Todo ano, acontecem campanhas de vacinação contra a gripe. Mas você sabe o por que deste esforço de imunização contra o vírus Influenza é necessário anualmente? Será que as pessoas devem se vacinar todos os anos?
De acordo com a médica infectologista Ana Helena Gremoglio, as ações anuais contra a gripe têm basicamente dois motivos. Um deles é o fato de o vírus ter muitas cepas diferentes, assim como ocorre com o novo coronavírus.
Neste ano de 2022, por exemplo, a campanha oferece imunizantes que protegem contra três tipos do vírus: H1N1, H3N2 e Influenza B. A iniciativa foi lançada no dia 4 de abril, e o dia D de mobilização está marcado para 30 de abril.
“A vacina contra influenza é anual porque os vírus que circulam são diferentes, e ela precisa ser redesenhada para que pessoa crie imunidade. É diferente de outras vacinas em que os vírus não mudam tanto, como tríplice viral e hepatite”, explica.
Pela presença dessas variantes, a cada ano, as vacinas são adaptadas para proteger as pessoas contra as cepas mais comuns. Os hospitais sentinela coletam amostras de pessoas utilizando o instrumento swab (que coleta amostras de materiais). Esses materiais são analisados por laboratórios centrais e, assim, identificadas as principais cepas em circulação. É este mapeamento que subsidia a produção das vacinas para o ano seguinte.
Outra razão para as campanhas anuais é o fato de as vacinas contra a gripe não manterem sua eficácia por mais de seis meses. Como o momento de maior circulação do vírus é durante o inverno, em geral, as campanhas são lançadas no início do segundo trimestre do ano, em abril.
“A imunidade para influenza demora seis meses. É na época de maior transmissão viral que temos que estar com mais anticorpos. Ela é desenhada numa plataforma de modo que a imunidade máxima seja alcançada na mesma época de maior circulação viral e das temperaturas mais frias, quando pessoas tendem a ficar mais aglomeradas”, aponta a infectologista.
Queda na imunização
Gremoglio pondera que as campanhas de vacinação contra a gripe devem ser ampliadas diante da queda das taxas de imunização desde 2014. Para se ter uma ideia, em 2021, a ação atingiu 72,1% do público-alvo, quando a meta era aplicar as doses em 90% dos segmentos.
“As campanhas de vacinação existem, mas de forma muito aquém do que deveriam acontecer. Elas deveriam ser diuturnas, reforçando a importância, segurança e eficácia das vacinas. Desde 2014 que as campanhas de prevenção vêm sendo deixadas de lado. Às vezes, as pessoas acham que é melhor investir no atendimento do que na prevenção, mas em prevenção é mais barato e eficiente”, diz a médica.