Impressionante. Essa talvez seja a melhor palavra para descrever o show da turnê Sticky & Sweet, que Madonna apresentou no Brasil. Ainda agora, 4 dias depois da apresentação que assisti, continuo com o frio no estômago que senti por horas no sábado passado.
A fila para entrada no Estádio do Morumbi, como disse um fã perdido, era infinita. Por várias vezes era possível ver pessoas perdidas procurando seu fim para garantir o lugar. Quilômetros de fãs ansiosos, festejando, aguardando com ansiedade extrema a hora de ver a diva pop.
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Depois de horas de espera, mais uma surpresa ao entrar na arena: tudo extremamente limpo, organizado, centenas de seguranças e policiais e um palco gigantesco. Dezenas de caixas de som e incontáveis holofotes davam a idéia de como seria a qualidade do que seria visto e ouvido ali.
No centro do palco, uma caixa enorme cinza dava o clima de mistério: o que teria lá dentro.
Não era o que estava dentro da caixa que impressionaria as cerca de 70 mil pessoas que lotavam o Morumbi, mas o que aconteceria fora dela. Com uma qualidade impecável, luzes e cabos de aço transformavam a gigantesca caixa, que se dividia e se unia em várias possibilidades, nas mais diversas imagens.
Às 9h30 as luzes do estádio se apagam e tudo que se ouve é a histeria dos fãs. Madonna surge deslumbrante sentada em um trono e com um sorriso singelo no rosto. A multidão delira com a exibição de Candy Shop e Beat Goes On, na qual o cadillac branco é usado como pista de dança.
Mas o cadillac é apenas a ponta do iceberg que está por surgir com as músicas seguintes (16 no total). Os efeitos especiais, projetados na caixa desmembrada e também em um projetor de 360 graus instalado na ponta da rampa, em meio à platéia, são de tirar o fôlego. Fica difícil acompanhar tudo que acontece no palco. Quando menos se espera, surge um ringue de luta o um piano de calda.
Madonna e os bailarinos trocam de roupas por quatro vezes e as coreografias são incrivelmente sincronizadas. Mas é a sincronia da platéia com a estrela que mais fascina: Madonna está bem humorada, feliz não haver chuva e comunicativa. Fala com o público por várias vezes e promete voltar ao Brasil em breve.
Impossível não se comover com 70 mil pessoas cantando juntas a plenos pulmões a Like a Prayer. Depois, é Madonna que perde o fôlego quando é ovacionada pela multidão antes de conseguir cantar You Must Love Me. A diva pára, espera os gritos de seu nome cessarem e agradece com um sorriso de canto de boca. A apresentação da música tema do filme Evita é perfeita: mesmo não possuindo uma voz potente, Madonna canta à capela e comove. É fácil ver olhos cheios de água e rostos em pranto pelo sofrimento que a diva transmite.
A festa recomeça com Four Minutes e segue até o fim do show de duas horas em ritmo frenético. Madonna pula corda, simula uma pole dance, toca guitarra e encerra com Give It To Me, sem direito a bis. Uma sensação de vazio toma conta da multidão, que se retira em silêncio do Morumbi, como se saísse de uma igreja.
O show acabou, a turnê também. Quem não foi, certamente perdeu um belo espetáculo. Espetáculo de produção, de organização, de talento, de força e de fidelidade do público. Tomara que a diva não demore mais 15 anos para voltar!
A inflação de Madonna
Não só a estrutura do show de Madonna era grandiosa. Os preços que se formaram perto do Estádio do Morumbi, em São Paulo, também eram dignos de rainha.
Para quem optou por ir até o local de carro, a primeira surpresa na hora de estacionar: os flanelinhas cobravam R$ 50. Os moradores das casas próximas cobravam R$ 70 para alugar as garagens. O estacionamento de um shopping nas proximidades custava exorbitantes R$ 150!
Dentro do estádio, mais abusos: vendedores de bebidas e comida, que entram antes do público, se aglomeravam nos alambrados próximos ao palco e 'vendiam' seus lugares por R$ 15 (foram retirados pela organização do show depois que alguns fãs reclamaram).
Na loja oficial que vendia camisetas e livros de Madonna, os preços eram dignos de produtos credenciados. Camisetas a R$ 60 em média, shorts a R$ 50 e livros acima de R$ 200.
Comer e beber durante a apresentação também não era barato: um copo de água saia por R$ 4 e um pacote de salgadinho por R$ 5. Cerveja e sorvete também custavam R$ 5 e um sanduíche natural pequeno era R$ 8.
Mas nada disso incomodava quem estava ali para ver Madonna. Todos bebiam e comiam. Isso até a estrela aparecer no palco. Dali para frente, os olhos, as mãos e todo o pensamento da platéia eram voltados unicamente para ela.