A seleção brasileira tem 14 jogadores nascidos aqui. A italiana - que foi apelidada de ‘Brasil B’ e ‘Brazzurri’ - também. Pela primeira vez no Mundial de Futsal, as duas equipes se enfrentam, hoje, às 10h30, no Maracanãzinho. A vitória praticamente assegura a classificação para a semifinal. E dá ao ganhador, ao menos por enquanto, o rótulo de equipe A dos brasileiros. Ontem, na estréia da segunda fase, o Brasil venceu o Irã, por 1 a 0.
Esse será também o primeiro grande teste do Brasil na competição. Até aqui, a equipe treinada por Paulo César de Oliveira, o PC, acumulou vitórias por goleada e não encontrou adversários à altura. Agora, terá pela frente os atuais vice-campeões do mundo e da Europa, que perderam as duas decisões para a Espanha. ‘O jogo vai ser decidido no detalhe’, acredita Marquinho, do Brasil. ‘A gente tem de encarar assim e saber que vai ser difícil’.
Apesar de representarem a Itália, os brasileiros têm jeito muito próprio de atuar: sempre buscam mais o ataque do que se preocupam com a defesa. Neste domingo, o estilo ofensivo há de imperar nos dois lados da quadra. ‘Será um jogo atípico’, analisa Marquinho. ‘É a mesma escola. Os brasileiros estão jogando na Itália, mas foram todos criados aqui e são jogadores tecnicamente muito bons’.
Apoio da torcida
Quem tem a tarefa de dosar o estilo ofensivo dos brasileiros naturalizados italianos é o técnico Alessandro Nuccorini. ‘Este tem sido o meu maior desafio’, acredita o treinador, que se identifica com o futebol nacional. Num amistoso em abril, contra a Croácia, chegou até a utilizar a camisa verde-e-amarela por baixo do uniforme da Itália. ‘É para mostrar aos meus jogadores que estou do lado deles’, diz. ‘Além do mais sou um apaixonado pelo Brasil, pelas pessoas daqui’.
Os torcedores brasileiros vêm apoiando a Itália, que jogou a primeira fase no Rio. ‘A gente se sente praticamente na Itália com o apoio que recebe aqui’, afirma o comandante. ‘Faremos de tudo para satisfazer o público e trazê-los para o nosso lado ao menos nos jogos contra a Ucrânia e o Irã’.
Boas atuações também podem fazer os torcedores esquecerem as polêmicas em que esteve envolvida a Itália neste Mundial. Primeiro, trouxe para o Brasil uma seleção formada apenas por brasileiros naturalizados. Depois, foi acusada de entregar o jogo para o Paraguai (derrota por 4 a 2) com o objetivo de enfrentar a equipe verde-e-amarela em uma fase em que o confronto direto não terá tanto peso quanto em uma semifinal. ‘De alguma maneira, muita
polêmica traz algo positivo: fortalece o grupo’, argumenta Nuccorini. (Agência Estado)