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Tóquio abre Paralimpíadas com recados sobre inclusão

Adalberto Leister Filho - Folhapress
23 ago 2021 às 10:02

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Divulgação

Com os mesmos protocolos de segurança sanitária utilizados nas Olimpíadas, os Jogos Paralímpicos de Tóquio-2020 serão abertos na terça-feira (24), na capital japonesa.


A cerimônia de abertura está marcada para as 8h (de Brasília) e terá transmissão do SporTV. A Globo apresentará um compacto às 11h30.

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Presente no estádio, o imperador Naruhito, 61, deve oficializar o início das competições que irão envolver cerca de 4.400 atletas em 22 modalidades. O evento, restrito a poucos convidados, também terá a presença do presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, que se ausentou da abertura dos Jogos na Rio-2016.


"Com os Jogos Olímpicos, Tóquio e o Japão mostraram ao mundo que um grande evento esportivo global pode ser realizado com segurança, dando um impulso moral muito necessário", afirmou o brasileiro Andrew Parsons, presidente do IPC (Comitê Paralímpico Internacional).


Os Jogos Paralímpicos, assim como as Olimpíadas de Tóquio, foram adiados em um ano por causa da pandemia do novo coronavírus. A decisão de realizá-los em 2021 veio acompanhada por um protocolo de segurança sanitária que funcionou bem durante os Jogos Olímpicos.


"Os Jogos [Olímpicos] provaram que os protocolos contra a Covid-19, que constituem a parte mais importante dos manuais, funcionaram. Isso nos dá confiança enquanto nos preparamos para os Jogos Paralímpicos", disse o dirigente.


No entanto, como resultado do aumento contínuo de casos no Japão desde o fim de junho, não haverá público em nenhuma arena de competição. Nas Olimpíadas, algumas provas, realizadas fora de Tóquio, tiveram liberação de torcida.


Com a expansão do estado de emergência na capital japonesa, todo o período dos Jogos Paralímpicos, que vão até 5 de setembro, terá restrições mais severas.


O IPC pediu a todos os participantes dos Jogos que sigam estritamente os manuais de segurança sanitária. O temor é que uma contaminação nas Paralimpíadas possa ser mais severa ao atleta, dependendo do seu grau de deficiência ou de alguma comorbidade.


Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro, 100% da delegação do país está vacinada. De acordo com o IPC, entre 88% e 90% dos competidores que participam das Paralimpíadas também já foram imunizados.


Para Parsons, os Jogos também servem para chamar a atenção do planeta para as pessoas com deficiência. "Elas foram afetadas de forma desproporcional pela pandemia em todo o mundo. Diferentes sociedades falharam em protegê-las.
Acreditamos que as pessoas com deficiência foram deixadas para trás. É por isso que esses Jogos não são apenas importantes, mas são necessários", destacou o dirigente.


No embalo do início das Paralimpíadas, o IPC, junto com outras organizações, lançou no último dia 19 a campanha WeThe15, para lembrar que existem 1,2 bilhão de pessoas com algum tipo de deficiência no planeta, o que representa cerca de 15% da população mundial.


"WeThe15 aspira ser o maior movimento de direitos humanos para pessoas com deficiência e visa colocar a deficiência no centro da agenda de inclusão, ao lado da etnia, gênero e orientação. Ao unir várias organizações internacionais e 1,2 bilhão de pessoas com deficiência em todo o mundo em um movimento comum, faremos uma diferença tangível e devida para o maior grupo marginalizado do planeta", afirmou Parsons.


No dia do lançamento, alguns pontos icônicos do mundo foram iluminados de roxo, cor associada ao movimento. Foi o caso do Empire State Building, das Cataratas do Niágara, o Coliseu, de Roma e a London Eye. Nenhum local do Brasil participou da ação.


Encabeçaram a iniciativa, além do IPC, outras entidades que desenvolvem esporte de inclusão, como é o caso de Special Olympics (para deficientes intelectuais), Invictus Games (para militares feridos em guerra) e Olimpíadas para Surdos. "Esses eventos esportivos agregam valor à campanha e destacam o impacto extremamente positivo que o esporte pode ter na sociedade", disse o dirigente, lembrando a visibilidade das Paralimpíadas.


As Paralimpíadas contam com a participação de 163 comitês nacionais, incluindo o Comitê Paralímpico Russo. A equipe russa, assim como aconteceu nas Olimpíadas, não irá competir sob sua bandeira e hino como punição por violar regras antidoping.


Como aconteceu nos Jogos do Rio-2016, haverá um time de refugiados, com seis atletas vindos de Síria, Afeganistão, Irã e Burundi. O nadador Abbas Karimi, que conseguiu asilo político nos Estados Unidos, é o único atleta de origem afegã nos Jogos. O Afeganistão teria dois representantes na competição: Zakia Khudadadi (taekwondo) e Hossain Rasouli (atletismo). Mas, com a tomada do poder pelo Talibã, os atletas não tiveram como viajar. Zakia iria se tornar a primeira mulher do Afeganistão a participar de uma edição das Paralimpíadas.


"Infelizmente, devido à comoção que ocorre no momento no Afeganistão, a equipe não conseguiu partir de Cabul a tempo", afirmou Arian Sadiqi, chefe de missão do Comitê Paralímpico Afegão, em entrevista à agência Reuters.


Por outro lado, Butão, Guiana, Paraguai, São Vicente e Granadinas e São Tomé e Príncipe irão estrear nos Jogos. Já as Ilhas Salomão fazem sua segunda participação no evento, após não competirem no Rio-2016.


O Brasil, por sua vez, terá delegação de 259 atletas, a maior já enviada para uma edição dos Jogos Paralímpicos no exterior. No Rio-2016, o time foi composto por 286 competidores. O objetivo do país é permanecer no top 10 do quadro geral de medalhas. Há cinco anos, o terminou na oitava posição, com 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes.


Os brasileiros competirão em 20 das 22 modalidades. As exceções são o basquete e o rúgbi em cadeira de rodas. O atletismo é o esporte em que haverá maior número de representantes: 64. O Brasil também terá competidores no badminton e no taekwondo, esportes que estreiam nos Jogos.


Já os anfitriões tentarão voltar ao lugar mais alto do pódio. No Rio-2016, o Japão saiu sem conquistar nenhum ouro. Foram dez pratas e 14 bronzes. Outro objetivo é dar visibilidade ao esporte paralímpico no país.

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"Espero que muitas crianças no Japão, independentemente de terem ou não deficiência, possam sentir as infinitas possibilidades da humanidade assistindo aos esportes paralímpicos", afirmou o mesa-tenista cadeirante Shingo Kunieda, um dos destaques da delegação, em entrevista à agência Kyodo News.


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