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Vai fazer falta

Corpo de Asa Branca é velado na Assembleia Legislativa de SP

O corpo de Waldemar Ruy dos Santos, o Asa Branca, famoso locutor de rodeios que faleceu nesta terça-feira (4), começou a ser velado no hall monumental da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), na zona sul de São Paulo, nesta quarta-feira (5). Conhecido por ter inovado o estilo de narrar ao descer do palco e ficar no centro das arenas, ele recebeu diagnóstico de câncer na garganta em 2017 e morreu aos 57 anos. O tumor chegou a regredir, mas a doença voltou em 2019, atingindo também a base da boca e dificultando cada vez mais a fala.

Reprodução/Instagram/Ruy Asa Branca
Reprodução/Instagram/Ruy Asa Branca


O velório na Alesp acontecerá até o meio-dia, e então o corpo será transportado para Turiúba (546 km da capital), cidade-natal de Asa Branca, onde acontecerá o sepultamento na manhã da quinta-feira (6). O auge de Asa Branca aconteceu nos anos 1990, quando ele chegava a eventos como a Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos em helicópteros, saltando de paraquedas ou em tirolesas. Narrou montarias dentro de camionetes em movimento e até mesmo em cima de cavalos, o que foi possível por ter inovado o estilo de narrar ao descer do palco e ficar dentro das arenas de rodeios.

Até então, locutores lendários como Zé do Prato (1948-1992) não se aventuravam a descer na pista de montarias e ficar perto dos animais que chegam a pesar mais de uma tonelada. Tudo foi possível por Asa Branca -apelido recebido por ter hábito de aprisionar pássaros- ter descoberto na década anterior o microfone sem fio, quando limpava cocheiras no Texas (EUA). Com a fama e o dinheiro chegaram também os símbolos de autodestruição que vez ou outra atingem artistas: noitadas e abuso de bebidas, drogas e sexo. Conseguia amealhar até R$ 1 milhão em cachês em um único mês, mas gastava com fretamentos de aviões e helicópteros, prostitutas, muitas garrafas de uísque e cocaína.

Se fora das arenas os excessos consumiam o patrimônio -chegou a dizer ter perdido R$ 10 milhões com farras-, dentro Asa Branca era o principal símbolo da mudança pelas quais os rodeios passavam e que resultaram na profissionalização da prática no país. Era a época da internacionalização do rodeio de Barretos (1993), do real valorizado (1994), de peão brasileiro sendo campeão mundial (Adriano Moraes, em 1994) e da entrada de country, rock e disco como trilha sonora nas festas de peão. Saía de cena o caipira, entrava em ação o caubói.

Asa Branca soube montar nesse cavalo que passava arreado como ninguém: propagou versos de rodeios e refrões nas arenas, gravou CDs, era figura fácil em programas de TV, namorou famosas e fez aparições em novelas. Essa nova identidade de comunicação sertaneja implantada pelo locutor fez escola, o que acabou por impulsionar o próprio nome de Asa Branca como o líder de um segmento e alvo de reverência de peões e público. Saúde A vida desregrada do locutor, que a essa altura da carreira já chegava a faltar a compromissos assumidos, teve novo capítulo em 1999, ano apontado por ele como o em que contraiu HIV de uma ex-namorada. Mas esse não foi o único problema de saúde que afetaria o locutor nos anos seguintes.

Oficialmente, a doença só foi descoberta em 2007, quando Asa Branca passou mal ao narrar um rodeio em Unaí (MG). No mesmo ano, foi internado numa clínica de reabilitação para tratar a dependência da cocaína. Já em 2013, uma neurocriptococose -doença do pombo- fez com que perdesse muito peso, ficasse internado cerca de três meses, passasse por seis cirurgias e quase morresse. Depois vieram meningite e hidrocefalia. Ainda tentou voltar ao mundo das festas de peão em pequenos eventos, que em nada se assemelhavam aos glamorosos rodeios que distribuem premiação próxima a R$ 1 milhão. Mas a voz já não era a mesma de antes -grave e forte-, tampouco o fôlego. Quase não conseguiu chegar ao final.

Arrependimento Nos últimos meses, Asa Branca passou a dar entrevistas criticando os rodeios e afirmando que a prática gera maus-tratos aos animais. Via como uma tentativa de se redimir. Já tinha afirmado, em anos anteriores, que há festas de peão amadoras, em que touros eram vítimas de tachinhas ou pregos para que pulassem mais, mas recentemente passou a atacar a prática como um todo, o que foi refutado por grandes eventos.
Dizia que a maioria dos médicos veterinários é contra os rodeios e que, se fosse para ser um animal, não queria ser um usado nas montarias. "Todo dia, antes de dormir, eu peço perdão para Deus se eu incentivei a maltratar os animais", disse.
Folhapress
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