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Entrevista polêmica

Blatter diz não ter medo de terminar seus dias na prisão e alega 'ingenuidade'

Agência Estado
16 dez 2016 às 18:06

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Marcello Casal Jr/ Abr

Em uma rara aparição pública após ser afastado do futebol, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter concedeu uma polêmica entrevista ao jornal francês Le Monde, publicada nesta sexta-feira (16). Com um rosto abatido, a barba por fazer e longe da imagem quase inabalável que o mundo se acostumou a ver nas últimas duas décadas, o dirigente falou sobre as acusações que enfrenta, seu substituto Gianni Infantino e muitos outros assuntos.

Blatter está afastado do futebol desde outubro do ano passado, quando o Comitê de Ética da Fifa decidiu puni-lo por uma transferência milionária realizada ao então presidente da Uefa, Michel Platini, em 2011. O suíço também é acusado de desviar US$ 80 milhões para enriquecimento pessoal e de seus dirigentes.

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Apesar das acusações, Blatter mantém-se confiante em provar sua inocência. A possibilidade de ser preso sequer passa pela cabeça do dirigente. "Eu não creio de nenhuma forma que vá terminar os meus dias na prisão. Tenho 100% de confiança na Justiça suíça", declarou.


No início deste mês, o suíço recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS) contra a suspensão de seis anos de suspensão que lhe foi imposta pela Fifa. O órgão, no entanto, decidiu manter o gancho. Ao Le Monde, Blatter revelou que pretende apelar agora para o Congresso da Fifa, que reúne os 211 afiliados da entidade e cuja as decisões, de acordo com o dirigente, "são soberanas".


Blatter considerou estar sendo perseguido pela Justiça dos Estados Unidos, que liderou a investigação que deflagrou a maior crise política da história do futebol. Segundo ele, o país programou tal processo depois de ter perdido a disputa da candidatura para sede da Copa do Mundo de 2022 para o Catar. De acordo com o suíço, Platini, também suspenso após a investigação, foi igualmente perseguido por manifestar seu apoio ao programa catariano.


"Nunca ganhei dinheiro indevidamente. As acusações são falsas", garantiu Blatter, que disse não ter percebido o esquema de corrupção que o cercava por ser "ingênuo". "Como eu podia saber antes? Minha direção se baseava na fé e na confiança. Esta é minha educação. Fui ingênuo e indulgente demais", afirmou.


O ex-presidente só mudou o tom ao falar sobre seu sucessor, o também suíço Gianni Infantino. Blatter foi extremamente crítico ao comentar algumas medidas políticas do atual mandatário, principalmente em relação ao desejo de mudar o formato da Copa do Mundo e ampliá-la para 40 seleções, uma manobra que, segundo ele, serviria apenas para ganhar apoio das federações nacionais.

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"E por que, então, não coloca 128 equipes (na Copa do Mundo)? Se você promete às federações que haverá mais equipes, elas vão pedir ainda mais. O formato atual com 32 equipes é uma boa fórmula e já mostrou isso", considerou.


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