De 2003 a 2007, o preenchimento com ácido hialurônico tornou-se o segundo procedimento estético mais realizado nos Estados Unidos. Só no ano passado foram realizados quase 1,5 milhões de procedimentos com a substância, que ficou atrás apenas das aplicações de Botox (toxina botulínica tipo A). Segundo os médicos, no Brasil, o cenário se repete e o preenchimento com ácido hialurônico aparece entre um dos procedimentos mais realizados nos consultórios médicos.
O dermatologista Otávio Macedo, membro da Academia Americana de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), comenta que este crescimento expressivo pode ser explicado principalmente pela segurança e eficácia do ácido hialurônico.
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O ácido hialurônico está presente na pele e é produzido naturalmente pelo organismo, cumprindo a função de reter água, hidratando e conferindo volume à pele. Com o passar dos anos e o processo de envelhecimento, a quantidade desta substância diminui, propiciando o aparecimento de rugas, flacidez e a perda de volume. "Os preenchedores de ácido hialurônico têm como base uma substância natural da pele e por isso os riscos de alergia são quase nulos", explica o médico.
O fato de ser uma substância de efeito temporário e reabsorvível é considerado mais uma vantagem do ácido hialurônico em relação a outros preenchedores. "Costumo dizer aos meus pacientes que permanente é o preenchedor e não o preenchimento" comenta o Humberto Ponzio, dermatologista membro da SBD e professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "Isso quer dizer que o procedimento permanente realizado hoje, em alguns anos poderá estar posicionado de forma diferente e muitas vezes indesejada. Afinal, o envelhecimento é um processo dinâmico". Para os especialistas, as substâncias temporárias permitem que os resultados do procedimento sejam aperfeiçoados a cada nova aplicação, de acordo com as novas necessidades e expectativas.
Além disso, atualmente já existem preenchedores de ácido hialurônico que oferecem durabilidade de até 1 ano – duração que até pouco tempo variava de 6 a 9 meses. "Se existe uma substância segura, com boa durabilidade e resultados naturais, por que se expor a substâncias permanentes, que podem trazer resultados indesejáveis permanentes?", questiona Humberto.
Os especialistas alertam, por exemplo, sobre o uso do PMMA (polimetilmetacrilato), substância não-absorvível e permanente, utilizada para preenchimento facial e bioplastia. "Recomenda-se cautela no uso desta substância para evitar efeitos indesejáveis a curto e longo prazo, ou mesmo resultados estéticos não satisfatórios que também serão permanentes", comenta Otávio Macedo.