De cada 4 pessoas que morreram em decorrência da Covid no mundo nesta semana, 1 estava no Brasil. Embora o país tenha somente 2,7% da população mundial, a rápida escalada de óbitos, que emendou seu 20º recorde seguido na média diária desta quinta-feira (18), fez com que respondêssemos por 23% das mortes de Covid no planeta.
O país registrou nas últimas 24 horas 2.639 mortes, o terceiro maior montante da pandemia. Também foram registrados 87.169 casos, o segundo maior valor da pandemia. O recorde de infecções ocorreu na quarta, 90.830.
O Brasil, assim, chega a 287.795 mortes e a 11.787.600 infecções por Covid-19, desde o início da pandemia.
Os dados não incluem o Rio Grande do Norte, que alegou problemas técnicos e não publicou seus números. Os valores comparativos dizem respeito à média móvel diária de sete dias, que chegou a 2.096 óbitos nesta quinta no país, e a 8.624 no mundo.
O instrumento estatístico serve para amenizar eventuais gargalos nos sistemas de registro, comuns em fins de semana e feriados.
Os dados brasileiros são os aferidos pelo consórcio de veículos de imprensa integrado por Folha de S.Paulo, UOL, G1, O Estado de S. Paulo, Extra e O Globo e coletados até as 20h com as secretarias de saúde dos estados, e os do mundo são compilados pela Universidade Johns Hopkins (EUA).
Além do novo recorde, nesta quinta, o país completa 57 dias seguidos com média móvel de mortes acima de 1.000.
O quadro da média móvel brasileira por 100 mil habitantes também contrasta com as situações das nações com mais mortes por Covid: EUA, México, Índia e Reino Unido.
O Brasil recentemente ultrapassou a média móvel de mortes dos EUA, país que tem o maior número de óbitos e uma população maior que a brasileira. Os americanos têm visto uma redução constante da Covid desde a posse do presidente democrata Joe Biden e com a avanço da vacinação.
O Observatório Covid-19, da Fiocruz, publicou, na última quarta, um boletim no qual aponta para um momento de catástrofe no país, com quase todos os sistemas de saúde em situação crítica ou de colapso. O observatório afirma que 24 estados e o Distrito Federal têm taxas de ocupação de UTI iguais ou maiores que 80% –15 deles têm taxas iguais ou superiores a 90%.
São Paulo, mais uma vez, teve o maior número de mortes entre os estados, 659, o segundo maior valor registrado. O recorde, 679 óbitos em 24 horas, ocorreu na terça (16).
O segundo estado com mais mortes foi o Rio Grande do Sul, com 298 óbitos. Em seguida, aparece Minas Gerais, com 274 vidas perdidas.
O consórcio também atualizou as informações repassadas sobre a vacinação contra a Covid-19 no país.
Já foram aplicadas 15.011.611 doses de vacina (10.984.488 da primeira dose e 4.027.123 da segunda), de acordo com as informações disponibilizadas pelas secretarias de Saúde.
Isso significa que somente 6,83% dos brasileiros maiores de 18 anos tomaram a primeira dose e só 2,50%, a segunda.
Nas últimas 24 horas, 270.873 pessoas tomaram a primeira dose da vacina e 110.630, a segunda.
A iniciativa do consórcio de veículos de imprensa ocorre em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes. Além disso, divulgou dados conflitantes.