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Série do HBO Max

Lanternas: episódio de estreia foi tão bom assim? Leia a crítica

Claudio Yuge
20 ago 2026 às 09:26

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HBO Max
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No último domingo (16), a plataforma de streaming HBO Max estreou o primeiro episódio da série Lanternas, que adapta a mitologia dos adorados Lanternas Verdes, os protetores cósmicos portadores de anéis energéticos das histórias em quadrinhos da DC Comics. E, embora a produção tenha deixado todo mundo desconfiado sobre sua qualidade nas primeiras prévias durante seu desenvolvimento, esse começo é bastante promissor.


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Lanternas já nasceu sob uma expectativa muito grande, não só porque os Lanternas Verdes são uma das mais importantes franquias da DC Comics e possui uma legião de fãs fiéis; mas também por conta da responsabilidade de adaptar os quadrinhos de uma maneira muito menos zoada do que o filme com Ryan Reynolds, lançado em 2011. E mais: a série também tem a missão de construir um dos pilares do Universo Cinematográfico DC (DCU).


Esse peso ficou ainda maior em meio às turbulências executivas de troca de chefias e demissões em massa na TimeWarner, após a venda para a AT&T em 2018; e em seguida na fusão com o Discovery, em 2022. E não acabou, porque, atualmente, o grupo dono dos direitos da DC Comics e do DC Studios passa por fase de aquisição pela Paramount Skydance, que ainda aguarda a aprovação da agências reguladoras de mercado.



Junte isso tudo e algumas frases infelizes do roteirista Damon Lindelof (o cara que cometeu Lost), mais as primeiras imagens de divulgação sem nada de poderes e com tons de verde depressivos, e aí você tem todos os elementos que deixaram todos desconfiados — e isso que ainda deixei de fora os lançamentos irregulares do DCU, a exemplo da segunda temporada de Pacificador e o longa flopado da Supergirl.


E como esse primeiro episódio conseguiu superar todas essas barreiras? Te conto, sem spoilers, logo abaixo.


Fidelidade e química


Kyle Chandler acertou na caracterização de Hal Jordan, transmitindo um tipo impulsivo, charmoso, indisciplinado, poderoso e muitas vezes inconsequente. Ele entrega a dosagem certa do veterano que carrega cicatrizes, mas mantém aquele brilho nos olhos de quem desafia a autoridade sem pensar duas vezes.


Aaron Pierre, embora ainda não esteja completamente à vontade no papel de John Stewart, demonstra ter as características certas e o jeitão metódico, observador e organizado. Dá para sentir o vigor de um militar calculista tentando entender um mundo muito maior e mais estranho do que sua rotina anterior.


A química buddy cop combina perfeitamente na relação de tutor e aprendiz, porque o contraste ajuda a definir bem cada herói e sua jornada. A dinâmica cria uma convivência em que as diferenças acabam se complementando, tanto em termos de habilidades táticas quanto em suas oscilações emocionais.


As histórias de origem são muito fiéis às HQs, respeitando os alicerces fundamentais de Hal e John. A mitologia dos Lanternas Verdes, que ostenta certa complexidade cósmica, vai aparecendo aos poucos, sendo o único equívoco até aqui o fato de desconsiderar Alan Scott como o primeiro Lanterna da Terra — mesmo que ele não faça parte da Tropa e tenha poderes de outra fonte.


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Os personagens de apoio não chegam a ser espetaculares, contudo, cumprem o papel de definir o aspecto "gente comum" que os heróis precisam ter. Afinal, quem eles salvariam no dia a dia se absolutamente todo mundo tivesse superpoderes na vizinhança?


O elenco ainda ostenta a ótima Kelly McDonald e Nathan Fillion, interpretando uma policial caipira durona e o egocêntrico Guy Gardner, respectivamente. Ambos entregam o carisma necessário para enriquecer o plano de fundo e dar peso às interações dramáticas.


