O projeto começou a ser desenhado há mais de cinco anos. Depois de um longo processo de maturação - que envolveu desde questões burocráticas até a criação do texto - o espetáculo ''Salomé - Um Sonho de Oscar Wilde'' com estréia em 31 de janeiro, no Espaço Falec, em Curitiba.
A montagem do Grupo Delírio é dirigida por Edson Bueno e não leva exatamente o texto original do polêmico escritor para o palco, mas suscita discussões e sugestões de como o autor teria escrito um de seus espetáculos mais conhecidos. ''É uma história de ficção'', avisa o diretor.
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Para escrevê-la, Bueno buscou informações nas biografias de Wilde, principalmente no livro assinado por Richard Ellman . ''Acho que é a biografia mais completa e apaixonada que existe sobre o autor'', considera.
Para dar o tom da montagem, Bueno se inspirou também em outros textos escritos por Oscar Wilde. Levou em conta, principalmente, o universo irônico característico do escritor irlandês. ''A história que está no palco não aconteceu, é uma ficção, mas na arte quanto mais distante da realidade melhor'', diz Bueno numa alusão à resposta de Wilde quando questionado sobre como ia ser sua Salomé: ''será a mais falsa possível. Porque quanto mais falsa, mais perto da realidade.''
Para construir a história de como o autor teria criado a personagem que vive uma das histórias de amor mais controversas da dramaturgia, Bueno alterou diálogos e cronologias e se propôs a fazer uma homenagem ao autor. Os ensaios duraram cerca de sete meses e os textos foram sendo construídos paralelamente.
A dificuldade maior, conforme conta o diretor, foi encontrar o equilíbrio do texto, classificado por ele como uma comédia. ''As comédias de Wilde são compreendidas pelo cérebro e não pelo estômago'', compara Bueno explicando. ''A sutileza do humor está nas palavras. Não é o ator tropeçando no palco que vai fazer o público rir''.
Para dar o tom do espetáculo, Bueno escolheu dois tipos de figurinos. A ação do personagem de Wilde, interpretado por Áldice Lopes, tem um figurino realista, inspirado no final do século 19, enquanto os personagens criados pelo autor são vividos por atores vestidos com roupas mais alegóricas. O figurino é de Silmar Alves. Já o cenário, assinado por Fernando Marés, é um espaço neutro, sem referências de época. A luz é criação de Beto Bruel, vencedor de dois prêmios Shell.
Esta não é a primeira vez que o grupo Delírio encena um espetáculo baseado na obra de Oscar Wilde. A primeira produção profissional do grupo foi em 1986, com a adaptação do conto ''O Pescador e sua Alma'', de Wilde, e que foi levada ao palco com o nome ''A Sedução''. Por este trabalho, o grupo ganhou o Troféu Gralha Azul de Melhor Cenário (Fernando Marés) e o Áldice Lopes foi indicado como Ator Revelação.
''Salomé - Um sonho de Oscar Wilde'', fica em cartaz até março. No elenco, além de Áldice Lopes (Oscar Wilde e Salomé); Laura Haddad (Sarah Bernhardt e Salomé); Pagu Leal (Srta. Ema La Galienne e Lady Windermere); Tiago Luz (Mordomo, Richard Mansfield, Iokanaan); Marcel Gritten (Pierre Zizou e Salomé) o próprio Edson Bueno, que faz um participação Alexander Barret.
Serviço:
Espetáculo ''Salomé: um sonho de Oscar Wilde''
Local: Espaço Cultural Falec
Endereço: Rua Mateus Leme, 990, em Curitiba
Datas e horários: de quarta a domingo às 20h
Ingressos a R$ 14,00 e R$ 7,00