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Tênis

Djokovic, Austrália e dispensa de vacina: o que se sabe até agora

07 jan 2022 às 10:21
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A situação de Novak Djokovic na Austrália, à espera de um julgamento que vai determinar se ele poderá entrar no país para participar do Australian Open ou será deportado, movimentou o noticiário esportivo nestes primeiros dias de 2021.

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Desde terça-feira (4) já houve vaivéns relacionados ao fato de o tenista número 1 do mundo tentar entrar no país com um certificado que o dispensaria de comprovar a vacinação contra a Covid-19.


Atualmente, ele está com o seu visto cancelado e detido num hotel de quarentena em Melbourne, onde deve permanecer até segunda-feira (10), data marcada para o julgamento. O torneio vencido pelo sérvio nove vezes começa na próxima semana, com os classificatórios. As chaves principais terão início no dia 17.


Entenda as principais movimentações do caso e seus pontos ainda em aberto:

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Quem pode entrar na Austrália atualmente?


Cidadãos australianos, residentes e portadores de vistos elegíveis podem entrar no país se estiverem totalmente vacinados contra a Covid-19. Caso não estejam, é necessário pedir uma isenção às autoridades locais. Se a pessoa não puder ser vacinada por motivos médicos, deverá fornecer provas disso.


Os participantes do Australian Open foram submetidos às mesmas regras?


Sim. A Tennis Australia, autoridade do esporte no país e organizadora do Australian Open, juntamente com o governo do estado de Victoria, onde está localizada a cidade de Melbourne, sede do torneio, indicaram dois painéis independentes de especialistas médicos. Coube a eles analisar os pedidos de dispensa da comprovação de vacina feitos pelos participantes do campeonato.


Djokovic teve uma autorização concedida para ir ao país?


Segundo a Tennis Australia (TA) e o governo de Victoria, o pedido de dispensa de comprovação da vacina feito pelo tenista foi aceito. A informação foi divulgada na terça-feira (4).



Qual foi a justificativa médica apresentada por Djokovic?


Não se sabe oficialmente, porque nem ele nem os organizadores deram detalhes. Na lista de parâmetros de isenção informados pelo torneio estão como qualificadores o risco de doenças cardíacas graves devido à inoculação, outras reações adversas e o registro de uma infecção por Covid-19 nos últimos seis meses. Segundo veículos de imprensa australianos, a hipótese mais provável é que o atleta tenha pedido dispensa por ter sido infectado nesse intervalo de tempo.


Então esse é um motivo válido para a dispensa?


Conforme anunciado pela TA e por Victoria, seria um motivo válido. Mas não é bem assim para o governo federal. O jornal australiano The Age teve acesso a duas cartas das autoridades de saúde federais encaminhadas à organização do torneio em novembro que aparentemente foram ignoradas.


Em 18 de novembro, Lisa Schofield, do Departamento de Saúde federal, escreveu ao diretor do Australian Open, Craig Tiley, que "as pessoas que já tiveram Covid-19 e não receberam uma dose da vacina não são consideradas totalmente vacinadas". De acordo com ela, tais pessoas "não seriam aprovadas para entrada sem quarentena, independentemente de terem recebido isenções de vacinação estrangeira"
Greg Hunt, ministro da Saúde, reforçou a mensagem a Tiley no dia 29 de novembro. "Posso confirmar que as pessoas que contraíram Covid-19 dentro de seis meses e procuram entrar na Austrália vindas do exterior, e não receberam duas doses de uma vacina aprovada no país, não são consideradas totalmente vacinadas."
Não está claro se essas informações foram repassadas pela TA aos tenistas e demais participantes do torneio, nem se a perspectiva de uma quarentena de 14 dias para Djokovic chegou a ser discutida em algum momento.


Existe um choque de competência entre o governo federal e os estaduais?


De acordo com as leis da Austrália, estados e territórios podem emitir isenções dos requisitos de vacinação para entrar em suas jurisdições. No entanto, o governo federal controla as fronteiras internacionais e pode contestar tais isenções.


Por que Djokovic foi barrado, afinal?


Munido de sua isenção médica concedida pela TA e por Victoria, Djokovic desembarcou em Melbourne na noite de quarta-feira (5), horário local. Funcionários da Força de Fronteira Australiana (ABF) pediram ao tenista que ele apresentasse as provas que justificaram a dispensa da vacina, mas as consideraram insuficientes para permitir que entrasse no país.


"Djokovic não forneceu as evidências adequadas para atender aos requisitos de entrada na Austrália, e seu visto foi posteriormente cancelado", disseram. O primeiro-ministro, Scott Morrison, destacou que "regras são regras, especialmente quando se trata de nossas fronteiras".


Todo esse processo demorou mais de seis horas, e o tenista passou a madrugada detido em uma sala do aeroporto de Melbourne. O pai dele, Srdjan, disse à mídia sérvia que o atleta estava sob guarda armada e sem acesso ao seu celular. A ABF negou esta última informação.


