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'Dói, viu?'

Pessoas procuram comida em caminhão de lixo em Fortaleza

João Matheus Santos - Folhapress
19 out 2021 às 09:29
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Em mais um retrato do agravamento da fome no Brasil, imagens de pessoas em busca de comida em um caminhão de lixo em Fortaleza (CE) viralizaram nas redes sociais neste domingo (17).

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As imagens, feitas no dia 28 de setembro no bairro Cocó, área nobre da capital cearense, somam-se às fotos recentes de um caminhão que distribui restos de carne e ossos no Rio de Janeiro e filas de pessoas em busca de doações de restos de ossos de boi em Cuiabá (MT).

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As imagens de Fortaleza foram captadas pelo motorista de aplicativo André Queiroz. O vídeo mostra homens e mulheres recolhendo alimentos descartados pelo comércio da Rua Bento de Albuquerque.


Ao G1, Queiroz afirmou que o vídeo foi gravado em 28 de setembro, mas que só divulgou agora. A reportagem não conseguiu contato com o motorista.


A funcionária de um supermercado da região, que preferiu não se identificar, confirmou a cena.

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Anteriormente, disse, era comum ver pessoas buscando materiais recicláveis, como papelões, caixas e plásticos, mas desde o início da pandemia de Covid, alimentos passaram a ser o foco.

As imagens repercutiram em redes sociais. "Dói, viu? Devolvam a dignidade ao nosso povo!", escreveu uma usuária.


Outros comentários também lembravam a semelhança entre o vídeo e cenas de venezuelanos comendo restos de alimento em caminhões de lixo por causa da fome no país vizinho, veiculadas há cerca de dois anos.


Até a tarde desta segunda-feira (18), o vídeo tinha mais de 1,5 milhão de visualizações e mais de 12 mil comentários.


A região Nordeste apresentou, em 2020, o maior número absoluto de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, de acordo com o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19. São quase 7,7 milhões de pessoas nessa situação na região. No país, são 19 milhões.


No Ceará, cerca de 1 milhão de pessoas vivem em situação de extrema pobreza, com renda mensal total de até R$ 89, segundo dados mais recentes do Ministério da Cidadania.


Como mostrou reportagem do jornal Folha de S.Paulo em julho, nem o feijão com arroz escapou da alta da inflação e do desemprego na pandemia. A alta de preços e a queda na renda mudaram o cardápio dos brasileiros mais pobres, que se viram obrigados a optar por produtos mais baratos. Moradores de periferia passaram a recorrer a pé de frango contra a fome.


No mundo, cerca de 118 milhões de pessoas começaram a passar fome em 2020, segundo relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) publicado em julho.

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