Em pesquisa sobre avaliação das farmácias realizada pela PROTESTE Associação de Consumidores, 80% dos entrevistados apontaram que gostariam de comprar medicamentos na quantidade exata para o tratamento prescrito.
O fracionamento está autorizado desde 2010, mas não teve adesão de laboratórios, farmácias e médicos. E a população desconhece que tem esse direito. A PROTESTE, juntamente com entidades parceiras, tenta se mobilizar para a retomada do debate, a fim de pressionar a aprovação do Projeto de Lei nº 7.029, de 2006. Só a pressão da sociedade organizada e a conscientização farão o fracionamento sair do papel e virar prática na sociedade.
Mais da metade afirmou ter visitado uma farmácia, nos últimos 12 meses, sem a presença evidente do farmacêutico. E 45% não saberiam afirmar se havia ou não um profissional na unidade. Uniformes semelhantes aos dos balconistas podem confundir o consumidor.
Entre as experiências ruins indicadas pelos participantes foram destacadas: ter de ir embora da farmácia porque não havia o medicamento (72%) e não adquirir o remédio por conta do alto valor (45%). A pesquisa também revelou, apesar da pouca incidência, que é possível comprar medicamentos controlados nas farmácias brasileiras sem receita médica, fato que foi afirmado por 3% dos entrevistados.
O que mais desagrada: 62% acham caro o preço dos produtos que não são medicamentos e 59% acham os remédios muito caros; 61% não estão satisfeitos com o serviço prestado pelos farmacêuticos. E 56% ficam insatisfeitos com as informações sobre fármacos sem receita.
Pouco mais da metade dos participantes vai à farmácia ao menos uma vez por mês, sendo que 36% dos entrevistados fazem isso em busca de serviços médicos, como medir a pressão e o peso.
Chama atenção no estudo a expectativa do consumidor em relação ao farmacêutico. Embora 77% dos entrevistados considerem que o foco desses profissionais é oferecer cuidados de saúde ao cliente, ainda esperam que eles orientem a respeito do uso de medicamentos, sua ação e indicação, proponham tratamento para problemas de saúde (como prisão de ventre, azia e dor de cabeça) e sugiram um remédio equivalente ao indicado pelo médico.
Outros 31%, durante o atendimento, sentiram que o farmacêutico estava muito ocupado para lhes dar atenção. E 53% gostariam que esse profissional fosse mais espontâneo na hora de passar informações. Esses desejos dos entrevistados não estão longe das atribuições clínicas do farmacêutico.
O farmacêutico deve contribuir para que o paciente utilize os medicamentos nas doses, vias de administração e duração adequadas e de forma segura. Assim, terá condições de realizar o tratamento conforme recomendado pelo médico.
Mais da metade dos respondentes (55%) queriam mais privacidade, com espaço exclusivo para a conversa entre farmacêutico e cliente. Já outros 53% acham que esse espaço deveria ser uma sala reservada.