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Medidas Preventivas

Covid reduz em 15% uso de antibióticos na Europa, mas resistência preocupa

Ana Estela de Sousa Pinto - Folhapress
18 nov 2021 às 10:34
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O uso de antibióticos caiu mais de 15% entre 2019 e 2020 -durante a pandemia de coronavírus na Europa, mostram dados recém-divulgados pelo ECDC (centro europeu para controle de doenças).

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Apesar disso, os níveis de resistência antimicrobiana permanecem altos para várias combinações importantes de espécies bacterianas e substâncias antimicrobianas, principalmente em países do sul e do leste do continente.

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Segundo o ECDC, mais de 670 mil infecções devidas à resistência bacteriana ocorrem por ano nos 30 países acompanhados pelo órgão, e cerca de 33 mil pessoas morrem por causa delas. O número é comparável aos da gripe, tuberculose e Aids combinados.


"Vidas se perdem porque os remédios não funcionam mais e precisamos intensificar a ação global com urgência", afirmou a comissária responsável por saúde na União Europeia, Stella Kyriakides.


Segundo ela, para combater a resistência aos medicamentos, o bloco europeu endureceu a legislação sobre medicamentos veterinários e alimentos medicamentosos.

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Andrea Ammon, diretora do ECDC, afirma que também é preciso melhorar a prevenção e o controle de infecções em hospitais e outros ambientes médicos.


"No setor de atenção primária, muitas infecções podem ser prevenidas por meio de vacinação, etiqueta respiratória, distanciamento físico e higiene das mãos, o que reduz a necessidade de uso de antibióticos", disse ela.


De acordo com o ECDC, as medidas preventivas para evitar o contágio pelo Sars-Cov-2 também reduziram a incidência de outras infecções do trato respiratório na Europa em 2020, o que mostra a eficácia desses métodos, por um lado, e explica parte da redução no consumo dos remédios.


Hans Kluge, diretor para a Europa da OMS (Organização Mundial da Saúde), disse que um problema adicional é que, principalmente no leste do continente, a venda desses fármacos sem receita médica nem controle ainda é disseminada.


"Esses antibióticos disponíveis são frequentemente os associados com maior risco de desenvolver resistência. A Covid está nos forçando a lutar contra várias ameaças à saúde, e a resistência é uma das mais graves", afirmou Kluge.


De acordo com o ECDC, eram resistentes a pelo menos um grupo antimicrobiano mais da metade das amostras relatadas de Escherichia coli, uma das mais frequentes causas no mundo de infecções intestinais e urinárias.


No caso da Klebsiella pneumoniae, que pode causar pneumonia, infecções sanguíneas, urinárias e pós-operatórias, a resistência foi encontrada em um terço das amostras. A resistência combinada a vários grupos antimicrobianos foi frequente, afirma o relatório.


Espécies como Pseudomonas aeruginosa, uma das principais causadoras de infecções hospitalares, e Acinetobacter, que atinge pulmão, trato urinário, pele e tecidos moles, mostraram resistência comum ao Carbapenen, um antibiótico de espectro amplo.


A porcentagem de isolados de Enterococcus faecium (que pode causar meningite neonatal) resistentes à Vancomicina (fármaco de última linha) saltou de 11,6%, em 2016, para 16,8% em 2020.


Esses patógenos podem persistir no ambiente de saúde e são difíceis de erradicar depois de estabelecidos.

Segundo o ECDC, a resistência a antibióticos como a Vancomicina e os carbapenêmicos é preocupante, porque, quando eles não são mais eficazes, as opções de tratamento ficam muito limitadas e podem não funcionar, levando à morte.


A resistência a esses medicamentos de última linha também compromete a eficácia de tratamento de câncer e de transplantes de órgãos.

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