No Mundial de Judô, no Rio de Janeiro, no ano passado, Majlinda Kelmendi, da República do Kosovo, fez história ao conquistar a primeira medalha de ouro do seu país na modalidade. Nesta terça-feira, ela mostrou que o ocorrido em 2013 não foi ao acaso. Em Chelyabinsk, na Rússia, ela conquistou o bicampeonato mundial na categoria até 52kg ao derrotar a romena Andreea Chitu, algoz da brasileira Érika Miranda na semifinal.
- Estou muito feliz, é inacreditável. Ser a atual campeã mundial me fez chegar aqui como favorita, mas estava preparada para qualquer medalha. Então, o ouro é fantástico. Eu sei que todo mundo está me acompanhando no meu país. Eles devem estar muito felizes agora. Nesta manhã eu estava muito nervosa, mas, luta após luta, fui me sentindo melhor. Estou feliz por fazer meu povo feliz - disse Kelmendi.
Líder do ranking mundial, a judoca ainda sonha em poder representar seu país nos Jogos Olímpicos. Uma decisão política impede que isso aconteça. Independente da Sérvia desde fevereiro de 2008, a pequena nação europeia não tem o aval do Comitê Olímpico Internacional (COI) para competir no evento. Por conta disso, a atleta foi obrigada a competir em Londres-2012 pela Albânia.
Por conta da não liberação por parte do COI, Kosovo não pôde disputar os Jogos de Pequim-2008 e Londres-2012. Para ser aceito como integrante da entidade, o país precisa ser reconhecido pelas Nações Unidas como estado independente. A tendência é a de que os competidores de Kosovo disputem a Rio-2016 como atletas olímpicos independentes.
A atleta do Kosovo começou no judô com quase 9 anos. Praticava todos os dias e sua escolha se deu porque havia um local para praticar a modalidade próximo de sua casa. Sua irmã já fazia, então ela foi, gostou e, após cerca de dois anos, percebeu que estava melhorando e que poderia competir. Ela só precisou superar a desconfiança do pai, apesar de sua mãe ter lutado caratê quando mais jovem.