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Série A

Cuca faz Atlético-MG voltar a ser campeão brasileiro após 50 anos

Klaus Richmond - Folhapress
03 dez 2021 às 09:07
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As imagens de Cuca mostrando ao meio-campista argentino Matías Zaracho, no Mineirão, o dedo quebrado da mão direita dimensionam a face mais autêntica do treinador do Atlético-MG.

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A fratura foi resultado de uma comemoração empolgada do gol marcado pelo atacante chileno Eduardo Vargas, no último dia 3 de novembro, na vitória por 2 a 1 sobre o Grêmio, em jogo atrasado pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro.


Na partida, viralizou ainda outro registro excêntrico do técnico. No auge de seus 58 anos, deixou o gramado correndo e pulando em direção aos vestiários.


Antes da conquista do título brasileiro nesta quinta-feira (2), rompendo um jejum de 50 anos, que o eleva, para muitos, à condição de maior técnico da história do clube, Cuca precisou superar nos primeiros meses deste ano um roteiro pessoal com tons dramáticos.

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Menos de um mês depois de conduzir um improvável Santos à uma final de Libertadores, em janeiro, o treinador se viu cotado a assumir o clube mineiro, com o qual conquistou o torneio sul-americano, em 2013, mas boa parte das menções ao seu nome nas redes sociais eram de rejeição.


Ele seria o substituto de Jorge Sampaoli, que foi para o Olympique (FRA).


Encabeçada por uma mobilização de torcedores do Atlético-MG, a hashtag "CucaNão" se transformou em termo viral na ocasião.


O título continental de 2013, o maior da história do clube mineiro, não era o suficiente para garantir a volta.


Um caso policial de 1987, enquanto jogador do Grêmio, em uma excursão do clube gaúcho em Berna, na Suíça, quando ele e três companheiros de time -Eduardo Hamester, Fernando Castoldi e Henrique Etges- foram detidos e condenados por violência sexual a uma menor de 13 anos, reverberava com força, principalmente em coletivos feministas da torcida atleticana.


Cuca precisou vir a público para jurar inocência ao lado da família. O clube mineiro, por sua vez, tratou o assunto como "superado", dizendo acreditar na palavra do treinador.


Era intragável ainda para parte dos atleticanos o último ato na passagem anterior, quando aceitou a proposta do Shandong Luneng, da China, às vésperas do Mundial de Clubes. A surpreendente derrota para o marroquino Raja Casablanca, já sem o treinador, foi para a conta dele.


Pichações de "fora, Cuca", apenas sete jogos após a estreia, surgiram nos tapumes da obra do novo estádio do clube. Tudo isso aliado a situação delicada de saúde com a mãe, dona Nilde, internada por complicações da Covid-19.


"Eu tenho os meus problemas. Me concentrei com a minha neta no hospital, aqui em Belo Horizonte, passando mal, com todos os indícios dessa doença maldita. Uma criança de 4 anos, a gente correndo para lá e para cá", relatou. "Ainda tive o problema com a minha mãe", acrescentou.


Cuca e Atlético-MG têm em comum o romper do improvável. Se em 2013, embalado pelo coro de "eu acredito", o clube conseguiu o inédito título da Libertadores com reações inesperadas, desta vez a experiência foi pessoal para o treinador.


"É o maior gestor de vestiários que já vi. É um estrategista e um cara de muita fé, mas muita mesmo. Ele conseguiu usar tudo o que viveu e ouviu para reverter a situação em seu favor", explica à Folha o ex-goleiro Victor, atualmente gerente de futebol do clube.


"Há muitas semelhanças com 2013, de um ambiente com competição interna grande, mas respeitosa. Para muitos viraria uma gestão de egos e vaidades incontroláveis, mas ele conseguiu", completa.


O técnico transformou o Atlético de contratações milionárias em referência de resultados. "Vamos falar em números? Eu adoro falar números, porque eu só fico com eles na cabeça", disse Cuca em 4 de novembro.


Com ele, o clube alcançou 15 vitórias seguidas como mandante, um recorde histórico na competição. Fez, também, o melhor primeiro turno -ainda tem o melhor aproveitamento em casa e o melhor fora.


"Ele parece ficar inspirado no clube, as coisas não teriam acontecido em 2013 sem ele e vejo o mesmo agora. Cuca costumava dizer que o time dele era o desorganizado organizado", conta Evaldo Prudêncio, responsável pela logística atleticana à época.


Até Cuca vencer a Libertadores, o Atlético vivia no atual século os anos mais difíceis de sua história. De 2001 a 2013 conquistou somente três estaduais -2007, 2010 e em 2013- e ainda carregava marcas de um doloroso rebaixamento à Série B, em 2005, enquanto o rival empilhava conquistas relevantes.


"Quando cheguei, em 2000, o clube treinava em uma sede social cheia de torcedores. Caras que davam até pitaco no treinamento. Quando retorno, vejo um clube totalmente estruturado e diferente, mas que precisava de um vencedor por trás. O Cuca teve muita habilidade para fazer um time campeão", relata Gilberto Silva, presente na campanha de 2013.


Cuca embalou uma nova versão capaz de deixar para trás críticas ao "Cucabol" -termo irônico e crítico sobre o estilo de jogo adotado por ele- e se consolidar como um grande treinador.


O clube do "eu acredito" virou, com ele, "o Galo ganhou", novo coro cantado pela torcida nas partidas, criado em 2015 pela torcedora Marci e popularizado durante a campanha deste ano pelo jornalista Fael Lima, do Alterosa Esporte.

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