Pesquisar

Canais

Serviços

- Marcos Zanutto/Folha
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Exame leva 15 minutos

Hospital de Londrina faz diagnóstico rápido de infarto

Chiara Papali - Folha de Londrina
31 dez 1969 às 21:33
Continua depois da publicidade

Uma dor forte no peito. E agora? Procurar ou não ajuda? É ou não infarto? Na dúvida, afirmam especialistas, o melhor é procurar rápido por atendimento médico. Isso porque, no caso real de um evento cardíaco, o risco de mortalidade aumenta a cada minuto que passa. ''50% das paradas cardíacas acontecem na primeira hora do infarto'', alerta o cardiologista Manoel Canesin, de Londrina, consultor técnico de emergências cardiovasculares da coordenacão geral de urgência e emergência do Ministério da Saúde. Ele cita ainda outro número alarmante: ''37% dos episódios de dor prolongada culminam em parada cardíaca na primeira hora''.

Continua depois da publicidade
PUBLICIDADE

Mas como saber se a dor é mesmo importante? Canesin explica que se ela se prolongar por mais de 15 minutos, mesmo com a pessoa em repouso, é preciso buscar atendimento hospitalar e investigar. ''É uma dor no meio do tórax, como um aperto, que tem intensidade e duração variadas, e que pode irradiar-se para o braço esquerdo, pescoço e até para a mandíbula'', indica o cardiologista Hélio Castello, de São Paulo, ressaltando que a dor no peito é o sintoma mais comum, ocorrendo em 80% dos pacientes. Outros sintomas mais raros, mas que podem ocorrer, são a fadiga, falta de ar, palpitações, suor frio, enjoo e desmaios. ''Algumas pessoas nem apresentam tais sintomas, mas também podem ter o problema'', completa Castello.

Continua depois da publicidade


Canesin explica que existem três grandes artérias que irrigam, cada uma, uma parte do coração. ''Se um coágulo ou gordura entope uma das artérias, o sangue deixa de ir para o coração e falta oxigenação'', ressalta. Com a falta de oxigenação, além da necrose do músculo, o coração fica mais sensível à arritmia, alteração dos batimentos, e nesse ritmo alterado pode parar. Nos mais jovens, há mais chance do infarto ser fatal, explica Canesin, justamente porque ele ainda não teve tempo para se formarem as chamadas artérias periférias, espécie de 'rotas alternativas', que ajudam a irrigar o coração.


A atenção para o infarto é importante, ressalta Canesin, não só pelo risco de morte, mas pelas consequências. Uma das sequelas possíveis é a insuficiência cardíaca, ''uma das doenças de pior qualidade de vida'', que causa falta de ar, cansaço, fraqueza, astenia (perda ou diminuição da força física), e leva a um alto consumo de medicamento e à limitação de atividade física.


Diagnóstico mais rápido

Continua depois da publicidade


No Hospital do Coração, em Londrina, uma novidade vem deixando o diagnóstico de infarto bem mais rápido. Trata-se de um exame de marcadores cardíacos que, ao invés de ser enviado ao laboratório é feito no quarto do paciente, pela própria enfermeira que o assiste.


O cardiologista Manoel Canesin explica que o exame de troponina I e T é feito normalmente em laboratório, o que demora pelo menos duas horas para ficar pronto. Essas enzimas são liberadas no organismo quando há lesão no coração, e sua taxa aumenta com o passar do tempo.


Com o chamado 'point of care', ou cuidado pontual, o exame não demora mais que 15 minutos, porque o sangue do paciente, retirado na hora, já é usado no kit, composto por fita e aparelho, para fazer o exame. ''Essa diferença é importante, porque o tempo, no caso de infarto, salva vidas'', avalia o cardiologista. Ele ressalta que só o exame de troponina não é suficiente para diagnóstico e prognóstico de um evento cardíaco - para isso é preciso avaliar também o exame clínico, o histórico do paciente e o eletrocardiograma.(C.P.)


Nas mulheres, infarto pode ser mais grave


Uma combinação de hormônios, fatores de risco e artérias menos calibrosas é a causa para um infarto ''potencialmente mais grave'' nas mulheres que nos homens. Elas já são vítimas em 30% dos casos, e a doença chega a matar seis vezes mais que o câncer de mama. ''No Brasil, mais de 200 mulheres morrem por dia vítimas de infarto'', alerta o cardiologista Hélio Castello, de São Paulo.


Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, segundo o médico, apontam que 40% apresentam aumento da cintura abdominal, mais de 20% fumam, 18% são ex-fumantes, 23% têm seus níveis de pressão arterial acima do preconizado e 21% possuem alteração dos níveis de colesterol, além do acúmulo do estresse do trabalho com o dos cuidados com a família.


Um dos fatores que agravam a doença do coração nas mulheres é a associação da pílula anticoncepcional com o cigarro. Segundo Castello, essa associação representa a maior causa de infarto em mulheres jovens, aumentando o risco da doença em até cinco vezes, além de aumentar as chances de outras doenças vasculares periféricas, como varizes, tromboses e o acidente vascular cerebral (AVC). Isso acontece porque o hormônio liberado pelas pílulas podem elevar a formação de coágulos nas artérias e veias, o que pode interromper a irrigação do músculo cardíaco. E o monóxido de carbono presente no cigarro contribui para diminuir o calibre dos vasos sanguíneos, dificultando a passagem do sangue.

O risco de ter problemas cardíacos aumenta após os 50 anos, quando as mulheres passam pela menopausa, e diminui a produção do estrogênio, um protetor da saúde feminina. ''Os estrogênios são grandes aliados do coração porque estimulam a dilatação dos vasos, facilitando o fluxo sanguíneo'', ressalta.(C.P.)


Continue lendo

Últimas notícias

Publicidade