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Ricardo Chicarelli
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Acessibilidade? -O sofrimento de cada do dia dos cadeirantes

08 out 2017 às 19:59
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As dificuldades de locomoção em Londrina para quem é cadeirante não estão restritas às calçadas. O transporte também é motivo de preocupação para parte desta população. Mesmo o município dispondo de toda a frota de ônibus coletivo adaptada, muitas pessoas estão se deparando com a falta de acessibilidade. Nas últimas semanas, alguns casos repercutiram nas redes sociais, entre eles o de Ana Paula de Andrade, 32 anos. Moradora do Jardim Vista Bela, na zona norte da cidade, a estudante teve que desembarcar do ônibus que faz a linha 933 arrastando-se, já que o elevador não funcionou. A situação, segundo ela, não é novidade. "Eu preciso do transporte coletivo para tudo, como ir à escola, fisioterapia e passear. Porém, o que eu vivi acontece com frequência. Não é algo novo na minha realidade e nem na de quem anda de cadeira de rodas", lamenta.
Cadeirante desde que nasceu em razão de uma paralisia cerebral, a estudante passou por outros momentos constrangedores relacionados à locomoção no transporte público. "Quando não tinham os elevadores, eu precisava descer sozinha diariamente. Chegava a levar duas trocas de roupas, porque, ao contrário, iria para o lugar com a roupa suja por ter me arrastado no chão do ônibus", relembra. "Mas parece que estamos voltando no tempo", constata.
Eduardo Alves de Mattos, 17, é outro cadeirante que depende do transporte coletivo. Usuário constante de cinco linhas, ele relata que é difícil encontrar um veículo sem nenhum problema de acessibilidade. "Preciso do ônibus para estudar, ir à fisioterapia, casas de amigos e parentes. Então, o que cobramos é uma estrutura melhor, porque eu levo uma vida mesmo estando na cadeira de rodas". (Pedro Marconi/Grupo Folha)

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CONSCIENTIZAÇÃO
Além dos incômodos, os problemas têm trazido outros transtornos aos cadeirantes. "Quando o ônibus está com o elevador com quebrado, o motorista fala para esperar o próximo. Mas tem dia que não dá para esperar", denúncia Mattos. "Estou cansada de ouvir para aguardar o outro veículo. Só como exemplo de como isso atinge nosso dia a dia, estou chegando sempre atrasada na escola por esse motivo", reclama Andrade.
Se não bastasse os veículos, a ausência de conscientização da população é apontado como um desafio. Eles afirmam que é comum passageiros se nagarem a deixar o local reservado para deficientes. Existem aqueles que reclamam pela demora do ônibus parado para que possam embarcar ou desembarcar. Enquanto aguardam o transporte, ainda são obrigados a ficar na rua em alguns pontos, já que as calçadas não contam com rampa de acesso. (P.M.)

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REPRESENTATIVIDADE
A falta de representatividade da população cadeirante vem sendo um empecilho na busca de proposições para o transporte em Londrina. O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que possui uma comissão que discute sobre acessibilidade, está inativo. O motivo é a falta de representantes da sociedade civil para compor o grupo. De 12 vagas, apenas três estão ocupadas.
Para a presidente do conselho, Solange Maria Ferreira, isso acaba reforçando a ideia de que o avanço obtido até o momento é suficiente. "Precisávamos da criação de uma comissão com vários órgãos municipais e usuários, para poder pensar em outras formas de acessibilidade. Muitos confundem o direito da gratuidade que o cadeirante possui com questão de se ter um transporte acessível", pondera. (P.M.)

CMTU tem média de duas reclamações por mês
Responsável pela fiscalização do transporte em Londrina, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) informou que a média de reclamações sobre problemas relacionados a acessibilidade nos ônibus é de duas por mês. De acordo com o gerente de Transportes da companhia, Wilson de Jesus, a quantidade é considerada baixa frente aos 419 veículos que transitam diariamente por toda a cidade.
"Os veículos são suscetíveis a problemas e por isso é um número pequeno. Além disso, muitos defeitos, quando aparecem, são desencadeados por atos de vandalismo. Se existem mais situações que os cadeirantes estão encontrando, não estão chegando até nós", defendeu. Ele ainda afirmou que existem equipes que ficam espalhadas pelas linhas na zona urbana e rural, avaliando o funcionamento dos carros.
Jesus frisou que os funcionários do transporte são orientados sobre os protocolos existentes quando o elevador para cadeirantes quebra. "Primeiro é preciso notificar a empresa para a troca do veículo. Posteriormente, ele pode ajudar o cadeirante, desde que este aceite a colaboração para descer ou subir". (P.M.)


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