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Alimentos com mais calorias podem ser viciantes

Redação Bonde / Assessoria de Imprensa
04 mar 2015 às 08:23

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O conceito da dependência alimentar ainda é visto como controverso por pesquisadores, mas existem, evidências crescentes de que alimentos altamente processados e com alto teor de gordura e açúcar, como pizzas, chocolates, batatas chips e cookies, são extremamente problemáticos na vida das pessoas.

No estudo mais recente publicado sobre o assunto, a Dra. Nicole Avena, da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, constata que os comportamentos e atitudes que cercam alguns tipos de comida correspondem estreitamente a padrões de dependência.


O trabalho, publicado recentemente no periódico PLOS One, contribui para a próxima geração de tratamentos contra obesidade e transtornos alimentares.


O estudo envolveu 504 participantes, foi pedido que identificassem os alimentos que parecem lhes causar mais problemas.


Para definir os alimentos "problemáticos", foi os participantes foram incentivados a usar a Escala Yale de Dependência de Alimentos, na qual os mesmos precisam contar o número de vezes em que concordaram com frases como "como até me sentir fisicamente mal" ou "passo muito tempo me sentindo cansado ou apático por comer demais", para ajudá-los a identificar os alimentos que causam mais dificuldade.


Em seguida, traçou se a média das pontuações de diferentes tipos de alimentos e criou um ranking dos alimentos em termos de mais a menos problemático, no que diz respeito a comportamentos que sugerem dependência.


Os alimentos que provocam mais aflição mental e desconforto físico são alimentos altamente processados e ricos em gorduras e açúcares acrescentados.


De modo geral, também possuem os índices glicêmicos mais altos – uma medida da rapidez com que um alimento eleva o índice de açúcar no sangue da pessoa que o consome. Segundo Avena, tudo isso não é coincidência.


"Vários estudos sugerem realmente que alimentos altamente palatáveis e altamente processados podem gerar comportamentos e modificações cerebrais que usaríamos para diagnosticar uma dependência, como a de drogas ou álcool", disse a cientista.


Pesquisadores como Avena ainda têm um longo caminho a percorrer para poder provar que certos tipos de alimentos podem ser substâncias causadoras de dependência, que prejudicam o cérebro humano e provocam mudanças nele.


A dependência alimentar não é reconhecida oficialmente; o que mais se aproxima dela no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) é o transtorno da compulsão alimentar periódica.


Mas Avena, que estuda a dependência alimentar há mais de 15 anos, diz que seu estudo é o primeiro estudo clínico a avaliar a ligação entre como as pessoas consomem certos alimentos e as propriedades desses alimentos – se eles contém gordura ou açúcar adicionado ou são altamente processados.


Ela espera que sua descoberta possa um dia ajudar obesos que lutam para ficar em forma a reformular o modo como enxergam a perda de peso.


"Isto pode ajudar a mudar o modo como encaramos o tratamento da obesidade", disse Avena em declaração sobre seu estudo.


"Pode não ser uma simples questão de ‘reduzir’ determinados alimentos, mas de adotar métodos usados para combater o tabagismo, o alcoolismo e o consumo de drogas."


Por enquanto, embora os resultados obtidos por Avena possam ser vistos como pouco interessantes por comedores compulsivos (alguém já ouviu falar de pessoas que devoram acelga de modo incontrolável?), ela os enxerga como um primeiro passo importante no reconhecimento de que apenas certos alimentos estão ligados ao comportamento alimentar viciante.

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"Se uma pessoa sente que é viciada em comida, não existe diagnóstico que um médico possa lhe fazer. Este estudo ajuda a fazer a literatura científica avançar, para que possamos ajudar pessoas com transtornos alimentares semelhantes à dependência."


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