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Pilotos da F-1 exigem mudanças urgentes nos pneus

Agência Estado
30 jun 2013 às 15:33

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As cerca de 100 mil pessoas que lotaram as arquibancadas do belo e amplo circuito de Silverstone e milhões de telespectadores no mundo todo assistiram ao GP da Grã-Bretanha, hoje, entusiasmados com os lances de fortes emoções apresentados, pois a corrida teve de tudo.

Ao mesmo tempo, porém, os fãs da Fórmula 1 ficaram um tanto apreensivos, em especial a partir da oitava volta, quando Lewis Hamilton, da Mercedes, líder até então, teve o pneu traseiro esquerdo dechapado num trecho de alta velocidade.

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Seu companheiro, Nico Rosberg, venceu depois de o líder, Sebastian Vettel, da Red Bull, abandonar na 42.ª volta de um total de 52 por causa da quebra do câmbio.


O clima tenso cresceu duas voltas apenas depois do ocorrido com Hamilton. No mesmo lugar, na saída da veloz curva 5, Felipe Massa perdeu o controle da Ferrari e foi parar na área de escape, pela mesma razão de Hamilton, a perda da banda de rodagem do pneu traseiro esquerdo.


Ficou claro para todos, em especial os profissionais da Fórmula 1, que o problema não era um episódio isolado, haja vista que na 14.ª volta o francês Jean Eric Vergne, da Toro Rosso, passou pelo mesmo susto: seu pneu traseiro esquerdo dechapou de um instante para o outro.


A prova prosseguiu com outros acidentes tão espetaculares quanto perigosos, uma vez que a média horária nos 5.891 metros do traçado inglês é de 225 km/h. Na 27.ª volta, o mexicano Steban Gutierrez, da Sauber, perdeu o pneu dianteiro esquerdo por delaminação também, assim como o outro mexicano, Sergio Perez, da McLaren, teve o traseiro esquerdo dechapado na maior reta de Silverstone, na 46.ª volta.


"Se tivessem interrompido a corrida por razões de segurança eu teria compreendido perfeitamente", disse Felipe Massa, da Ferrari, uma das vítimas, sexto colocado. Talvez fosse mesmo o mais sensato a ser feito.


Os engenheiros passaram a enviar mensagens a seus pilotos para que evitassem passar sobre a zebra das curvas 3 e 4, pois havia a suspeita de que elas estivessem por detrás daqueles acidentes. "Eu não creio nisso, elas são baixas, não as tocamos com agressividade e são as mesmas de anos anteriores", afirmou Fernando Alonso, da Ferrari, terceiro colocado. Massa concordou: "100%. Temos um problema de segurança que precisa ser resolvido urgente".


Ao ser questionado sobre como era continuar correndo depois de um pneu dechapar a 250 km/h, já que voltou aos boxes, substituiu a roda danificada e regressou à competição, num circuito onde as velocidades passam dos 300 km/h, Massa comentou: "Esse é o meu trabalho, continuei acelerando tudo, mesmo caindo para a última colocação. Quanto à segurança, deixo nas mãos de Deus, ele sabe o que faz".


Apesar de a Pirelli distribuir em Silverstone os pneus mais duros de sua gama, os duros e os médios, eles dechaparam. Paul Hembery, diretor da empresa, disse neste domingo que não poderia dizer muito porque teria de investigar a causa, "uma novidade" para eles.


Hembery vem lembrando, com frequência, que solicitou para mudar os pneus atuais. Mas por ser necessário que todos os times concordem com a mudança e Lotus, Force India e Ferrari não concordaram, a Pirelli foi obrigado a prosseguir fornecendo os mesmos pneus que já haviam manifestado dificuldade semelhante.


Massa e Hamilton tiveram delaminação no GP de Bahrein e Paul Di Resta no da Espanha.


O presidente da FIA, Jean Todt, presente no GP da Grã-Bretanha, disse que o importante tema será discutido quarta-feira numa reunião com os representantes de todas as escuderias e o diretor da Pirelli. "Precisamos mudar a regra que exige que haja unanimidade entre as equipes para que o regulamento mude durante o campeonato. Bastaria a maioria concordar."


A Pirelli não forneceu pneus de outra construção, como desejava, por isso. "Desenvolvemos nossos pneus num carro de 2010, enquanto as exigências dos modelos atuais é muito maior. E não podemos testar com os modelos deste ano. Mostramos ser necessário rever os pneus, mas os times que melhor administram o seu consumo não concordaram, porque perderiam sua vantagem", comentou, indignado, em Montreal, para o Estado, Hembery.


Com a alteração proposta pelo presidente da FIA o regulamento deve mudar nos próximos dias e a Pirelli poderá distribuir novos pneus, construídos de forma distinta, para o GP da Hungria, dia 28, décimo do calendário. Para a próxima corrida não será possível em razão de ser já domingo, em Nurburgring, onde será disputado o GP da Alemanha. Ontem os mecânicos desmontavam tudo rapidamente para seguirem nos caminhões para a Alemanha.


Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, falou a esse respeito estar tranquilo quanto à segurança em Nurburgring: "É uma pista bem diferente da de Silverstone, submete os pneus a esforços bem menores". A Pirelli levará para o GP da Alemanha médios e macios.


O que ficou claro depois dos sustos de Silverstone foi a necessidade urgente de a Pirelli realizar testes com os carros atuais, levantar dados e então construir pneus mais resistentes às severas exigências dos modelos 2013. É uma questão de segurança.


Hamilton e Massa definiram suas perigosas experiências, no GP da Grã-Bretanha, como "inaceitáveis". A associação dos pilotos, GPDA, deve manifestar-se a esse respeito já amanhã e exigir que a Pirelli possa mudar os pneus. "O que estão esperando, que aconteça algo mais sério para rever essa situação?", afirmou Hamilton.

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Já Massa lembrou que se seu pneu tivesse dechapado na veloz curva Eau Rouge do circuito de Spa-Francorchamps, na Bélgica, por exemplo, "nem sei o que poderia acontecer". Diferentemente de Silverstone há pistas onde as áreas de escape de algumas curvas é muito pequena, como a Eau Rouge e várias do autódromo de Suzuka, no Japão. "Essas coisas não podem ocorrer nesses circuitos", afirmou Massa.


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