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Clubes brasileiros se dividem na hora de fechar contratos de TV

Agência Estado
17 dez 2016 às 08:34

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A assinatura de contrato com o Palmeiras foi comemorada pelos profissionais do canal de TV por assinatura Esporte Interativo. O acordo, divulgado nesta semana, foi uma conquista simbólica na disputa com o SporTV pela transmissão dos jogos do Campeonato Brasileiro pela TV fechada. Embora seja válido apenas a partir de 2019, o novo contrato pode impulsionar outros clubes e até gerar mudanças na transmissão pela TV aberta, apontam os especialistas.

A opção pelo Esporte Interativo, feita por oito clubes da Série A, foi motivada principalmente pelos valores financeiros. A oferta do canal controlado pelo grupo Turner, multinacional da área de comunicação e entretenimento, é cinco vezes maior do que foi oferecido pelo SporTV. São R$ 560 milhões de um lado contra R$ 100 milhões do outro. Vale lembrar que todas as informações se referem à TV fechada. As transmissões pelos canais abertos continuam sob o domínio da Rede Globo. Todos os acordos são válidos de 2019 a 2024.

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O Esporte Interativo aproveitou um pequeno "vacilo" da Rede Globo, proprietária do SporTV, para entrar no jogo. Os acordos anteriores entre a Globo e os clubes envolviam o pacote completo: canais fechados, canais abertos e pay-per-view. Neste bolo, os canais por assinatura ofereciam um valor menor em relação aos canais abertos.


Em 2014, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e encarregado de fiscalizar o mercado em busca de possíveis infrações à livre concorrência, exigiu que as propostas fossem desmembradas. Foi a brecha para a entrada do Esporte Interativo, que ofereceu valores mais atraentes apenas para o sinal fechado.


Em março, o Santos se tornou o primeiro grande clube a fechar o acordo e recebeu R$ 40 milhões de luvas pelo pioneirismo. "Vamos oferecer aos sócios e torcedores opções de escolha para acompanhar o Santos Futebol Clube", disse o presidente Modesto Roma Junior.


Além da questão financeira, o Palmeiras foi atraído por alguns diferenciais. O principal deles foi o uso do nome Allianz Parque nas transmissões - os canais Globo usam a nomenclatura Arena Palmeiras. Além disso, o Esporte Interativo oferece uma promoção para estimular o programa de sócio-torcedor, a possibilidade de torneios contra grandes europeus e direitos sobre replay dos jogos. Com isso, o Palmeiras se tornou o carro-chefe do novo canal.


Pelo acerto, o Palmeiras receberá luvas de R$ 100 milhões. Do total, o clube já recebeu R$ 50 milhões e o restante será pago no começo de 2017. "A força da Turner pode contribuir substancialmente para tornar o nosso Alviverde ainda mais forte", disse o então presidente do clube, Paulo Nobre.


Receio


Pelo acordo, os clubes vão dividir o montante inteiro pelo seguinte critério: 50% igualmente, 25% de acordo com a posição do campeonato e 25% por audiência do Ibope. Provavelmente, o time alviverde ficará com a maior cota em função da maior torcida e da estrutura do clube. Em função da concorrência, a Rede Globo está revendo a divisão de suas cotas, que oferece fatias maiores para Flamengo e Corinthians.


Dirigentes ouvidos pelo jornal O Estado de S.Paulo afirmam que alguns clubes ainda mostram certo receio com a novidade. Argumentam que já conhecem "o padrão Globo de qualidade", normalmente seguida pelo SporTV, mas que não conseguem avaliar a concorrência. Além disso, destacam que a receita de TV ainda é a principal fonte para a maioria dos clubes. Eles preferem não se identificar por causa das negociações que estão em curso e eventuais retaliações dos dois lados.

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Pedro Daniel, gerente de Esportes da consultoria BDO, não enxerga na batalha um enfraquecimento da Rede Globo, mas uma sinalização de que as negociações podem mudar a longo prazo. "Não vejo a Globo enfraquecida. Ela possui uma entrega, um padrão consolidado e reconhecido no mercado. Por outro lado, essa nova configuração pode motivar mudanças no relacionamento entre os clubes e as emissoras", opinou.


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