A única jogadora a furar o boicote proposto pelo chamado "Colegiado de Clubes" e defender a seleção brasileira feminina de basquete no evento-teste do Rio-2016 está desempregada. Nesta terça-feira, ao se apresentar em Americana (SP), a pivô Clarissa foi dispensada pelo Corinthians/Americana.
Como o evento-teste não foi realizado em uma "data Fiba" (equivalente no basquete à "data Fifa" do futebol), os clubes não tinham obrigação de liberar suas atletas para jogarem o torneio. Assim, como o Americana não dispensou a pivô para se apresentar à seleção, o clube argumenta que ela faltou aos treinos durante duas semanas.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Como não pode defender outro time da Liga de Basquete Feminino (LBF), Clarissa corre o risco de ficar desempregada até abril, quando começam as atividades da WNBA, a principal liga norte-americana de basquete.
A jogadora defendeu o Chicago Sky na temporada passada e o empresário dela, Fábio Jardine, diz que já está com novo contrato em mãos para ela continuar na equipe. A temporada regular na WNBA, entretanto, começa em meados de maio e a programação da CBB é que a seleção feminina comece a treinar para a Olimpíada no começo do mesmo mês.
Jardine deve negociar com a CBB para que Clarissa e a também pivô Érika, outra agenciada por ele, se apresentem com atraso à seleção para o Rio-2016, sendo liberadas para jogar a primeira parte da WNBA pelo Sky. As duas que podem ser beneficiadas seriam exatamente aquelas que desafiaram o boicote e jogaram pelo Brasil no evento-teste.
RESPOSTA - Na segunda-feira à noite, o gestor de Americana, Ricardo Molina, postou um desabafo no Facebook em que, entre outras críticas, atacou Jardine, "por orquestrar tamanha aberração". No entender de Molina, o agente também "vendeu" Érika como "a patriota que saiu da Turquia pela nossa bandeira". "Por coincidência, é o mesmo agente da Clarissa. Mas é só coincidência."
Em entrevista à Agência Estado nesta tarde, Jardine não quis rebater as acusações de Jardine, mas lembrou que, das sete jogadoras que pediram dispensa, seis também são agenciadas por ele: Adrianinha, Tainá, Tati (América-PE), Joice (Corinthians/Americana), Jaqueline e Tássia (Santo André), além de Nádia, que pediu dispensa por lesão.
Érika não foi convocada na primeira lista para o evento-teste e foi chamada apenas após o corte de Damiris. A jogadora chegou ao Brasil para se apresentar à seleção após romper seu contrato com o Adana Aski, da Turquia, por atrasos de salários. Ela já está acertada para defender o América-PE na LBF.