Especialista alerta sobre risco de teste caseiro para identificar metanol

04 out 2025 às 10:49

Bebidas adulteradas com metanol representam riscos à saúde que vão além do consumo, motivo pelo qual o CFQ (Conselho Federal de Química) faz um alerta: testes caseiros também podem resultar em intoxicação.


Especialista no assunto, o analista químico do CFQ Siddhartha Giese, em entrevista à Agência Brasil, destacou esses riscos e deu algumas dicas sobre como identificar situações perigosas e o que fazer diante da suspeita de adulteração das bebidas.


O especialista também falou sobre os processos de fiscalização deste elemento químico tão presente no dia a dia das pessoas.


Segundo o integrante do conselho, a melhor maneira de o cidadão contribuir de forma ativa na fiscalização contra o uso irregular de metanol é por meio de canais oficiais de denúncia e atitudes preventivas.


Siddhartha Giese explica que as denúncias podem ser feitas de forma anônima por diferentes meios. Um deles é o site do Procon, que criou canais específicos para registrar casos de bebidas suspeitas.


Uma outra forma de fazer a denúncia é por meio das vigilâncias sanitárias, tanto estadual como municipal. É também possível apresentar denúncias a autoridades policiais, como a Polícia Civil, que atua em operações de apreensão e interdição de estabelecimentos; bem como aos CRQs (Conselhos Regionais de Química).


PERIGO

“Caso haja suspeita [de bebida adulterada], não se deve realizar testes caseiros, como cheirar ou provar a bebida, pois isso pode agravar o risco de intoxicação”, alerta. 


Em casos de suspeita de intoxicação, o analista do CFQ sugere que se entre imediatamente em contato com o Disque-Intoxicação, serviço oferecido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), voltado a oferecer assistência e informações de primeiros socorros nesses casos, até que o paciente chegue ao local de atendimento médico de emergência. O número do Disque-Intoxicação é 0800-722-6001.


PREVENÇÃO


Do ponto de vista da prevenção, Siddhartha Giese sugere que, em primeiro lugar, se observe sinais de irregularidade nas garrafas de bebidas alcoólicas.


“Suspeite de preços muito abaixo do mercado, embalagens com lacres tortos, rótulos desalinhados, erros ortográficos ou ausência de informações obrigatórias como CNPJ, endereço do fabricante ou número do lote”, disse o químico à Agência Brasil.


FISCALIZAÇÃO


Diante dos riscos da substância, estão previstas regras de fiscalização para o transporte e para a comercialização do metanol.


“A fiscalização da comercialização do metanol no Brasil é rigorosa e envolve tanto a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) quanto a Polícia Federal, pois o metanol é classificado como substância controlada”, explica o especialista do CNQ.


CADASTRO PRÉVIO


Qualquer operação envolvendo metanol — o que abrange importação, transporte, armazenamento, distribuição ou uso — exige, segundo ele, cadastro prévio, autorização específica e rastreabilidade completa.


“A ANP é responsável por regular e monitorar a cadeia de suprimento do metanol, que no Brasil é quase totalmente importado. Apenas empresas autorizadas podem importar e comercializar o produto, mediante licença específica e anuência para cada carga”, acrescentou.


Além disso, essas empresas devem informar periodicamente à ANP a quantidade adquirida, o destino e a finalidade do metanol, garantindo que ele seja utilizado apenas em processos industriais legítimos, como a produção de biodiesel, formaldeído e outros derivados químicos.


EMERGÊNCIA MÉDICA


A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar à morte.


Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).


Em caso de identificação dos sintomas, buscar imediatamente os serviços de emergência médica.

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