20/04/21
PUBLICIDADE
E o que falta saber

Confira o que se sabe sobre a vacina de Oxford contra Covid-19

Ansa
Ansa


A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca foi uma das pioneiras na corrida por um imunizante contra a Covid-19.


Com os testes em humanos iniciados em abril de 2020, a vacina mostrou níveis satisfatórios de segurança e imunogenicidade em mais de mil pessoas já nas fases 1 e 2. Nos ensaios pré-clínicos (em animais), ela conseguiu impedir a pneumonia em macacos infectados com o coronavírus.

Diante disso, já em julho de 2020, começaram os testes da terceira e última fase da vacina no Reino Unido, no Brasil e na África do Sul. Em agosto, o pedido para a realização de testes nos Estados Unidos foi protocolado e os voluntários começaram a ser recrutados.

Com a publicação dos primeiros resultados de segurança, a vacina de Oxford estava com uma boa vantagem sobre as demais candidatas ocidentais. Além disso, os acordos firmados com dezenas de países, incluindo aqueles de média e baixa renda, colocaram a Oxford/AstraZeneca como principal fornecedora de vacinas em todo o mundo, quando estas se tornassem disponíveis.

No entanto, erros de comunicação e a condução de diferentes ensaios, com análises distintas de eficácia do imunizante, suscitaram dúvidas, eficácia, assim como a interrupção temporária de seu uso em países europeus.

Veja o que se sabe até agora e o que os cientistas ainda estão buscando saber sobre a vacina da Oxford.

A vacina é segura?

Sim. Houve relatos de efeitos colaterais que poderiam estar ligados ao uso desse imunizante na população, mas a relação não foi comprovada.
No Brasil, efeitos adversos graves nos vacinados correspondem a 0,007%, segundo dados do Ministério da Saúde, considerando as duas vacinas aplicadas, a Coronavac e a Oxford/AstraZeneca. Os efeitos mais comuns reportados são dores de cabeça e no corpo e fadiga.
Em comparação com outras vacinas com tecnologias mais modernas contra Covid-19, como as da Pfizer/BioNTech e da Moderna, a vacina da Oxford apresentou alta incidência de efeitos colaterais nos ensaios clínicos (mais de 70% no grupo vacinado), embora nenhum efeito adverso grave tenha sido notado.

O uso de um adenovírus modificado de chimpanzé como vetor viral para levar ao corpo a proteína S do Spike (a espícula usada pelo vírus para entrar nas células) do coronavírus pode estar associado a essa maior incidência de efeitos.

Em março, o comitê científico de monitoramento da vacina da União Europeia reportou casos de trombose venosa profunda em indivíduos vacinados com a vacina de Oxford em diversos países europeus.

O número de casos era muito pequeno para comprovar associação clara com a vacina, mas autoridades de saúde de 21 países decidiram suspender temporariamente o uso até que esses dados fossem estudados, mesmo com a contraindicação da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da agência regulatória europeia (EMA) de suspender o uso.

A incidência da trombose na população geral é de 1 a 2 pessoas em cada 1.000. Em cerca de 20 milhões de vacinados com a vacina da Oxford na Europa, foram notificados sete casos de coágulos em vasos sanguíneos e 18 casos de coágulos nos vasos do cérebro.
Assim, concluiu-se que o imunizante não está associado a um aumento do risco geral de coágulos sanguíneos nas pessoas vacinadas, tampouco foi possível comprovar que a vacina tenha provocado os casos. A aplicação da vacina foi retomada em 19 dos 21 países europeus na última semana.

Quão eficaz é a vacina?

Em novembro de 2020, a AstraZeneca divulgou uma eficácia de até 90% de seu imunizante. A análise esmiuçada dos dados da vacina, porém, mostrava que a taxa de 90% foi atingida em um esquema de uma dose inicial mais baixa seguida por uma segunda dose completa 30 dias depois.

Já nos participantes que receberam o esquema normal da vacina –ou seja, duas doses completas, com 30 dias de diferença–, a taxa verificada era de 62%. Assim, de acordo com a empresa, a eficácia correta seria uma "média" desses dois valores, atingindo, portanto 70%.

Com os questionamentos, a farmacêutica admitiu que houve um erro na dosagem de alguns participantes, e a eficácia verificada de 90% correspondia a um subgrupo de 1.300 pessoas no Reino Unido.

Um artigo publicado em dezembro na revista científica The Lancet confirmou a eficácia de 70% da vacina, mas apenas em indivíduos com menos de 55 anos. Os dados para pessoas acima dessa idade não eram suficientes para calcular uma eficácia. Apesar disso, o imunizante apresentou uma boa resposta imune, inclusive celular, era seguro e induzia resposta imune em todas as faixas etárias.

