Todo mundo que cresceu vendo os desenhos dos Transformers sabe que os Decepticons são os bandidos e que Megatron é o ápice da ameaça mecânica. Mas, a hierarquia de Cyberton está em plena reformulação. No Universo Energon, a nova continuidade da Skybound comandada por Robert Kirkman, as regras do jogo mudaram — e a balança acaba de pender perigosamente para o lado da tirania, com uma revelação bombástica, mais de 42 anos após a estreia da atração.
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Para quem não sabe, várias linhas inspiradas em desenhos animados dos anos 1980 têm retornado com sucesso, a partir de uma um universo compartilhado e atualizações mais coerentes com as publicações que têm conseguido manter os veteranos e atrair novos fãs — a exemplo das HQs de Star Wars, Predador e Aliens na Marvel Comics.
He-Man, ThunderCats e outros títulos baseados em desenhos oitentistas têm agregado mais personagens e preenchido lacunas com uma pegada mais madura. Por exemplo, os heróis gatunos agora sabem há conexões antigas entre Jaga e Mumm-Ra, e que uma versão futurista de Lion-O se tornou vilã.
É com essa nova mentalidade de ampliação e revisão da mitologia que o Universo Energon tem reunido novamente os Transformers em um universo compartilhado com os personagens de Comandos em Ação.
Assim, atualmente, o Universo Energon vem passando por uma atualização em sua hierarquia de poder.
* Atenção para spoilers!*
Matriz da Opressão
Desde 1984, sabemos que a Matriz da Liderança carrega a essência e a sabedoria dos Primes do passado. Pois bem, Kirkman e o artista Ludo Lullabi decidiram que o mal também merece sua própria linhagem.
Em Transformers #31, fomos apresentados à contraparte sombria do objeto mais sagrado da franquia. Esqueça a Matriz da Liderança; o que Megatron agora ostenta no peito é a Matriz da Opressão.
A Matriz da Opressão funciona como um receptáculo dos espíritos dos antigos líderes Decepticons, servindo como a fonte de poder que permite a Megatron não apenas se transformar em sua icônica forma de pistola, mas também dominar as mentes de quem o empunha (um recado direto para a lealdade sempre questionável de Starscream).
Mas esse poder não veio de graça. Para desbloqueá-lo, Megatron teve que passar por milhares de simulações de combate mental, culminando em uma revelação amarga para um personagem tão orgulhoso: o poder total da Matriz só vem através da subjugação.
O final da edição #31 traz um "plot twist" que deve arrepiar os fãs de longa data. Para portar a Matriz da Opressão, Megatron teve que se curvar a um mestre: Megatronus, também conhecido como The Fallen.
Megatronus agora é a maior ameaça
Originalmente um dos Primes que traiu seus irmãos para se tornar o primeiro Decepticon, Megatronus agora exige servidão absoluta do atual líder da facção. É um movimento ousado de roteiro que coloca Megatron — um ser que não aceita ordens de ninguém — em uma posição de subordinação em troca de um "upgrade" físico e de poder que promete ser devastador.
A situação dos Autobots na Terra nunca foi tão precária. Recentemente, vimos Optimus Prime abrir mão da Matriz da Liderança para Elita One, que partiu para continuar a guerra em Cybertron como Elita Prime.
Agora, reduzido apenas a "Optimus" e contando com uma aliança incipiente com os Comandos em Ação, o herói terá que enfrentar um Megatron que está literalmente evoluindo. A edição termina com o vilão envolto em um casulo cristalino, preparando-se para emergir em uma nova forma, possivelmente mais intimidadora e poderosa do que qualquer coisa vista nos últimos 42 anos.
Kirkman está tratando a lore de Transformers com o peso que ela merece, transformando itens clássicos em elementos de horror e alta fantasia tecnológica. Se a Matriz da Liderança é esperança, a Matriz da Opressão é o peso do passado esmagando o futuro. Optimus vai precisar de mais do que "ser apenas um bom soldado" para sobreviver ao que está saindo daquele casulo.