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Como é viver sem o olfato?

Redação Bonde
28 ago 2015 às 15:37

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Nick Johson se lembra bem do exato momento em que perdeu seu olfato. Era 9 de janeiro de 2014 e ele jogava hóquei com amigos em um lago congelado perto da casa de seus pais, em Collegeville, na Pensilvânia (EUA).

"Estava patinando para trás, devagar, mas tropecei. Bati o lado direito da minha cabeça no chão e desmaiei", conta. "Acordei na ambulância, com mil pessoas à minha volta e sangue saindo pela orelha."


Johnson, de 34 anos, sofreu uma perfuração no tímpano e fraturou o crânio em três lugares. Teve hemorragia cerebral e convulsões. Após uma recuperação de seis semanas, ele voltou ao trabalho como gerente de vendas de uma grande cervejaria. Durante uma reunião de apresentação de um novo produto, Johnson percebeu que não conseguia distinguir os aromas dos quais seus colegas estavam falando. "Foi aí que a ficha caiu", diz.


Perda de experiências
O ser humano não costuma estar entre os melhores farejadores da natureza, principalmente em comparação com outros animais. Mas pesquisas mostram que os odores têm uma forte influência subconsicente em nossos pensamentos e comportamentos.


Pessoas que, como Johnson, perderam o olfato após um acidente ou uma doença contam sentir uma enorme perda, com impacto que eles nunca imaginaram. Perder a capacidade de saborear alimentos e bebidas é uma das principais queixas desses pacientes. Os gostos doce, salgado, azedo e amargo são sentidos com a língua. Mas sabores mais complexos também dependem do olfato.


E, para Johnson e para outras pessoas como ele, há uma outra categoria de perda. Quando sofreu seu acidente, ele estava prestes a ser pai pela segunda vez, de uma menina. "Eu brinco que não sinto o cheiro da fralda da minha filha, mas a verdade é que não sinto nenhum cheiro dela. Não tenho a mesma sensação que tinha quando meu filho era bebê", conta.


O mecanismo do olfato
Johnson aspira fundo seu copo de Nugget Nectar, que era sua cerveja favorita. As substâncias químicas voláteis presentes no líquido viajam pelas narinas até o teto da cavidade nasal, a parte especializada no olfato. Ao sorver um gole, essas mesmas substâncias passam do fundo da boca para a mesma parte do nariz. Até aí, tudo bem.


A seguir, as moléculas são absorvidas no muco dentro do nariz. É nesse momento que se forma o odor: as moléculas precisam ser dissolvidas nesse muco para serem detectadas.
Para uma pessoa saudável, o que acontece em seguida é apenas parcialmente entendido pela ciência. As pontas dos receptores olfativos ficam à espreita nesse muco, ligando-se diretamente ao cérebro.

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Temos milhões dessas céulas, mas elas são de apenas 400 tipos, cada um capaz de se ligar a uma molécula específica. Com base em um padrão de ativação desses receptores, ao cheirar a Nugget Nectar, uma pessoa é capaz de reconhecê-la como sendo "cerveja".
Johnson não sente nada porque seu cérebro não recebe as informações vindas de sua bebida.
(com informações do site BBC)


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