Havia um problema na solicitação do visto, também?


Segundo a imprensa australiana, um membro da equipe de Djokovic solicitou um tipo de visto para a sua entrada no país que não se aplicaria a quem recebeu a dispensa da vacina. Após a constatação do erro, a ABF entrou em contato com o governo estadual de Victoria, parceiro na organização do torneio, para tentar solucionar o problema ainda durante o voo do atleta, mas a tentativa de contato não recebeu retorno positivo. Não está claro, porém, se esse problema teve relação direta com a não permissão de entrada do tenista.


O que aconteceu depois do cancelamento do visto?


A ideia do governo era que Djokovic fosse deportado já na quinta-feira (6), mas seus advogados conseguiram um acordo para ele ficar no país pelo menos até que seja realizada uma audiência sobre o caso, marcada para a segunda-feira (10). A defesa do atleta espera derrubar a decisão do cancelamento do visto no tribunal federal.


Ele está agora em um hotel de quarentena em Melbourne, onde também ficam outras pessoas detidas por problemas de imigração.


O juiz Anthony Kelly disse que está disposto a tratar o caso com agilidade, mas não será influenciado pela preferência da Tennis Australia de que o assunto seja resolvido até terça-feira (11).


Por que Djokovic não fala sobre seu status de vacinação?


Em outubro passado, o sérvio disse que considera esse um assunto privado e que perguntas sobre o tema são inadequadas.


Em abril de 2020, antes mesmo de a vacina contra a Covid-19 ser uma realidade, ele se declarou contrário à obrigatoriedade da imunização para competir no circuito. "Pessoalmente, sou contra vacinação e não gostaria de ser forçado por alguém a tomar uma vacina para poder viajar."


"Eu não sou especialista, mas quero ter a opção de escolher o que é melhor para o meu corpo", afirmou em outra manifestação sobre o assunto.


Seu histórico de declarações na contramão de evidências científicas e o pouco apego às medidas sanitárias recomendadas durante a pandemia geraram os apelidos "Djocovid" e "Novax", uma brincadeira com as palavras "não" e "vacina", em inglês.



Houve outros pedidos de isenção médica entre os participantes do Australian Open?


A organização do torneio confirmou que recebeu 26 pedidos entre os cerca de 3.000 participantes, incluindo jogadores, técnicos, árbitros e outros profissionais. O número de isenções aceitas não foi revelado.
A reviravolta do episódio de Djokovic levantou a questão se não haveria outros casos semelhantes. Funcionários da Força de Fronteira Australiana confirmaram que estão investigando a situação de mais um jogador e um árbitro que também entraram no país com isenções.


Quais serão os impactos esportivos se Djokovic não jogar o torneio?


O Australian Open pode ser a segunda chance de o tenista desempatar a contagem recorde de títulos de Grand Slam entre os homens. Atualmente, Djokovic, Roger Federer e Rafael Nadal possuem 20 troféus cada um nesses torneios. Sem o sérvio, nove vezes vencedor em Melbourne, a chave masculina de simples fica bem mais aberta, com a presença de Nadal e com o russo Daniil Medvedev como cabeça de chave número 1.


Qual é o contexto político e diplomático envolvido no caso?

A notícia da isenção médica de Djokovic, compartilhada primeiramente por ele nas redes sociais em tom triunfal, provocou revolta na Austrália e fez com que o primeiro-ministro, Scott Morrison, repentinamente assumisse um discurso duro contra o tenista. Analistas na imprensa australiana afirmam que o governo se viu pressionado a agir pelo cancelamento do visto para acalmar a opinião pública num momento em que o país, considerado um dos mais bem-sucedidos no combate à pandemia, sofre com número recorde de casos de Covid-19.


Na política externa, o tema provocou atrito entre Austrália e Sérvia. "Disse ao nosso Novak que toda a Sérvia está com ele e que estamos fazendo tudo para que o assédio ao melhor tenista do mundo acabe imediatamente", disse o presidente do país europeu, Aleksandar Vucic.



O que dizem os defensores de Djokovic?


Seus advogados ainda não deram explicações sobre os motivos do pedido de dispensa feito por Djokovic e as razões para os documentos apresentados por ele terem sido considerados insuficientes pelo governo australiano.


A família organizou uma entrevista coletiva estridente, seguida de um protesto em Belgrado, e classificou o tenista como vítima de interesses políticos.


"Eles o estão mantendo em cativeiro. Eles estão pisando em Novak para atacar a Sérvia e o povo sérvio", disse o pai de Djokovic, Srdjan. "Isso não tem nada a ver com esportes, é uma agenda política. Novak é o melhor jogador e o melhor atleta do mundo, mas várias centenas de milhões de ocidentais não suportam isso."

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