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'Doa a quem doer'

Boris Casoy se torna youtuber e diz que não teve a liberdade que gostaria na RedeTV!

Leonardo Volpato - Folhapress
28 nov 2020 às 16:00
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Dois meses após deixar a TV aberta, Boris Casoy, aos 79 anos, está de volta. Ele vai estrear na Gazeta, na próxima segunda-feira (30), o Jornal do Boris, das 8h45 às 9h15, telejornal que ele começou no final de outubro em seu canal no YouTube. "Estou feliz com esse novo desafio, e mais feliz ainda por ver meu projeto de internet dar certo a ponto de ir para a TV", diz ao F5.

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Esta é a primeira vez que o jornalista apresenta um telejornal na faixa matutina -em suas passagens por SBT (1988-1997), Record (1997-2005), Band (2008-2016) e RedeTV! (2016-2020), o público estava acostumado com o "Boa Noite" dele. Casoy, que trabalhou na Folha entre 1984 e 1987 em várias funções, não receberá salário na Gazeta -trata-se de um acordo alinhavado entre o dono da empresa Ultrafarma, Sidney Oliveira, e a Fundação Cásper Líbero.

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A Gazeta vai transmitir a gravação do Jornal do Boris, que é exibido de segunda a sexta, das 8h às 8h30 no YouTube do jornalista. "Estou enfrentando um momento de felicidade na internet muito grande justamente por poder fazer isso, até palavrão eu já falei. Não tem preço. Sou dono do meu próprio nariz", revela.


Transmitido direto do escritório de sua casa, Casoy afirma que o Jornal do Boris tem tido boa aceitação do público com aumento gradual de inscritos e tem atraído interesse do mercado publicitário. "O fato é que eu confio no meu taco. Estou ficando velho, uma hora eu não vou mais prestar, mas ainda me interessa trabalhar, estou inteiro. De repente aparece uma rádio ou outra TV. Quero morrer apresentando."

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Conhecido pelas opiniões fortes e contundentes que faz ao final de cada notícia apresentada, o jornalista Boris Casoy afirma que não teve toda a liberdade de que gostaria no RedeTV News, quando chegou à emissora em 2016. A RedeTV!, porém, diz que "a emissora preza pela pluralidade e isenção no jornalismo".


Demitido em setembro de 2020, Boris diz que, com a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido), em 2018, a emissora passou a estar mais alinhada com o presidente e, com isso, ele teve que aliviar nos comentários. "Não é que me censuraram, mas eu sabia que alguns assuntos eram críticos. É um direito deles. O problema foi me adaptar a isso. Repito: Não fui censurado, mas eu me sentia mal em assumir uma posição que era contrária à da empresa que me pagava."


Leia abaixo os principais trechos editados da entrevista com Boris Casoy.


JORNAL DO BORIS
É uma novidade e estou fazendo com o maior entusiasmo. Resultados ainda estão no início, mas o crescimento tem sido geométrico. Impressão é que está indo bem. Já tem gente querendo patrocinar. O Jornal do Boris é ao vivo, das 8h às 8h30, transmitido pelo meu canal no YouTube, pelo Facebook e pelo AlphaChannel TV, que abrange Alphaville e condomínios da região. O jornal é basicamente de comentários. Eu me inspirei no O Trabuco, programa que existia na radio Bandeirantes e era comandado pelo jornalista Vicente Leporace [1912-1978]. Ele lia o jornal e comentava as notícias.


DINÂMICA DO PROGRAMA
Faço um sobrevoo pelas primeiras páginas dos jornais e abordo tudo, de política a futebol. São 30 minutos no Jornal do Boris. Acordo às 6h, me preparo, estudo os jornais, anoto o que não posso esquecer e vejo o que saiu de novo na internet. Faço do meu escritório. Teremos em breve pequenas entrevistas feitas à distância. Pessoas influentes das áreas que eu abordo. Tem que ser gente do primeiro time.


JORNALISMO PURO
Não tem nenhuma ligação com nenhum governo, nada partidário. Tenho minhas posições políticas, mas a atração não tem vinculação partidária nenhuma. Jornalismo puro. Lido com a pressão não lidando. Num determinado dia você pode ter uma carga a favor do governo, ou então falar de um partido de oposição que tenha uma dimensão tal que eu dê espaço. No fundo, é uma preocupação que eu consiga transmitir tudo e fazer com que a pessoa que assista tenha convicção de que é um jornal apartidário e não estamos a serviço de ninguém. Mas sou ser humano, tenho minhas ideias, mas procuro não distorcer. Fico perigosamente solto. Se não der opinião, não seria eu. Eu comento os fatos do cotidiano. É jornal de opinião. Durante esse período em que estou fazendo quarentena me sinto em prisão domiciliar.


