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Fiocruz recebe R$ 23 milhões do BNDES para combate ao Zika

Redação Bonde com Agência Saúde
25 nov 2016 às 17:44

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Venilton Küchler/ANPr
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculada ao Ministério da Saúde, vai receber R$ 23 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para aplicar as ações estratégicas de enfrentamento à Zika, dengue e chikungunya. Os recursos do BNDES serão destinados ao desenvolvimento de kits de diagnóstico e ações de combate aos vetores de transmissão dos vírus, no âmbito da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) do Ministério da Saúde. A participação do BNDES viabiliza a imediata realização de diversos projetos, antecipando resultados para a saúde pública e evitando maiores prejuízos à população, principalmente àquela em situação de maior vulnerabilidade social.

Entre esses projetos, estão ações que visam o desenvolvimento de novos testes rápidos de diagnósticos, com características diferentes daqueles já disponíveis no mercado. Um destes produtos é um moderno teste de diagnóstico molecular que utiliza a tecnologia point of care (P.O.C) e destaca-se por sua capacidade de identificar simultaneamente os vírus da Zika, dengue e chikungunya com maior segurança. O modelo dispensa análise laboratorial para realização de ensaios, podendo ser utilizado em unidades de saúde e em ações de campo. O teste deverá ser desenvolvido, validado e produzido em larga escala.


Outra categoria que receberá recursos é a de testes sorológicos, que se baseiam na reação do organismo à presença dos vírus e podem ser utilizados muito tempo após a transmissão dos vírus pelos mosquitos. Essa categoria de testes é importante para pacientes assintomáticos, possibilitando aferir se já foram infectados anteriormente.


CONTROLE - Complementam as ações que serão beneficiadas dois projetos de controle de vetores. A primeira delas busca a avaliação em larga escala do uso da bactéria Wolbachia no Aedes aegypti para interromper o ciclo de transmissão - não só da dengue, mas também da zika e da chikungunya. A metodologia foi desenvolvida na Austrália e ainda conta com etapas a serem realizadas no Brasil, que visam avaliar sua eficácia em áreas mais extensas e de maior densidade demográfica.


O segundo projeto de controle de vetores, que receberá apoio, é a tecnologia desenvolvida pela Fiocruz que utiliza o próprio mosquito como veículo dispersor de larvicida. O método inovador visa solucionar o problema de dificuldade de acesso aos criadouros dos insetos, locais não tratáveis pelos meios de controle tradicionais. O larvicida aplicado é o mesmo utilizado em ações já consolidadas de captura e monitoramento do mosquito Aedes, transmissor das três doenças.


ZIKA VÍRUS - O zika é um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, cuja primeira transmissão no país foi registrada em abril de 2015. Por ser recente, seus mecanismos de atuação ainda não são completamente conhecidos, e têm se demonstrado capazes de produzir graves manifestações neurológicas - como a microcefalia e a Síndrome Guillain-Barré. Os casos de zika associados à microcefalia no Brasil levaram à declaração de Estado de Emergência em Saúde Pública.

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Em 2016, até meados de setembro, foram registrados 200.465 casos prováveis de febre pelo vírus zika no país, tendo sido confirmados 109.596 casos. A doença pode causar sérios problemas nos bebês de grávidas infectadas, como a microcefalia e outros problemas neurológicos. Nestes casos, toda a família é afetada, constituindo-se uma gravíssima questão de Saúde Pública. A coexistência com os vírus da dengue e da chikungunya vem suscitando outras questões importantes que precisam ser mais investigadas.


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