Os fãs que assistiram à primeira temporada de X-Men´97, em 2024, com certeza emocionaram-se, não somente pela nostalgia da continuidade da famosa animação dos anos 1990, como também à incrível qualidade técnica, criativa e narrativa da produção. E, para a alegria de todos, a segunda temporada, que acaba de chegar ao streaming do Disney+, traz arcos ainda mais fiéis — e complexos.
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Nesta quarta-feira (8), o Disney+ estreia o quarto episódio, que continua a trama de Apocalipse no Antigo Egito — um período muito importante para a construção da história narrativa moderna dentro da mitologia da Marvel Comics.
No Antigo Egito de 2920 a.C., a presença de Charles Xavier e Magneto ao lado de Fera, Vampira e Noturno acelera a mitologia mutante. Essa era reconecta a ascensão de En Sabah Nur à tecnologia dos Celestiais e à variante faraônica de Kang, o Conquistador (Rama-Tut), amarrando pontas soltas sobre a origem do primeiro mutante da Terra.
No futuro apocalíptico, a série adapta com precisão cirúrgica a estética das HQs de As Aventuras de Ciclope e Fênix. Scott Summers e Jean Grey guiam o jovem Nathan ao lado do Clã Askani, em um cenário cyberpunk apocalíptico desolador que dita o tom trágico da linhagem Summers. Tempestade e Wolverine também atuam nesse núcleo.
No presente, o ápice da temporada se materializa na X-Force liderada por Cable. O grupo ganha uma abertura própria com a clássica identidade visual militarizada dos quadrinhos dos anos 1990, unindo Mancha Solar, Jubileu, Psylocke e Arcanjo em missões táticas contra os novos Cavaleiros do Apocalipse — a abertura especial personalizada, assim como a trilha sonora com Veruca Salt são cerejas no bolo desse lindo episódio.
Revisão complexa de décadas de HQs
O roteiro atua como uma revisão crítica de décadas de histórias. Ele corrige os excessos melodramáticos da animação original e supera as adaptações burocráticas do cinema, condensando o peso psicológico de arcos modernos publicados entre 2000 e 2020 com uma fluidez impressionante.
Essa erudição em quadrinhos, contudo, cobra seu preço em acessibilidade. A densidade de subtramas e a velocidade dos acontecimentos criam uma barreira de entrada alta, exigindo que o espectador casual tenha assistido ao primeiro ano ou possua vasta bagagem das HQs.
Mesmo com o risco de isolar os aventureiros de primeira viagem, o saldo técnico e criativo da produção é inquestionável. A animação se consolidou como o projeto mais maduro, coeso e elogiado do selo Marvel Animation nos últimos anos.
Ao cravar suas garras na Saga do Multiverso do Universo Cinematográfico Marvel (MCU), a série deixa de ser um mero exercício de nostalgia isolado. X-Men '97 redefine o padrão de como transportar a complexidade das páginas para as telas, pavimentando o terreno para a chegada definitiva dos mutantes ao live-action.