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Como aproveitar as férias na pandemia com ou sem viagem

Folhapress
03 mai 2021 às 16:36

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Depois de um ano de Covid e com a vacinação desacelerada, planejar o período de férias começa a ser uma realidade inevitável. Mesmo na pandemia, especialistas dizem que o descanso pode valer a pena –mas é preciso rever expectativas e criar estratégias para se desligar da rotina, com ou sem viagem.


Desde o início do ano, um número maior de companhias preocupadas com o impacto do distanciamento social passou a buscar o serviço da startup Férias & Co., segundo Bruno Carone, cofundador. A plataforma, com 10 mil usuários, permite que empresas ofereçam benefícios que se convertem na compra de diárias de hotel e passagens aéreas com preços até 70% menores.

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"Muitos representantes de departamentos de recursos humanos estão monitorando a questão da saúde mental e querem incentivar o funcionário que está em casa a fazer uma descompressão. Há um olhar especial para quem tem filhos", diz Carone.


Períodos mais longos de férias estão relacionados à qualidade de vida e à menor chance de depressão e de doenças cardiovasculares, afirma Fabiano Moulin, neurologista e médico-assistente do departamento de neurologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).


Mas, para colher esses efeitos positivos para a saúde, são necessárias algumas condições. "É preciso presumir que você vai ter momentos de felicidade, o que é difícil na atual situação de incertezas. Além disso, muito da satisfação das férias vem da autonomia de escolher para onde e quando ir, e da desconexão do habitat natural", diz.


Segundo o especialista, uma maneira de lidar com as adversidades é encontrar formas de se desengajar de preocupações diárias e avaliar quais são as alternativas possíveis dentro das condições do momento, mesmo que seja uma programação mais comedida.


Viagens locais ou que permitam isolamento ainda devem ser as mais procuradas a curto prazo, diz Rayane Ruas, pesquisadora do Laboratório de Estudos em Turismo e Sustentabilidade da UnB (Universidade de Brasília). Ruas, também à frente da consultoria Up Soluções, afirma que, por ora, esses deslocamentos são mais curtos e têm como destino áreas ricas em natureza.


O isolamento e a proximidade ao mar de uma hospedagem em Ilha Grande, no Rio de Janeiro, ajudaram a médica patologista Mariella Saponara Vianna, 60, a decidir onde passar seus seis dias de férias. Chamado de Bangalô do Lugar Preferido no Mundo (diária a partir de R$ 690), tem cinco quartos e acomoda até dez hóspedes por vez.


Lá, ela, o marido e a filha, saíam do quarto para fazer refeições, passear de barco e tomar banho de mar. "Aproveitamos de uma forma diferente. Você se desconecta do trabalho, mas não da pandemia, porque não dá para baixar a guarda", diz.
A exaustão causada pela Covid foi o motivo que levou a médica a negociar com o laboratório onde trabalha um período de descanso –tirado em uma semana com fluxo menor de atividades.


De acordo com as regras da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), quem determina o período em que os funcionários irão tirar férias é o empregador, mas é comum que exista um acordo, diz Viviane Corrêa Asselli de Andrade, professora do curso de recursos humanos da Universidade Anhembi Morumbi.


"Da parte do colaborador, é importante entender o momento da equipe e as atividades planejadas. Já para o empregador, cabe lembrar que as férias são um momento de prazer e o funcionário tende a se sentir mais satisfeito quando consegue planejar o período de descanso", diz Ana Paula Prado, diretora nacional do InfoJobs, empresa de tecnologia para recrutamentos.


Dentro desse contexto, é importante observar, porém, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou nesta terça-feira (27) medida que permite ao empregador fazer a antecipação de férias e ter flexibilização para decretar férias coletivas.


Depois de adiar o período de descanso uma vez no fim do ano passado, Michelle Oliveira da Silva, 40, analista comercial, teve que usufruir as férias entre janeiro e fevereiro por causa da escala de sua equipe. Mas isso aconteceu enquanto restrições eram retomadas onde mora, em Santos, litoral de São Paulo.


Durante o período, Michelle teve que cuidar da filha de nove meses, com o fechamento das escolas, e dar conta das tarefas domésticas, mesmo tendo desenvolvido sintomas de ansiedade. Em 2020, a Covid desencadeou uma crise de cuidado para mulheres, que já acumulavam funções antes.


"A impressão é que eu não saí de férias. A casa virou nosso escritório e não pude sair desse ambiente. Você fica ligada sem querer o tempo todo", diz. De volta ao trabalho, a estratégia de Michelle, é esconder os itens usados no home office para se desconectar no fim do dia.


Com a pandemia e as restrições, é preciso fazer uma adaptação ao que entendemos como férias, diz Denise Pará Diniz Romaldini, psicóloga especialista em gerenciamento do estresse e qualidade de vida.


"Não dá para ter expectativas lembrando de como era esse período antigamente. Mas você pode pensar em estratégias se souber o que te dá prazer e criar uma nova rotina", diz.

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Isso inclui, por exemplo, dormir até mais tarde, fazer um café da manhã demorado ou organizar uma viagem de um dia para as redondezas. "Na pandemia, não existe o ideal, existe o possível, mas isso precisa estar conectado com você."


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