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F-1 se despede de corridas que não vingaram na pandemia

21 out 2021 às 20:30

Apesar de cheio, o calendário de 2022 da Fórmula 1 vai deixar de lado alguns GPs que foram agregados à categoria ao longo da pandemia do novo coronavírus, caso do Vietnã, que sequer chegou a estrear e já sumiu da temporada.


As negociações com o país começaram ainda na era Bernie Ecclestone, mas foi com a Liberty Media que o Vietnã finalmente assinou seu contrato em 2018. Os valores não foram oficialmente divulgados, mas falava-se à época em US$ 60 milhões de receita total, tornando a prova uma das mais lucrativas do calendário.


A F1 chegou a ver a cor do dinheiro vietnamita, uma vez que estas taxas são pagas antecipadamente, mas teve de devolver a quantia depois que a corrida inaugural de 2020 não foi realizada devido à pandemia do novo coronavírus e o cenário político que permitiu o acordo mudou drasticamente.


Até março de 2020, as coisas corriam bem para a estreia em abril, com a obra da pista, que era um circuito de rua, praticamente terminada. No entanto, a prova foi adiada 21 dias antes de acontecer, e finalmente cancelada meses depois, com a justificativa de que não faria sentido seguir adiante com a corrida durante a pandemia sem poder contar com torcedores, até para reaver o investimento feito.


Isso era embasado por pesquisas locais que apontavam que o público da prova seria de pelo menos 50% de estrangeiros. No final das contas, a F1 acabou ficando mesmo restrita a provas na Europa e no Oriente Médio em 2020.


Para 2021, no entanto, a prova nem chegou a constar no calendário, com sua data sendo divulgada como evento a ser anunciado. Isso porque o prefeito de Hanói, Nguyen Duc Chung, grande força política por trás da ida ao Vietnã de um esporte sem qualquer tradição no país, foi preso por apropriação de documentos classificados.


O evento, na verdade, é financiado por um conglomerado privado chamado VinGroup, mas, sem o apoio político, a prova perdeu força antes mesmo de sua primeira edição. Pelo menos os habitantes da região do circuito, uma parte menos privilegiada de Hanói, agora têm ruas mais amplas e recém-asfaltadas para usar no dia a dia.


O cancelamento de etapas como a vietnamita em 2020 fez com que a F1 buscasse opções nas quais fosse possível fazer o transporte por via terrestre durante a pandemia. Vários circuitos reapareceram no calendário, como Nurburgring, Istambul e Imola, e outros dois fizeram sua estreia -Portimão e Mugello.


Desses, apenas Imola consta no calendário de 2022, dentro de um esforço que une os governos nacional e da região da Emilia Romagna para manter a pista no campeonato. A avaliação é que vale a pena investir dinheiro público na prova devido ao retorno em termos de visibilidade para o turismo da região e à arrecadação de impostos, em um modelo semelhante ao da prova de São Paulo.


Os turcos pensam da mesma forma, mas não conseguiram lugar fixo em um calendário já bastante cheio. Na verdade, Imola segue como substituta em 2022, entrando no lugar do GP da China, mas aparece como a primeira reserva caso algum contrato não seja renovado ou a F1 desista de correr em Paul Ricard, circuito francês de difícil acesso para os torcedores.


Esse é o mesmo problema de Portimão, pista que recebeu provas em 2020 e 2021, mas que enfrenta dois obstáculos importantes: assim como em Paul Ricard, só há uma rodovia de acesso, e os portugueses não conseguiram fazer uma proposta na casa de US$ 20 milhões por ano, valor que costuma ser o mínimo para os novos contratos da Liberty.


Com outros países, como Arábia Saudita e Qatar, dispostos a pagar bem mais do que isso, fica fácil entender por que gerar boas corridas não é suficiente para manter certas pistas no campeonato.

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