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Privação de sono de novas mães pode acelerar o envelhecimento, aponta estudo

Isabella Menon - Folhapress
13 set 2021 às 23:00
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Com a chegada de um filho, o sono das novas mães costuma ser afetado com noites em que é preciso amamentar e acalmar os recém-nascidos.

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Uma pesquisa da Universidade da Califórnia publicada na revista científica Sleep Health, mostrou que a falta de sono de mães nos primeiros seis meses após o nascimento de seus filhos pode acelerar o envelhecimento celular.


Ao todo, o estudo acompanhou 33 mulheres, de 23 a 45 anos, durante a gravidez e o primeiro ano de vida de seus filhos –a maioria das que participaram era casada e 57% nulíparas, ou seja, não tiveram outro filho antes.

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Para o levantamento, as mulheres responderam questionários sobre o sono e também tiveram amostras de sangue avaliadas -elas participaram de seis encontros, três durante a gestação e o restante durante o primeiro ano de seus filhos.


Depois do acompanhamento, a pesquisa mostrou que as mães que dormiam menos de sete horas por dia tinham a idade biológica de 3 a 7 anos mais velha do que aquelas que mantiveram o sono saudável.


Nas mães que alegaram ter o sono privado, foi observado um encurtamento do telômero. "O telômero é um pedaço do cromossomo e, quando há o encurtamento, isso indica um sinal de envelhecimento celular", explica Helena Hachul, ginecologista e pesquisadora do Instituto do Sono.


A exaustão materna no pós-parto é um fato, lembra a médica. "Quando você é médico e está em um plantão, uma hora ele termina e você passa o turno para o próximo. Já com o neném, não tem o que fazer, não tem um sono contínuo por meses. A cada 2 ou 3 horas, ele chora ou precisa mamar", afirma.


A privação do sono, em geral, já é um grande fator de risco, comenta Andrea Bacelar, neurologista e presidente da Associação Brasileira do Sono. "Aumentam exponencialmente as chances de problemas cerebrais, cardíacos e metabólicos", diz.


Já com as mães recentes, o cenário é agravado, uma vez que a falta do sono acontece todas as noites. "Temos um ser que depende da mãe para viver, além disso, temos a inexperiência e a preocupação embutida nesse momento, associado a mudanças hormonais", explica Bacelar.


Um dos perigos da falta de sono na mãe que está no período de amamentação é a falta de leite, uma vez que o leite materno é produzido durante o sono. "Essa mãe precisa dormir para produzir leite e alimentar o filho, se ela é privada do sono e não consegue suprir na produção de leite, vai acumular preocupações que também interferem negativamente no sono", aponta.


Bacelar também afirma que, apesar de existir a regeneração celular, que compensa as perdas, a privação de sono é acumulativa e não é possível recuperar o sono perdido.


No caso de mães, o mais recomendado é aproveitar os momentos em que o bebê está dormindo para conseguir garantir algumas horas de sono. O sono polifásico, aquele dividido em vários cochilos ao longo do dia, não é o ideal, explica a médica, mas é uma forma de a mãe garantir algumas horas de descanso.


Carina Sousa, psicóloga perinatal e criadora da página no Instagram Maternidade Pensante, pontua que é preciso atenção ao pós-parto. Dentro do consultório, ela diz que é comum ouvir das pacientes que não sabem o que está acontecendo com elas. "É um turbilhão de emoções e nem sempre o sono é o único problema, é o contato com o desconhecido, a amamentação, além de muitos sentimentos, tanto de alegria, quanto de tristeza", frisa.


O sono do bebê, a psicóloga lembra, é desregulado até os quatro primeiros meses de vida, quando o organismo passa a produzir a melatonina, o hormônio regulador do sono. Por isso, é recomendado que as mães encontrem redes de apoio para que consigam descansar nesse período.


Souza sugere, por exemplo, que enquanto o neném dorme, a mãe conte com a ajuda de algum familiar ou amigo, que possa cuidar das tarefas domésticas, para ela dormir. Além disso, é importante buscar apoio emocional, já que a maternidade é carregada de dúvidas e inseguranças. E, por fim, se conectar a um grupo de mães também é uma boa opção para que a mulher entenda que aquilo que ela está passando não é anormal.

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