O domingo (15) de Carnaval foi marcado por animação, calor e muito batuque na Avenida Saul Elkind, principal via da Zona Norte de Londrina. Sob o lema "Feito no amor, respeito e diversidade", o evento independente e gratuito reuniu foliões de diferentes idades.
A concentração começou por volta das 15h, em frente ao CCI Norte (Centro de Convivência da Pessoa Idosa). O cortejo teve início pouco depois das 16h com o grupo Baque de Obá Kossô, que puxou o desfile dos blocos Tribo Percussão e BatucaRua, em um encontro inédito na avenida.
Mesmo com atraso e problemas técnicos, o BatucaRua deixou sua marca na celebração da cidade com um mini trio elétrico improvisado para a banda, e levou um repertório de 50 músicas e marchinhas conhecidas pelo público.
Foliões
A sensação térmica de mais de 30°C não desmotivou os foliões. Crianças, adultos e idosos capricharam nas fantasias, leques e adereços coloridos para entrar na festa.
A energia foi crescendo ao longo da tarde, animada com muito axé, samba e ritmos afro-brasileiros executados ao vivo pelos coletivos participantes, que atraiu o público que passava pela região ou consumia nos comércios próximos.
"Isso é maravilhoso, porque aqui no Cinco Conjuntos não tinha nada. Aí agora começou o ter, e tomara que tenha muitos outros nos próximos anos", afirmou Lindinalva Ferreira, 41, que acompanhou o desfile carnavalesco ao lado da família.
Moradora da Zona Norte desde sempre, ela contou à FOLHA que esta foi a primeira vez que presenciou um evento desse porte na região. Animada, aproveitou a programação para levar a filha pequena e compartilhar o momento.
Edilúcia, 39, e Danielle Lazaretti, 44, vieram de Apucarana para aproveitar a folia, por divulgação de uma amiga. "Nós estamos achando incrível. Não sabia de fato onde era, mas quando vim para cá e vi o bairro, achei muito incrível. Eu acho que descentralizar é democratizar, né? E carnaval é muito isso. É tudo de bom", comentaram.
Descentralização cultural
Para Ellen Silva, produtora e cantora do grupo Tribo Percussão, fazer esse encontro festivo na Zona Norte é a realização de um sonho.
"Era o que a gente queria: descentralizar, porque, querendo ou não, tudo acontece no Centro. O Carnaval da Prefeitura está acontecendo lá agora, e aí a gente sente que as coisas aqui na periferia ficam um pouco mais deixadas de lado. Quem acaba se movimentando são os centros culturais, são as organizações independentes, o pessoal que está aqui à margem. Nossa intenção é atrair o público que está aqui, e que seja o primeiro de muitos. A nossa expectativa é essa", disse.
Com fôlego, o cortejo seguiu em direção à conhecida Praça do Campinho, no fim da Saul Elkind, num percurso de aproximadamente 1,5 km. O evento contou com o apoio de diversas entidades parceiras, incluindo a SMC (Secretaria Municipal de Cultura).