A queda de cabelo mexe diretamente com a autoestima das pessoas e pode ocorrer devido a diversas causas. Recentemente, estudos publicados em revistas científicas como a JAAD International e Cureus, mostram que entre 3% e 6% dos usuários podem apresentar queda capilar durante o tratamento com canetas emagrecedoras (Mounjaro e Ozempic).
A queda capilar pode estar associada à redução drástica do apetite que pode levar à menor ingestão de proteínas e deficiências de ferro (ferritina), zinco e vitamina D, elementos imprescindíveis para o crescimento capilar. Quando o corpo enfrenta uma perda de peso rápida, especialmente acima de 15% a 20% do peso corporal em poucos meses, ele entra em modo de preservação.
De acordo com a médica dermatologista e tricologista Flávia Gorini, essa perda abrupta de uma grande quantidade de cabelo começa entre três e quatro meses após o início do emagrecimento ou após uma perda de peso mais significativa, podendo se estender por até seis meses.
“O cabelo é um dos tecidos que mais demandam energia e nutrientes para se manter em crescimento constante, mas de baixa prioridade para a sobrevivência. Como consequência, muitos fios entram precocemente na fase de queda, um quadro conhecido como eflúvio telógeno, que provoca a perda abrupta de uma grande quantidade de cabelos, mas que com o diagnóstico correto, tem possível reversão”, revela a médica.
O eflúvio telógeno clássico é uma queda temporária: o fio cai antes do tempo, mas o ciclo se normaliza assim que o organismo se estabiliza. Com as canetas, porém, se observa um comportamento diferente: quedas mais intensas, mais persistentes e afinamento dos fios, com menor capacidade de recuperação de volume após o emagrecimento.
Em pacientes com predisposição à Alopecia Androgenética, o estresse metabólico das canetas pode acionar ou antecipar o quadro. Em quem já tem a doença em evolução, o efeito é de piora, muitas vezes acelerada. Mas há ainda um terceiro padrão que a medicina acompanha com atenção: um afinamento difuso dos fios, com perda de textura, brilho e volume, que não segue o padrão clássico da calvície hereditária.
“A verdade é que ainda está em estudo o que exatamente a medicação provoca no folículo e na haste capilar. O que se sabe é que as mudanças são severas, e a ciência ainda está se debruçando sobre elas. Por isso, quando a queda persiste ou vem acompanhada de afinamento, a investigação médica deixa de ser opcional”, reforça dra. Flávia.
É possível evitar essa queda capilar?
Segundo a médica, quem vai iniciar o uso das canetas e tem histórico de queda capilar deve procurar um Dermatologista Tricologista. Uma avaliação personalizada pode identificar predisposições, corrigir deficiências nutricionais silenciosas e fortalecer os folículos com antecedência. Essa preparação prévia pode reduzir significativamente, e em alguns casos inibir, a queda capilar durante o processo de emagrecimento.
“Somente após investigação personalizada é possível traçar o melhor plano de tratamento caso a caso. As canetas emagrecedoras são ferramentas extraordinárias, mas o emagrecimento bem-sucedido é aquele que preserva não só a saúde metabólica, mas também a autoestima que vem com um cabelo saudável”, explica a Flávia Gorini.
Há diversas opções de tratamento, em alguns casos, a correção nutricional aliada à redução da inflamação no couro cabeludo e ao estímulo da restauração do ciclo capilar, podem ser suficientes. Quando há calvície androgenética ou outras condições associadas, pode ser necessário o uso de medicamentos orais e tópicos e, em casos extensos e persistentes de queda capilar, podem ser associados procedimentos como laser, radiofrequência microagulhada, microinfusão de medicamentos no couro cabeludo e terapias regenerativas.