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- Walkiria Vieira
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No Jardim do Sol - Doente de raiva

Walkiria Vieira
NOSSODIA
03 mar 2016 às 09:48
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Enquanto falta cadeira para sentar e aguardar pelo atendimento, sobram queixas de pacientes e acompanhantes. Segundo leitores do NOSSODIA, por dois dias seguidos, essa foi a rotina na Unidade de Pronto Atendimento 24 horas (UPA), localizada no Jardim do Sol, zona oeste de Londrina. O relato de usuários se repete: demora no tempo de espera e falta de informação são as mais comuns. "Pra completar, os guardas municipais intimidam a gente o tempo todo. Fui perguntar sobre meu resultado de exame e um deles falou que se eu levantasse mais uma vez iria me autuar por desacato. Isso é muito desgastante. Até porque, ontem (terça) eu vim e estava um caos. Mandaram eu voltar hoje (quarta), cheguei às 6h20, já são quase três da tarde e só agilizaram agora porque viram o carro do jornal."
Visivelmente cansada, a paciente que preferiu não se identificar tem sua fala complementada pela dona de casa Andreia Macedo, não menos infeliz com o tratamento dado a seu marido. "É verdade. Agora que vocês chegaram o atendimento foi seguidinho, um atrás do outro. Meu marido sofreu um acidente de moto às 7 horas da manhã. Só pra começar, o médico aqui da UPA recusou atendimento e o Siate precisou bater boca, até que atenderam enquanto ele gemia de tanta dor." Perto das 15 horas, o marido de Andreia ia receber alta. "Quando foram dar ponto no ferimento, viram que a mão estava com uma fratura. Agora vai fazer raio-X", disse. "E quanto mais tempo a gente fica aqui, mais coisa errada vê. Já teve até extravio de exame e a mulher precisou colher de novo após horas de espera pelo resultado." A dona de casa Helena Issa, 42 anos, relata que na semana passada o filho desistiu de esperar. "Ele ficou dez horas na espera. Quando deu meia-noite e com medo de não ter ônibus, foi embora. Hoje (quarta) eu aguardei sete horas. Tô com o pulmão cheio, não consegui dormir à noite e a gente fica sem entender porque demoram tanto", questiona.

"Deus me livre"
A cuidadora de idosos Maria Aparecida, 54 anos, resume em poucas palavras seu sentimento, após seis horas - contando espera e atendimento. "Deus me livre. Eu me sinto humilhada, não tem nem água para tomar. As duas aqui, até essa hora, assim." Aparecida cuida de uma senhora de 84 anos, portadora de Alzheimer. "Ela tem o coração inchado, fez exame de urina e de sangue", relata. O autônomo Rogério Queiroz, 45 anos, aguarda o atendimento da sogra. "Ela caiu na semana passada, colocaram uma tala e hoje (quarta) veio engessar, mas a parte de ortopedia está com bastante gente". Sem previsão de sair da unidade de atendimento, o autônomo investe na leitura. "Trouxe um livro e já estou quase acabando", diz. A moradora do conjunto João Paz, Nelcídia Aparecida da Silva Martins, 49 anos, considera que há muito para melhorar na UPA do Jardim do Sol. "Fui atendida agora porque descobriram que vocês chegaram. Tô aqui desde às 9 horas e um pouco mais cedo minha filha tomou as dores e armou uma barraco porque uma senhora estava passando muito mal e ninguém atendia. É um descaso", ressente-se. Moradora da Vila Casoni, Elaine Matielli, 52 anos, aguarda o atendimento do filho de 17 anos. "Na Casoni não tinha médico, mandaram pra cá e meu filho não dormiu com tanta dor de garganta e febre. Falaram que são só dois médicos. Na hora do almoço não teve atendimento, tá cheio de gente lá fora. Isso aqui é uma vergonha. Não tem médico, não tem remédio", reclama. (W.V.)


Guardas Municipais para proteger
Sobre a atuação dos guardas municipais e a suposta tentativa deles de proibir que acompanhantes ocupem assentos, o diretor da Guarda Municipal, Osmar dos Santos, afirmou que não é função da guarda fazer controle de assento. "Até porque não faz sentido o acompanhante ficar de pé. A Guarda está presente para prestar segurança ao munícipe, aos servidores e ao patrimônio. Quando interpelado por popular, é orientado a encaminhá-lo a um servidor de saúde, o qual dará uma informação fidedigna", explica. Santos informou que nunca chegou a ele uma informação nesse sentido. "Temos nossa Corregedoria e Ouvidoria e estamos prontos para apurar se houver qualquer irregularidade", informou. Os telefones são: 3337-9291 e 3372-4661." (W.V.)

Secretário de Saúde admite dificuldades
Em atendimento à reportagem do NOSSODIA, o secretário de Saúde Gilberto Martin reconheceu o problema. "Tem acontecido com mais intensidade lá, onde há picos com longas horas de espera e nosso objetivo é regulamentar o máximo de atendimento e cobertura dos pacientes. Fizemos um atendimento de ordem administrativa, mas de tempos em tempos estamos com problema, principalmente de espera. Geralmente as pessoas com ficha verde são o maior problema. São pacientes que não passaram por posto, ou que não conseguiram atendimento por falta de médico. Entre espera e resultado de exame são quatro horas de espera e o resultado é importante para completar o atendimento", afirma. Desde que assumi, melhoramos. Mas recebemos reclamações via Facebook, Ouvidoria e imprensa. É importante sermos cobrados, porque os problemas devem ser enfrentados e solucionados", disse. (W.V.)


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