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Geriatra alerta para complicações do coronavírus em idosos e doentes crônicos

Evitar o contato dos idosos com grande número de pessoas é a melhor alternativa para proteger este grupo do novo coronavírus, nesse momento em que as autoridades de saúde esperam grande explosão de casos no Brasil. O alerta é do médico geriatra, Marcos Cabrera, professor do Departamento de Clínica Médica do CCS (Centro de Ciências da Saúde) da UEL (Universidade Estadual de Londrina). Ele explica que idosos e pessoas com doenças crônicas são mais vulneráveis à doença, que pode evoluir para um quadro sistemático no pulmão, reduzindo a oxigenação do paciente.

Nessas condições o paciente só será mantido vivo por ventilação mecânica, por meio de aparelhos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A experiência dos países acometidos pelo chamado Covid-19 demonstrou que pacientes idosos internados demandam tratamento de até 20 dias, com grande repercussão nos serviços de saúde. "Essa é a grande questão. Ninguém tem imunidade contra o coronavírus. Estamos todos suscetíveis", acentua o geriatra. Embora os idosos estejam entre os mais vulneráveis, Marcos Cabrera afirma que o isolamento social serve para todo mundo. Segundo ele, o idoso atende bem à recomendação, enquanto os mais jovens são mais resistentes.


"Estamos preconizando isolamento social para evitar o crescimento da epidemia, para conter a doença nesse momento. Estamos falando de situação emergencial com prognóstico de início e fim", afirmou ele. A seguir a entrevista com o geriatra Marcos Cabrera.

Agência UEL - Por que o coronavírus tem taxa de mortalidade maior no idoso (se fala em até 15%), contra até 3% na pessoa jovem?

Marcos Cabrera - Qualquer complicação de saúde tem taxa de mortalidade maior nos idosos. Depressão, infarto, neoplasia, que é o câncer. O idoso é mais vulnerável porque apresenta menor condição de saúde. Por exemplo, a função renal dele é em torno de 40%. De modo geral, o idoso dá conta de ter uma vida normal. Trabalhar, ir a um baile se divertir, dançar. Mas ele não dá conta na hora receber um soro em uma UTI, receber medicamentos em grande quantidade. O que acontece é que o idoso tem uma condição funcional limítrofe, então tudo que ele tiver de dar a mais ele não consegue.

Agência UEL - Esta condição de vulnerabilidade é exclusiva ao idoso?

Marcos Cabrera - A gente inclui neste grupo os indivíduos com doenças crônicas. Há pessoas não idosas, a partir dos 50, 55 anos, mas é fumante e têm, por exemplo, doença pulmonar. Pessoas nesta faixa etária, que estão passando por tratamento de quimioterapia e estão com imunidade mais baixa. Indivíduos com função renal diminuída. Por outro lado, existe o idoso de 70 anos e que tem condição de saúde excepcional.

Agência UEL - Idoso é a partir de que idade?

Marcos Cabrera - Em países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, é em torno de 60 anos. Para as nações desenvolvidas, o limite aumenta a partir dos 65 anos.

Agência UEL - Por que uma simples gripe é tão letal para o idoso?

Marcos Cabrera - Estamos falando de um quadro de síndrome gripal de vias respiratórias, que pode atingir nariz, garganta e ouvido. Como é via respiratória pode chega a órgãos como por exemplo a traqueia e o pulmão. Por isso que a imprensa está falando tanto que o diferencial é a falta de ar, quando atinge o pulmão, que é o momento em que as pessoas acometidas devem procurar os serviços de saúde. Isso ocorre também com a gripe Influenza, que estamos mais acostumados. Ela atinge o pulmão, provoca um quadro de pneumonia viral. O mesmo acontece com o coronavírus, um quadro sistemático no pulmão que faz com que a oxigenação diminua. Nesse caso, o paciente só será mantido vivo por ventilação mecânica, com aparelhos em UTI. A experiência dos países acometidos pelo Covid-19 demonstrou que nesses casos o tratamento demanda até 20 dias. Veja que estamos falando de um problema que repercute nos serviços de saúde. Essa é a grande questão. Ninguém tem imunidade contra o coronavírus. Estamos todos suscetíveis.

