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Pró-reitorias analisam ameaça de cortes de bolsas de estudos

Agência UEL
03 ago 2018 às 17:38

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Os três pró-reitores acadêmicos da UEL analisam que os impactos dos possíveis cortes de bolsas de estudantes, a partir de agosto do próximo ano, deverá impactar fortemente a pesquisa na Universidade, bem como nas demais Instituições de Ensino Superior e Centros de Pesquisa. O alerta foi divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), nessa quinta-feira (2), sobre a possibilidade de suspensão de todas as bolsas de pós-graduação.


O Governo Federal pretende reduzir em pelo menos 11% o orçamento do orçamento de 2019 da área. Ofício da Capes afirma que, caso isso se concretize, quase 200 mil bolsistas ficarão sem recursos a partir de agosto do ano que vem. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) foi aprovada em julho pelo Congresso. O Governo tem até 14 de agosto para sancionar a LDO, e até 31 de agosto para encaminhar ao Congresso a Proposta de Lei Orçamentária (PLOA).


O pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UEL, Amauri Alfieri, é taxativo e afirma que o corte anunciado nas bolsas é da ordem de R$ 680 milhões, representando uma hecatombe na pesquisa brasileira. "É um dos maiores retrocessos de Ciência e Tecnologia, já que 90% da pesquisa nacional é feita na pós-graduação", analisa ele.


Segundo Alfieri, a alma da pesquisa são os estudantes dos Programas de Mestrado e Doutorado, além dos pós-doutores e graduandos de Iniciação Científica que fazem a diferença no volume de desenvolvimento científico. O pró-reitor afirma ainda que não é só a pós-graduação que sofrerá o impacto, com cortes chegando também em bolsas direcionadas a estudantes do Ensino Básico. "Todos seremos penalizados, é uma hecatombe".


Somente na UEL existem hoje 547 bolsas para estudantes de Mestrado, 345 de Doutorado, totalizando 892 bolsas de estudo. Existem ainda outros 40 estudantes doutorandos que participam de um programa de Doutorado Sanduíche a partir deste mês. Estes estudantes embarcam para países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e para a Europa para participarem de estudos avançados e pesquisa em várias áreas do conhecimento. Outros 39 estudantes participam do Programa Nacional do Pós Doutorado (PNPD), desenvolvendo pesquisa avançada nos Laboratórios da UEL, que também poderão ser afetados porque recebem bolsas da Capes.


Ainda de acordo com Alfieri, em 2015 a Capes trabalhava com um orçamento de R$ 7,7 bilhões, caindo para R$ 3,94 bilhões este ano. Com esta redução, o Brasil caiu da 13ª posição em produção científica mundial para o 15º lugar. "Sem investimento não tem pesquisa", frisa o pró-reitor.


Extensão
O pró-reitor de Extensão, Cultura e Sociedade em exercício, professor Nilson Cesar Fraga, afirma que o impacto imediato dos cortes será sentido na iniciação extensionista, a partir da falta de recursos para custear bolsas de estudo, equipamentos, pagamento de serviços e outros. Hoje a UEL recebe aproximadamente 100 bolsas com recursos federais.


O professor explica que a Extensão Universitária permite colocar o estudante universitário em contato direto com sociedade, beneficiando muitas vezes uma comunidade carente, no campo e na cidade. É o caso do projeto Sacolas Camponesas, que atende diretamente 40 mulheres agricultoras do Assentamento Eli Vive, na zona rural de Londrina. Sacolas com produtos orgânicos são entregues semanalmente a consumidores, por meio da UEL, gerando renda e oportunidades para uma comunidade rural carente. A Universidade tem hoje cerca de 260 projetos de extensão no Paraná e Santa Catarina.


Graduação
Na Graduação os possíveis cortes de bolsas afetariam projetos importantes como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e o Programa de Residência Pedagógica. Segundo a pró-reitora de Graduação, professora Marta Favaro, são 288 estudantes dos cursos de Licenciatura e professores da UEL, além de professores da Educação Básica atendidos com bolsas do PIBID. Existem ainda outras 312 bolsas do Programa de Residência Pedagógica.

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Ela explica que a bolsa custeada pela Capes muitas vezes representa o sustento destes estudantes. "Este corte vai inviabilizar uma política de fortalecimento dos cursos de Licenciatura. O Brasil precisa investir nisto", define a pró-reitora.


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