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Bundesliga admite que casos de Covid-19 podem estender torneio até julho

De volta aos gramados no último fim de semana, após mais de dois meses de paralisação, a Bundesliga fez um balanço positivo de sua primeira rodada em "modo pandemia" e está confiante de que poderá encerrar, no campo, a atual temporada do futebol alemão.

Reprodução / Instagram
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A liga, contudo, já admite a possibilidade de estender até julho a disputa do campeonato em razão de futuros casos de Covid-19 que possam surgir nos clubes e, dessa forma, forçar uma mudança no calendário do torneio, previsto para acabar no dia 27 de junho.

O alarme foi ligado pelo Dynamo Dresden, da segunda divisão alemã, que registrou dois casos confirmados da doença no elenco, foi obrigado a colocar todo o grupo de atletas em quarentena e teve seu jogo contra o Hannover, que deveria ter sido disputado no último domingo (17), cancelado pela organização da Bundesliga 2.

"Estamos muito contentes com o desenrolar da última rodada. Foram horas e horas discutindo os protocolos com a DFL [liga profissional de futebol], os médicos especialistas e os governos locais", disse nesta terça-feira (19) o CEO da Bundesliga na América Latina, Robert Klein, em entrevista coletiva virtual.

"Quando há um teste positivo, o protocolo diz que os clubes devem notificar as autoridades locais. As informações de treinos e jogos são compartilhadas e as autoridades decidem se apenas o jogador entra na quarentena ou se entra o time todo. Ainda temos muito tempo para completar a temporada. Há a possibilidade também de terminarmos em julho", afirmou Klein.

Em entrevista na semana passada, Christian Seifert, CEO da liga profissional de futebol, disse que casos como o do Dynamo Dresden já eram esperados e que não haveria necessidade de colocar em dúvida a continuidade do futebol.

Até o fim da temporada, a Bundesliga prevê que serão necessários de 22 mil a 25 mil testes de Covid-19 para cobrir toda a estrutura do campeonato. As autoridades realizam ao menos dois blocos de testes semanais para monitorar a situação dos clubes.

O Campeonato Alemão retornou à atividade no último fim de semana com dez partidas da 26ª rodada, todas sem a presença de público. Jogadores, comissões técnicas e demais profissionais envolvidos na realização dos jogos tiveram de obedecer a um rígido protocolo de medidas sanitárias, cujo documento tem 50 páginas com diretrizes que consistem na diminuição de riscos de contágio.

Alguns dos aspectos principais do documento são o distanciamento mínimo entre pessoas, como os jogadores reservas, que precisaram utilizar as arquibancadas para se sentarem longe uns dos outros, e o controle de aglomerações nas áreas do estádio -o pico aceitável, segundo a liga, é de aproximadamente 110 pessoas em uma mesma área.

No campo, porém, a recomendação de evitar o contato desnecessário foi quebrada em alguns momentos. O brasileiro Matheus Cunha, por exemplo, recebeu abraços e um beijo no rosto depois de marcar um dos gols da vitória de 3 a 0 do Hertha Berlim sobre o Hoffenheim. Não existem punições previstas para esses casos.

Apesar de alguns casos esporádicos de quebra das recomendações, Robert Klein crê que a adoção do protocolo sanitário, ao menos nesta primeira rodada após o retorno, teve o sucesso desejado pela liga e despertou mais curiosidade de federações e autoridades estrangeiras.

"Quando começamos essa jornada, no meio de março, ficou claro que também teríamos a oportunidade de sermos transparentes quanto ao processo e que pudéssemos compartilhar nossa experiência com todas as ligas ao redor do mundo. Assim que publicamos o nosso protocolo, gerou um nível alto de interesse. E não só do futebol. No fim de semana, houve muito contato do mundo do esporte com a gente", disse o CEO da Bundesliga na América Latina.

"As ligas estão em constante contato. Mas cada liga e cada país tem um processo distinto, um diferente estágio da Covid-19", completou Klein.

A Alemanha registra, segundo a Universidade Johns Hopkins, pouco mais de 176 mil casos confirmados da doença, com 8.000 mortes até o momento.
Folhapress
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