METAS
Os números do canal em poucas semanas já são muito bons [são quase 8.000 inscritos], estou crescendo rápido. Não tenho meta nenhuma. Mas se chegar a um milhão vou dar uma festa. Se eu tiver um nicho de pessoas que apreciem o que eu faço, também estarei contente.


SAÍDA DA REDETV!
Não foi de comum acordo, eles que queriam romper. Imaginei que isso pudesse acontecer. Não estava conseguindo render. Gravava um comentário por dia para o jornal de casa [por causa da pandemia]. Ninguém brigou, nós combinamos de reduzir metade do meu salário e eles foram me pagando uma quantia que para eles era relativamente alta, sem eu trabalhar tanto. A emissora está em enormes dificuldades, demitindo gente e me pagava para fazer um comentário diário. Não tenho ressentimento. Não aconteceu nada fora dos trilhos.


LIBERDADE EDITORIAL
Não tanto quanto eu gostaria. Isso foi se cristalizando. No começo, sim, quando fui para lá, em 2016, eu tinha total liberdade. Depois [em 2018] a TV resolveu se aproximar do governo. Não é que me censuraram, mas eu sabia que alguns assuntos eram críticos. É um direito deles. O problema foi me adaptar a isso. Repito: Não fui censurado, mas eu me sentia mal em assumir uma posição que era contrária à da empresa que me pagava. Fui muito bem tratado na RedeTV!.


GOVERNO BOLSONARO
Sou uma pessoa que profissionalmente sou condicionado a não me apaixonar por nenhum governo. Basicamente, meu inferno mental me indica sempre a suspeitar de tudo e de todos. Sou crítico aos governos. Resultante disso é a postura de apoiar coisas boas para o país e criticar as que me parecem ruins ou calcadas na corrupção. É mais ou menos assim que eu procuro colocar as minhas posições. Meu cliente não é anunciante, dono do jornal ou da TV. É o meu ouvinte, leitor e telespectador.


CHEGADA DE LACOMBE
Não conheci o [Luís Ernesto] Lacombe, mas isso tem que ser perguntado para a RedeTV!. Não posso falar, pois não sei. Existe essa coincidência mesmo da chegada dele e da minha saída. Não sei se o Lacombe ganha mais ou menos o que eu ganhava, se traz patrocínios. Mas desejo mil felicidades a ele. Quando você tem experiência de subida e descida profissional, você leva tudo mais friamente.


Procurada, a RedeTV! afirma que "não houve relação entre a contratação de Luís Ernesto Lacombe e a saída de Boris Casoy, extraordinário profissional e colega a quem a emissora só tem elogios". A demissão de Boris foi um dia depois de o jornalista ex-Globo estrear na RedeTV!, com o programa Opinião no Ar.


SENTE FALTA DA TV
Meu interesse é continuar em jornalismo, vivo de desafios, gosto de jornalismo. Vou fazer 80 anos em fevereiro e ainda estou inteiro, cabeça funcionando. Quero continuar. O que não quero mais é aceitar emprego que me obrigue a largar a internet que passou a ser o principal projeto da minha vida. O fato é que eu confio no meu taco. Estou ficando velho, uma hora eu não vou mais prestar, mas ainda me interessa, estou inteiro. De repente aparece uma rádio ou outra TV. Mas eu sei que haverá um momento em que eu devo parar. Que serei parado pelo destino, mas não tenho vontade de parar ainda não. Fiquei parado aqui nesses meses de quarentena e realmente não me fez bem. Estou acostumado a trabalhar, gosto do que faço. Se me perguntar se sinto falta da TV, respondo que sinto falta do jornalismo, da notícia.


APOSENTADORIA
Meu sonho é morrer apresentando (risos). Eu não quero parar. Se tiver que morrer algum dia, que seja trabalhando. Não quero parar. Se eu partir para um esquema desses [de ficar sem trabalhar] eu vou enlouquecer.

DONO DO PRÓPRIO NARIZ
Liberdade de expressão me brilharia os olhos, poder opinar sem receios. Liberdade total de escolher assuntos e falar sobre eles. Sem isso eu não quero. Estou enfrentando um momento de felicidade na internet muito bom, justamente por poder fazer isso, até palavrão eu já falei. Não tem preço. Sou dono do meu próprio nariz.


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