Um levantamento pela Organização das Nações Unidas (ONU), revela um cenário alarmante: mais de três quartos da população mundial – aproximadamente 5,5 bilhões de pessoas – têm pouco ou nenhum acesso a analgésicos opioides utilizados para tratamento paliativo da dor em doenças terminais ou crônicas, como o câncer.
De acordo com o médico Dr. Barry Cole. Graduado em neurologia e psiquiatria, o Dr Barry Cole esteve no Brasil para o I Fórum de Dor em Câncer, onde afirmou que diversos fatores contribuem para esse cenário.
"O excesso de regulamentação, a falta de recursos financeiros na saúde pública e pouca disponibilidade de opioides são as principais dificuldades encontradas ao redor do mundo. Além disso, desinformação e percepção negativa a respeito de drogas controladas, como o caso dos opioides, aumenta as barreiras e dificulta o acesso da população a esse tipo de tratamento", afirma.
As estimativas quanto ao avanço da dor relacionada ao câncer merecem atenção. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), atualmente mais de 8 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com esse problema.
A prevalência de dor crônica varia de 30% a 40% nos pacientes em tratamento e 70% a 90% dos pacientes com câncer avançado – sendo que cerca de 75% desse último grupo se queixa de dores moderadas ou intensas.