada, especialmente, a quem tem alguma descendência negra. Eu acho que as mulheres do Rio de Janeiro e da Bahia têm os bumbuns mais bonitos, aquele ideal de Juliana Paes. Mas a origem européia das brasileiras do Sul, com certeza, não favoreceu esse aspecto físico’, descreveu.
Aumento de seios ainda lidera ranking
Apesar do avanço nas cirurgias para aumentar glúteos, a médica Léa Mara Moraes lembra que o número de implantes de próteses de silicone nos seios ainda é dez vezes maior. ''Há dez anos, fazíamos muita cirugia para redução das mamas. Hoje, quase ninguém mais faz isso. A maioria das mulheres quer aumentar os seios, mas busca um resultado natural, para ter mais proporcionalidade com o tórax e com o resto do corpo'', conta.
A técnica, também, evoluiu. Agora, deixa apenas uma pequena cicatriz nas axilas, as próteses estão mais resistentes, garantindo uma vida útil mais longa, e aumentou a segurança através da videoendoscopia (operação com o auxílio de câmera filmadora).
Apesar de mais acessível financeiramente - algumas clínicas parcelam o valor da intervenção em várias vezes - Léa Mara enfatiza que é importante não banalizar a cirurgia plástica.
''A pessoa não pode ir atrás somente de preço. Ela tem que ver se o local do procedimento é apropriado e o se o médico tem credenciamento'', recomendou. O site do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) tem uma lista dos médicos habilitados e ativos como cirurgiões plásticos.