Uma vitória do Brasil sobre Portugal neste sábado, na cidade do Porto, pode deixar em situação de risco o técnico que dirigiu a seleção brasileira na campanha do pentacampeonato. Luiz Felipe Scolari, atualmente no comando da equipe lusitana, estreou na Europa com uma derrota para a Itália.
Se perder de novo, Felipão e seu auxiliar Flávio Teixeira, o Murtosa, devem sair do estádio das Antas sob pressão da imprensa portuguesa para entregar os cargos. O jogo tem início previsto para as 20h15 (17h15 de Brasília), com transmissão direta da TV Globo.
Já o Brasil, líder absoluto do ranking da Fifa, não tem nada a provar ou a perder no amistoso. Nenhum resultado abalará a credibilidade de Carlos Alberto Parreira, um campeão do mundo em posição bem mais confortável que o adversário.
Ele vai escalar a base do time que venceu a Copa do Mundo de 2002. Somente dois jogadores que iniciam a partida não faziam parte do grupo que ergueu a taça no Japão: o meia Zé Roberto e o zagueiro Luisão.
Numa demonstração do peso do amistoso para o Brasil, Parreira chegou a fazer uma brincadeira na entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira no Ipanema Park Hotel. Ao se deparar com vários microfones de emissoras de TV, comentou:
''Parece até que temos um jogo importante''. Depois, tratou de reiterar que não estava evidentemente falando sério.
O desgaste de Felipão com os portugueses ficou evidente após a convocação do meia-atacante Deco. O atleta do Porto nasceu no Brasil e naturalizou-se em Portugal, o que lhe permite atuar pela seleção local.
Houve protestos de várias partes. Dois dos principais jogadores do país, Rui Costa e Figo, criticaram a decisão de Felipão. Pesquisas de opinião pública organizadas nas principais cidades de Portugal mostraram que parte considerável da população reprovava a presença de Deco na seleção.
Isso não abalou Felipão. Ele se manteve firme, como da vez em que resistiu a um quase clamor nacional para levar Romário à seleção brasileira. Mas sabe agora que uma eventual derrota para o Brasil o obrigará a dar a volta por cima, de forma bastante convincente, no amistoso seguinte, contra a Macedônia, dia 2 de abril, na Suíça.
O Brasil atuará no 4-4-2, com Rivaldo e Ronaldo no ataque, além de Ronaldinho Gaúcho na armação das jogadas. Parreira atribui alguma vantagem a Felipão pelo fato de o técnico de Portugal conhecer bem os jogadores do Brasil. ''Ele vai evitar determinadas surpresas, mas o futebol não é previsível. Temos um repertório inesgotável de craques'', disse Parreira.