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Leste do rio Jordão

Arqueólogos descobrem sinais de meteorito que pode ter originado história de Sodoma e Gomorra

Reinaldo José Lopes - Folhapress
22 out 2021 às 08:49
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Escavações feitas por arqueólogos americanos na Jordânia revelaram sinais da explosão de um meteorito acima de uma das principais cidades-Estado que existiam ali durante a Idade do Bronze, há 3.600 anos. Para os pesquisadores, o evento teria destruído o lugar e produzido efeitos que podem ter dado origem à narrativa bíblica de Sodoma e Gomorra.

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"Então Javé [nome de Deus no Antigo Testamento] fez chover do céu enxofre e fogo de Javé sobre Sodoma e Gomorra. Destruiu essas cidades e toda a planície, com os habitantes da cidade e a vegetação do solo", diz o livro do Gênesis, o primeiro da Bíblia. Segundo a narrativa, Deus decidiu destruir a cidade porque seus habitantes violaram o dever sagrado da hospitalidade, tentando estuprar dois forasteiros que estavam visitando Sodoma (na verdade, anjos enviados pela divindade).

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O lugar estudado pelos pesquisadores é o sítio arqueológico de Tall el-Hammam, que fica na margem leste do rio Jordão, perto do lugar onde ele desemboca no mar Morto. No período conhecido como Idade do Bronze Médio (por volta do ano 1650 a.C.), havia ali uma cidade que ocupava cerca de 60 hectares e pode ter chegado a abrigar 10 mil habitantes. Muralhas, torres e outras fortificações cercavam o local, que contava ainda com um palácio de até cinco andares.


A questão é que, após a destruição da cidade em 1650 a.C., a área foi abandonada, sem sinais de ocupação urbana ou atividade agrícola, durante algumas centenas de anos. Foi para tentar explicar as causas do desastre e do abandono posterior que os pesquisadores publicaram o novo estudo na revista especializada Scientific Reports.


Entre os autores da pesquisa estão Allen West, do Grupo de Pesquisas Sobre Cometas (organização não governamental americana dedicada a investigar impactos celestes); Christopher Moore, arqueólogo da Universidade da Carolina do Sul; e Phillip Silva, da Universidade Trinity Southwest. Essa última instituição é a responsável por coordenar as escavações na Jordânia e tem orientação evangélica conservadora.

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A hipótese apresentada pela equipe compara a destruição de Tall el-Hammam ao que aconteceu em Tunguska, na Sibéria, em 1908. Em eventos como esses, o objeto celeste não chega a atingir o solo. A maneira como ele entra na atmosfera terrestre, bem como as características do próprio bólido, fazem com que ele exploda durante a descida, ainda no ar (no caso de Tunguska, entre 10.000 e 5.000 metros acima do solo). A onda de choque produzida pelo objeto siberiano foi suficiente para derrubar 80 milhões de árvores -apenas três pessoas morreram porque a área tinha população esparsa.


Os princípios indícios de que algo assim teria acontecido na antiga cidade do vale do Jordão são geológicos, segundo os autores da pesquisa. O que acontece é que a chegada violenta de objetos celestes à Terra costuma deixar uma "assinatura" de fragmentos de rochas e elementos químicos que pode ser detectada quando o solo da área onde ocorreu a explosão é escavado.


Entre os sinais desse tipo encontrados em Tall el-Hammam estão fragmentos do chamado quartzo de impacto, no qual a estrutura interna do cristal é deformada pela pressão do choque; estruturas de carbono parecidas com diamantes, que também dependem de altas pressões e temperaturas para se formar; e metais que precisam de calor elevadíssimo para derreter, como platina e irídio (esse último também formou uma fina camada global por causa do impacto do objeto que extinguiu os dinossauros, há 65 milhões de anos).


Além disso, os pesquisadores afirmam que os sinais arqueológicos da destruição são compatíveis com a explosão aérea de um meteorito. Os ossos das vítimas da catástrofe parecem ter sido violentamente desarticulados; e objetos como vasos de cerâmica e tijolos de argila foram derretidos na conflagração. A temperatura teria chegada a 2.000 ºC.


Em artigo no site The Conversation, Christopher Moore diz que é possível que o relato sobre Sodoma seja o resultado de uma tradição oral derivada de uma testemunha ocular do desastre. "Pode ser o mais antigo registro escrito de um evento catastrófico como esse", escreve ele.


"Achei o artigo bem fundamentado e estruturado, mas por enquanto continua sendo apenas uma hipótese interessante", diz Cristóvão Jacques, do Sonear (Observatório Austral para Pesquisa de Asteroides Próximos à Terra), um dos principais "caçadores" desses objetos no Brasil. Ele conta ter conversado com outros colegas sobre o trabalho, e as opiniões se dividem -alguns não enxergam nada de conclusivo nos dados, enquanto outros acham que é possível compará-los com a "assinatura" deixada pelo objeto que destruiu os dinossauros.


Arqueólogos também criticaram algumas das conclusões. Aren Maeir, da Universidade Bar Ilan, em Israel, aponta que os danos à cidade lembram os de outros locais do Oriente Próximo destruídos por exércitos que atearam fogo nas construções -sem nenhuma interferência celeste, natural ou sobrenatural.

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