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CBV cria punição para racismo, mas pena não deve ser aplicada em casos recentes da Superliga B

Bruno Lucca - Folhapress
06 fev 2024 às 12:34
- pxhere.com/pt/photo/1206027
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A CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) anunciou nesta segunda-feira (5) atualização nos regulamentos de suas competições para punir atos racistas, após duas ocorrências do tipo na Superliga B ao final de janeiro. Porém, as equipes denunciadas à época –Curitiba, no feminino, e Goiás, no masculino– não devem ser penalizadas pela entidade.

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Na proposta aprovada, qualquer ação discriminatória de cunho racial passa a ser considerada gravíssima durante partidas. Sanções previstas incluem multa, retirada de três pontos, suspensão, perda de mando e até eliminação do campeonato.

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Em meio ao texto, um detalhe é destacado: se o infrator for torcedor, o clube será punido apenas em caso de reincidência. Isto é o necessário para inocentar, perante a confederação, Curitiba e Goiás. Em ambos os episódios, as manifestações relatadas vieram das arquibancadas.


Os fatos ainda serão julgados pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). Gestores dos projetos envolvidos relataram à reportagem, entretanto, confiança na absolvição e contentamento em relação à brecha na regra criada.

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No último dia 26, três jogadoras do Tijuca Tênis Clube, do Rio de Janeiro, declararam ter escutado sons de macaco vindos da torcida do Curitiba durante partida na capital paranaense. Após o encontro, a central Dani Suco, a ponteira Camilly Ornellas e a levantadora Thaís Oliveira gravaram vídeo relatando o ocorrido.


"Era o segundo set, teve um rali, nós ganhamos, e eu fui para o saque. No momento em que eu estava batendo a bola, escutei, em alto e bom som, barulhos de macaco mesmo", disse Dani. "Não acreditei, olhei para trás e vi que eram muitas pessoas, mas não consegui identificar ninguém. Quando eu saí da quadra, perguntei para as meninas se elas tinham escutado, e disseram que sim", continuou.

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O Curitiba disse ter solicitado abertura de inquérito policial para apuração minuciosa dos fatos.


Já no dia 27, foi a vez de a competição masculina ter seu relato de racismo. Durante partida em Goiânia entre Goiás e América-RN, o técnico da equipe potiguar, Alessandro Fadul, interrompeu a disputa de um dos pontos para informar ter sido chamado de macaco por um espectador.

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A atitude do profissional irritou o árbitro, que lhe apresentou um cartão vermelho. No esporte, a punição representa um ponto para o adversário.


O homem acusado por Fadul não foi retirado do ginásio, e a Associação Esportiva Vôlei Pró, mantenedora do time goiano, negou ter havido qualquer tipo de injúria. "Diante do que foi apurado, não houve o alegado fato envolvendo insultos racistas por parte de um torcedor", divulgou em nota.


Dias após os casos, a CBV realizou o levantamento de imagens dos jogos, súmulas, relatórios dos delegados das partidas e manifestações de atletas e clubes envolvidos. Tudo foi encaminhado ao STJD.


A comunidade do vôlei, em especial atletas negros, emitiram manifestações sobre as denúncias surgidas na Superliga B e questionaram sobre punições. Fabiana Claudiano, central bicampeã olímpica, publicou vídeo no Instagram dizendo ser inadmissível nada ter sido feito quando as ofensas foram percebidas. O mesmo foi feito por Serginho, líbero histórico da seleção masculina.


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