Trama desenvolve os personagens


A trama se resume na investigação de um misterioso assassinato no coração rural dos Estados Unidos, onde os patrulheiros intergalácticos se veem forçados a colaborar para desvendar uma conspiração cósmica. O enredo se afasta das batalhas estelares genéricas para focar na tensão de um mistério local com ramificações perigosas.


A escolha por não despejar uma ficção científica densa e optar por algo mais "pé no chão" beneficia o ritmo. Essa cadência permite que cada cena se desenvolva com naturalidade por meio dos diálogos, das trocas de olhar e das atividades cotidianas de cada herói.


Em vez de focar apenas no espetáculo visual de pirotecnia, a série prefere dar peso ao fator humano dos protagonistas. As interações diárias mostram as dificuldades de adaptação, construindo camadas de personalidade antes de jogar a dupla em perigos galácticos.


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Embora Damon Lindelof seja bom para construir atmosferas e mistérios — aqui misturando True Detective, Homens de Preto e Máquina Mortífera —, ele tem um sério problema para fechar suas tramas. Se deixar, ele apela para plot twists e conceitos brisados disfarçados de "conclusões cerebrais".


A boa notícia é que ele tem ao seu lado o roteirista Tom King, muito hábil em construir dinâmicas divertidas e sentimentais na medida certa da cafonice típica da DC Comics. Além disso, King conhece seus limites e, em vez de criar cliffhangers "bombásticos", brinca com tempo, espaço e perspectiva para transformar enredos convencionais em narrativas cativantes e extraordinárias.


Padrão HBO, porém baixa-renda


A maior limitação da série é o orçamento enxuto, que não passa dos US$ 120 milhões para oito episódios. Embora seja uma grana alta para eu e você, esse montante não se compara aos US$ 456 milhões de produções como O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder.


Atrações de ficção científica, mitologia e fantasia exigem muitas locações, efeitos práticos e visuais, edição e engenharia de som, entre outras atividades técnicas que consomem a maior parte do orçamento na pós-produção.


O padrão é HBO, ou seja, as equipes entregam tudo redondo de maneira que dá para acreditar que os caras sejam Lanternas Verdes com o poder de gerar construtos de luz sólida. Mas os uniformes são meio toscos e impraticáveis, e raramente vemos os heróis criando os cacarecos exagerados dos quadrinhos.


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A solução esperta foi relacionar construtos simples à habilidade e personalidade de cada um. Hal é mais malandrão e fanfarrão, criando dinheiro, abridor de garrafa e esferas de proteção; já John é mais detalhista e paciente, gerando ferramentas e utensílios práticos e estruturados.

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O final do primeiro episódio é de cair o queixo e pode até deixar muita gente descontente, contudo, é bastante compreensível, dado o caminho que a trama rascunha. Há uma clara jornada de transformação de John no principal Lanterna Verde da Terra, como acontece muitas vezes nos quadrinhos e animações. Ele é um bom líder e mais equilibrado que Hal, que vive sendo expulso da Tropa.


Hal é extremamente ansioso e inquieto, e sua impulsividade e coragem naturalmente o leva a desvendar segredos, encontrar soluções e criar novos caminhos e jornadas. O custo é sua solidão e atos inconsequentes, que já fizeram com que fosse consumido pelo medo… e pela entidade maligna conhecida como Parallax.


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Tudo já levava a crer que essa seria sua trajetória na trama da atração, e, agora, dá para compreender melhor como isso será mostrado. Em vez de mostrar uma cacetada de coisas complicadas para o público que não acompanha os quadrinhos, como aconteceu na adaptação com Ryan Reynolds, a mitologia dos Lanternas Verdes provavelmente será mostrada justamente na ascensão de John e na queda de Hal.


E isso é muito bom, porque essas jornadas só podem ser contadas com os elementos primordiais dos Lanternas Verdes — poderíamos citar Espectro Emocional, Tropa Sinestro, força de vontade e coragem, medo, falha na Bateria Central, avatares de cada Tropa, destruição de Coast City, etc… mas, por enquanto, melhor deixar isso tudo para quem é virgem.


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Ah, sim: Lanternas terá oito episódios e é exibido todo domingo, às 22h.

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