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Veja sua trajetória

Após prata, skatista Pedro Barros diz que experiência é muito melhor do que objeto material

Daniel E. de Castro/Folhapress
05 ago 2021 às 10:29
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Pedro Barros já tinha um currículo estrelado em 2016, quando o skate teve sua estreia confirmada para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 e provocou reações conflitantes.

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Estar no principal evento esportivo do mundo poderia resultar em ganhos inéditos de popularidade para o skate, mas quem já vivia dentro desse meio havia mais tempo se mostrava temeroso de que o passo aparentemente promissor se revelasse em falso.

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Para esse grupo, elementos culturais da atividade, como suas raízes transgressoras e o clima de harmonia entre os praticantes, estariam em risco com a entrada nos Jogos.


Pedro, 26, sempre se mostrou atento às preocupações, mas o fato de alguém com a sua influência ter apostado em viver a experiência da estreia olímpica do skate fortaleceu esse movimento e ajudou a diminuir as desconfianças.

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O discurso de que o resultado em Tóquio, independentemente de qual fosse, importaria menos do que a mensagem que o skate olímpico poderia passar, foi mantido por ele com a medalha de prata pendurada no pescoço.


"Essa medalha foi simplesmente um detalhe, um souvenir. Essa experiência que a gente leva para a vida é muito maior e muito melhor do que qualquer objeto material", disse.


A prata foi conquistada na disputa da modalidade park, nesta quinta-feira (5), quando Pedro só foi superado pelo medalhista de ouro, o australiano Keegan Palmer.


"Foi um campeonato de skate, algo que a gente faz a vida inteira. [Mas] tivemos a oportunidade de levar o esporte para uma das maiores plataformas do mundo, as Olimpíadas, e passar uma mensagem maravilhosa. Isso, para mim, é maior do que qualquer título que ganhei, muito maior do que tudo que eu fiz na minha vida", afirmou.


É ilustrativo que Palmer, 18, já tenha se hospedado na casa do brasileiro para uma competição quando tinha nove anos. Hoje, superou aquele que já foi o maior nome do esporte e recebeu o seu reconhecimento.


"Eu sei o que sou no skate, e o que ele estava fazendo é coisa de outro mundo. O moleque realmente levou para outro patamar, e acho que ele nem fez tudo o que tinha para fazer. Ele levou o skate para um novo nível e é assim que a gente evolui."


Pedro Barros nasceu em Florianópolis e cresceu no bairro Rio Tavares, que se transformou numa comunidade de skatistas na capital de Santa Catarina.


O local, afastado do circuito turístico da cidade e pouco habitado, foi um grande achado nos anos 1990 para se comprar terrenos baratos e de quebra construir pistas neles.


Em um período de popularidade do street –a outra modalidade olímpica, com rampas, escadas e corrimões– no país, quem preferia os bowls encontrou seu local de resistência.


André Barros, pai de Pedro, foi um dos que ergueram sua primeira pista no local. Assim, o garoto começou logo cedo a sua trajetória.


O talento precoce levou o skatista a se profissionalizar aos 13. Em 2009, surgiu para o mundo com o terceiro lugar nos X-Games, evento que conquistou por seis vezes entre 2010 e 2016.


Em 2018, com a modalidade já inserida no programa olímpico, foi campeão mundial de park na China.


Pedro afirma que não fez sacrifícios durante o período em que se preparou para estrear nos Jogos Olímpicos. "Eu me divirto. Ando de skate diariamente, eu vibro nessa essência. Estou aqui como um atleta olímpico, mas vivendo como um skateboarder."


Ter que se submeter às regras impostas pelas autoridades que regulam o esporte olímpico chegou a causar incômodos para ele, que levou seis meses de suspensão após um teste positivo para derivado de maconha realizado durante competição em janeiro de 2018. Foi o primeiro torneio de skate no Brasil com a presença de fiscalização antidoping. Atualmente, as penas para esses casos são mais brandas.


Em meio ao seu ciclo olímpico, Pedro Barros foi um dos que disseram que os Jogos teriam mais a ganhar com o skate do que o contrário. Passada a competição, ele tem a expectativa de que o evento produza um impacto positivo para o seu esporte.
"O que eu espero que o skate leve das Olimpíadas é a estrutura, ter mais pistas, mais skate para casas de crianças que não têm condições, mais união e amor até dentro da nossa comunidade."

E o que as Olimpíadas levam do skate? "Aí não sei. Vocês vão saber depois que ela acabar."
As Olimpíadas de Tóquio serão encerradas no domingo (8). Nos Jogos de Paris-2024, as provas de skate terão novamente as modalidades street e park. A disputa será realizada em uma estrutura para os chamados "esportes urbanos", localizada na Praça da Concórdia.


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