A Universidade de Oxford reconduziu os testes da vacina desenvolvida em parceria com o Instituto Serum na Índia e confirmou não só a proteção de quase 70% da vacina mas também eficácia próxima a 82% quando o intervalo entre as duas doses era ampliado para 12 semanas, e não quatro como inicialmente proposto.

Na segunda-feira (22), a farmacêutica divulgou uma nova taxa de eficácia de 79% a partir de estudos feitos nos EUA, Peru e Chile. Mas, no dia seguinte ao anúncio, um comitê externo de monitoramento de dados norte-americano questionou o valor encontrado e se disse preocupado com o fato de o o laboratório escolher dados desatualizados de casos para apresentar o melhor resultado de eficácia. Em uma análise interna do comitê, a eficácia da vacina era de 76%, menor do que o indicado.

A AstraZeneca admitiu ter usado dados só até o dia 17 de fevereiro e confirmou a eficácia menor dois dias depois, mas reforçou a proteção do imunizante de 100% para prevenir casos graves.

O que se sabe sobre o uso da vacina em idosos?

Nos primeiros estudos de fase 3 conduzidos, o número de participantes com idade acima de 65 anos era muito baixo, o que não permitia aferir sua eficácia nessa faixa etária.

Com o início da vacinação no mundo, o imunizante da Oxford passou a ser usado amplamente na população, inclusive naquela acima de 65 anos. Mas, diante da falta de dados, alguns países europeus decidiram suspender o seu uso nessa faixa etária.

Cientistas e autoridades de saúde de todo o mundo disseram que os problemas de não aplicar a vacina, com o recrudescimento da Covid-19 e as novas variantes mais transmissíveis surgindo no Brasil e no mundo, seriam maiores do que eventuais faltas de dados da vacina nessa população e que os ensaios clínicos mostraram que a vacina é segura.

Nos novos estudos conduzidos nos EUA, Peru e Chile, os resultados preliminares indicaram uma proteção acima de 80% contra casos sintomáticos da Covid-19 em pessoas com mais de 65 anos.

Quais países já autorizaram o uso da vacina?

A vacina da Oxford recebeu autorização para uso emergencial no Reino Unido em dezembro e logo depois no Brasil e na União Europeia.

A Índia aprovou o uso da Covishield, vacina da AstraZeneca e do Instituto Serum indiano, no início do ano. África do Sul, Canadá, e a própria OMS também aprovaram a vacina da Oxford. A FDA, agência regulatória norte-americana, deve concluir a análise dos dados dos testes e aprovar o uso emergencial do imunizante no país nas próximas semanas.

Qual a relevância da vacina da Oxford para a imunização em todo o mundo?

A vacina da Oxford/AstraZeneca é a melhor opção para países de baixa e média renda, por dois motivos principais: seu baixo custo e o seu armazenamento a temperaturas de 2ºC a 8ºC.

Já foram aplicados ao menos 20 milhões de doses da AstraZeneca no Reino Unido e União Europeia, e mais de 27 milhões na Índia da Covishield. No Brasil, o governo prevê a entrega de 100,4 milhões de doses da vacina até o final do primeiro semestre e mais 100 milhões até o final do ano.

A Oxford/AstraZeneca também é uma parte importante das vacinas oferecidas pelo consórcio Covax Facility, da OMS, e deve impulsionar a vacinação em países dependentes dele.
Ana Bottallo - Folhapress
Continue lendo
Pandemia

Brasil ultrapassa 375 mil mortes por Covid, mostra consórcio de imprensa

20 ABR 2021 às 09h22
Vacinação

EUA liberam vacinação contra Covid para maiores de 16 anos

20 ABR 2021 às 08h28
Cuide-se!

Restrições anti-Covid mais fortes deveriam valer até o Dia das Mães, diz epidemiologista

20 ABR 2021 às 07h53
14.267 casos

Arapongas chega a 344 mortes por Covid-19

19 ABR 2021 às 23h59
1ª dose da vacina

Paraná vacinou 86% do público acima de 65 anos contra o coronavírus

19 ABR 2021 às 20h14
Boletim da Saúde

Maringá monitora 1.056 casos ativos do novo coronavírus

19 ABR 2021 às 19h38
Veja mais e a capa do canal
JORNAIS
Folha de Londrina
TELEVISÃO
MultiTV Cidades
OUTRAS EMPRESAS
Grafipress
RSS - Resolução máxima 1024x728 - () - Bonde - Todos os direitos reservados