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Mesmo nos meses frios, Paraná registra 168 casos de dengue, com "epidêmia" em dois municípios

16 out 2014 às 15:05

O Boletim Epidemiológico da Dengue, divulgado nesta quinta-feira pela Secretaria Estadual da Saúde, mostra, pela primeira vez na história, dois municípios com epidemia da doença em pleno inverno, período de menor incidência do mosquito. A situação não assusta, pois tratam-se de municípios pequenos, com poucos casos, mas que, por conta de sua pequena população, enquadram-se estatisticamente no quadro de epidemia por apresentarem mais que 300 casos por 100 mil habitantes, a referência de incidência considerada pelas autoridades em saúde. Em Iatúna do Sul, foram 11 casos, mas com uma população de 3.476 habitantes, há indicdência de 316,6 casos para 100 mil. Já em Paranapoema, a incidência é de 1040 para 100 mil, com 31 casos em uma população de 2.980 habitantes.
No total, o Paraná registrou 168 casos confirmados de dengue entre agosto e o início de outubro, o maior valor histórico para o período, Em 2013, foram 125 casos neste período. E em 2012, foram 76. "Como são municípios com pequeno número de habitantes, a incidência causa maior impacto. Os casos nestes municípios representam 25% dos confirmados do estado", diz o superintendente de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz. "Já estamos com equipes da regional de saúde orientando as ações de combate ao mosquito, inclusive com a utilização de fumacê em Paranapoema. Também ampliamos o número de capacitações dos profissionais de saúde sobre o diagnóstico e tratamento da doença", informa ele.

A condição epidêmica destes municípios mostra que a dengue deve ser prevenida o ano inteiro. "Foram casos registrados entre agosto e setembro, períodos mais frios do ano. Por isso, sempre reforçamos com os municípios a necessidade de se manter uma rotina de visitas aos domicílios, com orientação à população sobre a existência de criadouros do mosquito", ressalta o superintendente.


O Governo também alerta para a possível chegada da febre chikungunya, que tem sintomas parecidos com os da dengue e também é transmitida pelos mosquitos do gênero Aedes infectados. O Paraná registrou apenas dois casos importados da doença, em maio deste ano. Os maringaenses infectados viajaram para o Haiti e apresentaram os sintomas quando retornaram ao Paraná e foram curados. "Neste momento não temos casos suspeitos da chikungunya, mas intensificamos as capacitações também sobre o manejo clínico desta doença, como diagnóstico diferencial da dengue", explica Sezifredo.

Equipes da Secretaria da Saúde estão percorrendo cidades do Paraná para capacitar profissionais de saúde. Até o momento, 1.200 técnicos já foram capacitados. Três estados já registraram casos de chikungunya: Bahia, Amapá e Minas Gerais. "A diferença é que a chikungunya não evolui para a forma grave da doença, como a dengue, mas pode incapacitar e afastar a pessoa do trabalho por um longo período", explica Enéas Cordeiro, médico da Secretaria da Saúde. Como é um vírus novo, toda a população paranaense está suscetível. Os sintomas mais comuns são febre, dor lombar, dor de cabeça e feridas na pele, que desaparecem em até três semanas. No entanto, alguns pacientes podem ter recaída dos sintomas reumatológicos nos meses subsequentes. A mortalidade é rara e ocorre principalmente em adultos mais idosos.


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