30/10/20
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Entenda

Amor patológico: quando o relacionamento faz mais mal que bem

O amor é, com certeza, um dos sentimentos mais famosos do mundo. As definições são muitas e variam de acordo com a área de estudo. Para a literatura, o amor é sentimental e romântico. Já para a biologia, não passa de um conjunto de ações que ativam neurotransmissores no cérebro. Seja como for, as definições para o sentimento são muitas e não existe um consenso sobre o significado do amor.

Reprodução/Pixabay
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Mesmo assim, existe, na psiquiatria, o conceito de amor patológico, que pode ser definido como uma dependência emocional e comportamental extremamente destrutiva. Maria Letícia Rigon, psiquiatra da clínica Mahal, de Londrina, explica que o amor patológico pode ser percebido por meio de sinais, sintomas e comportamentos bastante característicos, como obsessão, controle, tolerância excessiva e abstinência.

"O indivíduo portador do amor patológico deixa de ter seus próprios compromissos e atividades de lazer em detrimento de cuidar do parceiro, de controlá-lo e/ou de elaborar planos que o agradem. Há um intenso desgaste emocional, já que a pessoa perde sua autenticidade, transformando-se, a curto e médio prazo, em um ser humano infeliz, mal-humorado, ansioso e, muitas vezes, até depressivo", diz a especialista.

Pessoas portadoras do amor patológico podem experimentar, ainda, alterações em sua saúde física diante da possibilidade de ficar perder o parceiro ou de experimentar distanciamento temporário, como taquicardia, respiração ofegante, alterações no apetite e no sono. "Todos esses sintomas surgem devido ao estresse crônico, motivado pelos pensamentos e comportamentos obsessivos. É notável que existem prejuízos até para o sistema imunológico", pontua Rigon.

Desse modo, o amor patológico é o completo oposto do amor saudável, que é reconhecido pelo indivíduo como uma emoção agradável, geradores de sentimentos bons e de estabilidade emocional. "O amor saudável promove o bem-estar do casal, baseado em uma relação de respeito, companheirismo, confiança e bom humor", pontua.

Quanto às causas do surgimento do amor patológico, Maria Letícia Rigon afirma que estudiosos acreditam que os aspectos afetivos vivenciados na infância determinam como o adulto irá desenvolver sua forma de amor. "Para a criança, amor significa toque, contato com a pele e presença física. Logo, crianças negligenciadas têm maior predisposição para desenvolver formas de amores menos saudáveis, buscando, ao longo da vida, saciar vazios afetivos", comenta.

A psiquiatra alerta que, em muitas situações, os parceiros de pessoas portadoras de amor patológico contribuem para a intensificação do transtorno. "A insegurança, a necessidade de controle e os demais comportamentos obsessivos podem ser reforçados pelo perfil abusivo dos parceiros, o que contribui para o agravamento do caso", diz.

Além disso, a especialista explica que existem diversas alterações hormonais envolvidas na arquitetura do amor. O amor saudável propicia o aumento de dopamina, endorfina, noradrenalina e vasopressina, hormônios que dão ao indivíduo a sensação de prazer de bem-estar, o que aumenta os fatores protetores do sistema imune. "Do outro lado, o amor patológico aumenta níveis de cortisol, produzindo estresse crônico no organismo daquele que o sente, o que traz uma série de prejuízos para sua saúde física e psíquica, podendo chegar à crise psicótica e até à morte em casos mais graves", alerta.

Portadores de amor patológico costumam vivenciar relações conflituosas desde muito cedo e, conforme a psiquiatra, têm facilidade em manter uma falsa sensação de normalidade. Desse modo, é comum que levem muito tempo para buscar ajuda média ou psicológica para aliviar os sintomas.

Quanto aos tratamentos, Rigon coloca que os mais indicados são a psicoterapia na linha psicodinâmica, bem como a frequência em grupos de ajuda. "Ainda não há tratamento medicamentoso específico para esse transtorno, mas sabemos que ansiolíticos e antidepressivos podem contribuir no alívio dos sintomas e dos comportamentos", finaliza.

*Sob supervisão de Larissa Ayumi Sato.
Caroline Knup - Estagiária*
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