Agência UEL - Então a recomendação é manter o idoso em casa. Em qual situação se deve levá-lo ao serviço de saúde?

Marcos Cabrera - O isolamento social serve para todo mundo, criança, jovem adulto e o idoso. Ninguém deve se aglomerar no shopping ou na rua. O idoso atende bem a esta recomendação, mas os mais jovens não. O serviço médico deve ser procurado quando há um quadro gripal. Se há um quadro de tosse, dor de garganta e febre não persistente, sem falta de ar, devemos continuar em casa, tratando como uma gripe. Pode ser até coronavírus, isto faz pouca diferença. Agora, se a pessoa, o idoso, apresenta falta de ar, dificuldade para se alimentar, que é muito comum na terceira idade, onde a pessoa fica "amoada", e se isola. Nesse caso a recomendação é procurar o serviço de saúde. Talvez essa pessoa necessite de exames, medicamento intravenoso e muitas vezes oxigenação. Se não for suficiente com máscara, por meio de ventilação mecânica.

Agência UEL - O caso de isolar o idoso não vai afetar o seu psicológico? Como equilibrar isso?

Marcos Cabrera - Nós estamos preconizando isolamento social para evitar o crescimento da epidemia. Esse comportamento é extremamente importante para conter a doença nesse momento. O idoso isolado fica muito mais doente. Mas estamos falando de situação emergencial, com prognóstico de início e fim. Precisamos de remédio amargo, que é o isolamento, e realmente isso não faz bem. Pode provocar depressão, gerar sentimentos negativos, mas neste momento não há outra alternativa. Menos mal que a tecnologia proporciona alternativas para contatar o idoso com a família via celular, computador. É possível um mínimo de interação social sem contato físico direto. As famílias vão ter de ter sensibilidade para encontrar o melhor caminho para manter esse vínculo sócio afetivo, sem contato físico.

Agência UEL - É possível para atenuar este contato físico e a contaminação?

Marcos Cabrera - Se ocorrer um contato físico, temos de entender que o grande veículo é a mão. O vírus vai permanecer na boca, na orofaringe e vai sair por gotículas. Se eu mantiver uma distância mínima, dificilmente vai acontecer a contaminação. Lavar as mãos, evitar colocá-las na boca já vai ajudar bastante.

Agência UEL - Qual é a recomendação para as pessoas que vão lidar com esse idoso?

Marcos Cabrera - Primeiro, lavar a mão sempre. Ficar atento com as visitas e até os entregadores. O vírus pode permanecer vivo por dias. É preciso ter preocupação de fazer a assepsia, a limpeza nos móveis, objetos. E tem ainda o idoso que está em uma instituição de longa permanência. Nesse caso, o vírus não está lá, mas pode chegar por meio dos funcionários, visitantes. Nesse momento é hora de diminuir as visitas, o ideal, inclusive é não visitar. Melhor enviar um recado, uma carta.

Agência UEL - Existe um pânico na sociedade. Quando vai terminar esta crise de suspensão de aulas, de recomendação para se evitar reuniões e aglomerações de pessoas?

Marcos Cabrera - O pânico não é desproporcional à gravidade do problema se formos analisar o problema e a extensão da doença na China, Irã e Itália. Agora está chegando à Espanha e à França. Nem todos os países sofreram da mesma maneira. Nós temos uma chance porque o Brasil, com todos os problemas, começou a se organizar previamente. Observe que até os Estados Unidos foram pegos de surpresa. Há um outro fator que é o clima, que não favorece infecções virais. Se a gente conseguir vencer esta onda de contaminação até a chegada do inverno, nós teremos uma grande vantagem frente a outros países o que não quer dizer que vamos ficar livres do coronavírus. Certamente teremos um pico de constatação de casos dentro de 40 dias. Precisamos ter foco para não desorganizar o sistema de saúde. É muito importante lembrar que 40% dos profissionais de saúde que vão trabalhar diretamente com os pacientes vão se infectar. Na prática vamos perder este percentual da força de trabalho - enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, atendentes - por conta desta infecção com repercussão no sistema e que vai respingar em toda a sociedade.
Agência UEL
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