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EM PÉ, SENTADO OU DEITADO - Espera no PAI é dramática

- Paulo Monteiro
Paulo Monteiro
NOSSODIA
10 mar 2016 às 09:26
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Se já não bastasse passar 40 minutos dentro do ônibus, do Jardim União da Vitória, na zona sul de Londrina, até o Centro, e com a filha de 10 meses nos braços, a dona de casa Bruna Aparecida Ribeiro ainda teve de esperar por várias horas o atendimento no Pronto Atendimento Infantil (PAI). Desde o início da semana, o espaço tem elevada demanda de pacientes. Na última quarta, além da demora, os pais enfrentavam uma sala de espera quente, escura e com infiltrações. Algumas pessoas optaram em aguardar no lado de fora.
É o caso de Bruna. Após a filhinha passar pela triagem, a dona de casa esperava sentada no meio fio. A criança, que sofria com tosse e dificuldade respiratória, mamava deitada na grama. "Prefiro ficar aqui do que esperar lá dentro. É muito quente, escuro e cheio. Acho aqui mais fresco. Não adianta ficar esperando lá dentro, sei que vai demorar mesmo", disse ela. Bruna contou que chegou ao PAI por volta das 13 horas. Até as 17, ela não fazia ideia de quando retornaria ao União da Vitória. "O negócio é esperar. Tem gente aqui que esperou por até 8 horas", acrescentou.
Em pé desde as 12 horas, visivelmente cansada, a dona de casa Letícia Eleutério aguardava ser atendida com o filho de oito meses. O bebê estaria com infecção urinária. "Na recepção, falaram que o tempo de espera era de três a quatro horas. Mas já vou completar cinco aqui, sem previsão de atendimento", contou a moradora do Jardim Califórnia, zona leste. Além da demora, os pais reclamam que o Pronto Atendimento não possui um local adequado para aguardarem confortavelmente. "O pior é que nem eu, nem o bebê dormimos durante a noite. Ele chorou muito por causa das dores e estamos muito cansados, debaixo desse sol."

Secretaria de Saúde
O secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, disse que a mudança climática colaborou com a disseminação de doenças respiratórias. Consequentemente, aumentou a demanda de pacientes no PAI. "O volume se intensificou a partir de domingo. Estou acompanhando a situação, que é relativa à estação do ano. Saindo de uma época mais quente para uma de temperatura mais amena, quando aumenta a procura de crianças com problemas respiratórios. Além das suspeitas de crianças com dengue", explicou. "Até a semana passada, por exemplo, a média de atendimentos era de 200 a 250 crianças ao dia. Desde domingo, esse número subiu para 350. Cada atendimento exige a realização de exames, reidratação, entre outros procedimentos. Tudo isso exige um bom tempo até a liberação do paciente", salientou o secretário. Martin adianta que a chegada de novos médicos deve tranquilizar a situação no PAI. "Há um concurso público em andamento. Esperamos concluir as etapas até o próxima dia 15. Há nove vagas para plantonistas pediatras, devem assumir pelo menos oito. Hoje há de três a cinco médicos atendendo lá, em turnos de 12 horas", concluiu ele. (P.M.)

Perdeu o dia de trabalho
Por volta das 12 horas de quarta, o eletricista Reinaldo Aparecido deixou o Residencial Alto da Boa, região norte, junto à esposa, e se deslocou até o Centro buscando uma solução para a dor de garganta do filhinho. Por volta das 17 horas, ele ainda aguardava a conclusão do atendimento no PAI. "A triagem aqui é rápida. Mas depois ficamos esperando muitas horas. Estou aguardando o resultado dos exames e os medicamentos do meu filho", disse o trabalhador.
Para que o filho recebesse atendimento no PAI, Aparecido teve de perder o dia de trabalho. "Não tem jeito. Quando meu filho fica doente, tenho a consciência da demora e que vou perder o dia de serviço", lamentou ele. (P.M.)


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