Uma onça-parda que corria risco de morte foi devolvida à natureza na Reserva do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), após passar por meses de reabilitação. O felino recebeu cuidados intensivos no HV (Hospital Veterinário) da UniFil, em Londrina, por meio do CAFS (Centro de Apoio à Fauna Silvestre), único órgão credenciado pelo Governo do Estado no Norte do Paraná.
A médica veterinária Daniela Martina, coordenadora do HV e do CAFS, relembrou a situação crítica do felino ao ser acolhido na instituição. “Quando ela chegou, com aproximadamente cinco meses, estava extremamente caquética, muito magra, caída e não conseguia ficar de pé. O animal estava desnutrido e anêmico, além de apresentar uma ferida lacerante muito extensa no membro dianteiro direito, com exposição óssea, uma infecção grave e bastante necrose. Ela corria o risco de perder o membro”, relatou.
Para evitar a amputação e salvar a vida do filhote, a equipe adotou uma rotina rigorosa de cuidados médicos. “Foi feito um tratamento muito intensivo nesse animal. Ela ficou 24 horas monitorada, com alimentação e curativos. Foi um tratamento bastante intensivo durante os dois meses em que permaneceu aqui. Assim que chegou, fizemos exames de sangue, ultrassom, raio-X e os curativos. Já começamos o tratamento para tentar recuperar esse animal”, explicou Martina.
Preservação do instinto selvagem e reabilitação
Além da recuperação física, o protocolo médico focou em evitar a habituação do animal com seres humanos, garantindo que ele mantivesse as condições de sobrevivência na vida adulta. “Nós tentamos manter o máximo de distância desse animal, evitando a aproximação e que ela nos visse. Ela ficou extremamente isolada, em uma quarentena, porque nosso objetivo era preservar todas as características selvagens dela para que pudesse voltar à natureza”, destacou a coordenadora.
A dedicação dos profissionais resultou na cura completa da lesão e no ganho de peso ideal. “Hoje é com muita alegria que estamos nas horas finais dela aqui na instituição. Esse animal recuperou o peso e conseguimos fechar a ferida. Ela manteve os hábitos e as características selvagens. Todo o trabalho foi feito para preservar essas características e permitir que ela volte à natureza”, comemorou a veterinária antes do transporte do felino até o estado paulista.
A onça-parda havia sido resgatada originalmente em Paranavaí (Noroeste) e levada para atendimento em Maringá (Noroeste), onde não recebeu os primeiros socorros nas primeiras 24 horas. A situação foi revertida após a intervenção do IAT (Instituto Água e Terra) de Maringá, que encaminhou o felino a Londrina para o tratamento especializado.
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