26/11/20
Não desista!

De olhos nas metas: saiba como focar e cumprir seus objetivos

Estamos a poucos dias do Carnaval, mas muitos que começam a ler este texto já desistiram de cumprir suas resoluções de Ano Novo. De acordo com um estudo do Statistic Brain Research Institute, 50% das pessoas que fazem planos para o ano mudam de ideia e abandonam as metas já em janeiro.

Reprodução/Pixabay
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Objetivos irreais e falta de planejamento são as principais causas desse resultado, dizem especialistas. "A meta criada precisa estar de acordo com os valores de vida, ser relevante e trazer impacto positivo para a pessoa. Imagine alguém que deseja crescer na empresa, mas que sabe que isso vai afetar a família, que é o mais importante para ela? Claro que ela vai arrumar uma maneira de sabotar o trabalho", afirma Douglas Maluf, idealizador do Método MD - Inteligência Emocional. Para ele, é preciso ter "conexão racional e emocional" com os desejos.

Este foi o caso da produtora de marketing de conteúdo Natalia Padalko, 32. Ela sabotava toda nova experiência profissional até perceber que não gostava do lugar em que trabalhava ou da proposta da empresa. "Como eu conseguiria um cargo de confiança em um lugar que vende defensivos agrícolas, se eu sou contra agrotóxicos?", questiona ela.

Ao perceber que seus valores eram mais importantes que o emprego, Padalko se planejou para fazer cursos e pediu demissão. "É um processo longo de autoconhecimento. Mas hoje eu trabalho em casa e aceito apenas clientes que tenham valores parecidos com os meus."

Plano de ação

Quem vive dilema parecido deve saber que, resolvida essa questão principal, é preciso desenhar novas metas e fazer um planejamento.

"As pessoas fazem planos pensando no resultado a que querem chegar, mas a primeira pergunta a se fazer é: 'o que eu vou precisar mudar na minha rotina para atingir essa meta?' Se quero ler tantos livros no ano, em que momento eu vou ter tempo de fazer isso?", pontua o psicólogo Ronaldo Coelho.
"Se a ideia é comprar um carro, por exemplo, é preciso checar se é possível economizar, cortar gastos ou arcar com a parcela de um financiamento sem se perder no meio do caminho", acrescenta o especialista.

Por isso é importante adequar os objetivos à própria realidade. Para a analista de negociações imobiliárias Juliana Lima da Costa, 38 anos, a questão financeira é o maior entrave para o cumprimento de novas metas. Ela diz que ficou dois anos desempregada, acumulando dívidas, e ainda engordou 23 kg.

"Fiz seis anos de muay thai e ainda tento voltar aos exercícios", conta. Ela então resolveu pagar uma academia mais simples e está conseguindo fazer atividades físicas uma vez por semana – melhor do que não fazer nada, ela diz. "Não desisti, mas o ritmo está bem lento."

Costa entende que encaixar a meta à sua própria realidade é uma das regras para sair da inércia e o coach Douglas Maluf concorda.

"Não raro temos a tendência de estabelecer prazos irreais. Um exemplo é estipular um programa de quatro horas de estudos de um novo idioma por dia, quando esse tempo não existe. É muito mais eficiente estudar durante uma hora e ser constante", diz Maluf.

Quando algo não sai do lugar repetidas vezes, talvez seja o caso de tentar entender se existem questões mais profundas por trás do problema. "Emagrecer não tem a ver apenas com planejamento, tem a ver com aceitação, com sexualidade", lembra Coelho. "Quanto ao dinheiro, há pessoas de origem humilde que sentem culpa do sucesso financeiro, por isso boicotam seus planos de ganhos."

Para Fernando Gomes, neurocirurgião e neurocientista do Hospital das Clínicas de São Paulo, o cérebro é o nosso maior inimigo. "O cérebro adora processos fáceis de serem resolvidos e não quer te tirar da zona de conforto", explica.

Por isso o ideal é pegar leve consigo mesmo, sem grandes cobranças. "Imagine como seria se você tivesse que aprender a mexer no seu computador todos os dias. Seu cérebro ficaria estressado. É preciso adquirir novos conhecimentos e novos hábitos aos poucos", acrescenta o médico.

Outra dica é estar atento ao próprio progresso e às pequenas vitórias. "A pessoa precisa checar se está evoluindo como imaginava e, se for o caso, mudar ou adaptar a estratégia."

Gomes lembra ainda que casos mais difíceis, como parar de fumar, também podem ser feitos de maneira gradativa. "É uma dependência química. Demora, mas vai chegar o dia em que a pessoa ficará sem [cigarro]."

Professora mudou rotina e passou a correr e viajar para aliviar o luto

A pesquisadora e professora universitária Hosana Celeste, 48 anos, é adepta da teoria das pequenas vitórias. Depois de perder a irmã, ela começou a correr como forma de aliviar o luto. No ano passado, ela intensificou os exercícios e ainda decidiu aliar a rotina de atividades físicas a viagens. "Eu quis correr em lugares inusitados, pelo mundo. Fui para Cuba, Amazônia, Espanha e Escócia", conta.

Celeste tinha dinheiro guardado e fez um planejamento para estar em todos esses lugares. "É preciso ter o pé no chão. Fui a países onde conseguia trabalho por um período e onde tinha amigos que poderiam me receber. Com tudo isso, a viagem já fica 50% mais barata", estima.

A pesquisadora conta que conseguiu evoluir. "Conheci um grupo de maratonistas, e a minha meta é chegar ao [nível de] preparo deles."

Neste ano, ela já começou vencendo. "Meus amigos disseram para eu desistir de trabalhar com pesquisa no Brasil. Sou insistente, e mesmo com todos os cortes no setor eu consegui colocação em duas instituições", conta, animada. Como um dos trabalhos é no Rio Grande do Sul, ela já planeja mais corridas e novas viagens.
Fabiana Schiavon - Folhapress
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