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Pacientes com câncer de próstata terão dores; especialistas alertam para seu controle

Redação Bonde com Assessoria de Imprensa
17 nov 2016 às 14:42

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O dia 17 de novembro é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, de forma que o mês é marcado por ações de conscientização e prevenção da doença, visando chamar a atenção da população sobre os cuidados necessários para evitar a doença, além de discutir avanços no tratamento e na qualidade de vida destes pacientes.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), a estimativa (2016-2017) aponta a ocorrência de 600 mil novos casos de câncer no Brasil e, com exceção do câncer de pele não melanoma, os cânceres de próstata serão os mais frequentes: 61 mil casos, o que corresponde a 28,6% de todos os novos casos em homens deste ano.


Em pacientes oncológicos, estima-se que pelo menos 50% deles sofram de dor crônica - índice que pode chegar até 90% nos casos avançados.


De acordo com o IASP (International Association for the Study of Pain), 72% dos pacientes com câncer de próstata, em média, sofrerão com a condição em algum momento da evolução da doença[3] e os especialistas alertam para o cuidado com esta condição que dificilmente é tratada de forma adequada.


"Em sua fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa, e a dor costuma ser um dos primeiros sintomas que aparecem conforme a doença avança. A presença de sintomas urinários, como por exemplo dificuldade para micção, e dor pélvica ou em outros locais podem indicar um estágio mais avançado da doença. Além da recomendação dos exames preventivos para homens com mais de 45 anos, uma vez que a doença é diagnosticada, é fundamental que haja diálogo entre o paciente e a equipe médica multidisciplinar para que seja indicado o melhor tratamento objetivando a cura, nos casos da doença inicial, ou aumento da sobrevida, alívio das sintomas e, consequente, melhoria na qualidade de vida, nos casos da doença avançada", explica o médico oncologista clínico Fernando Sabino Marques Monteiro.


O tratamento para a dor envolve uma equipe multidisciplinar e diversas terapias, dentre elas o uso de analgésicos opioides nos casos de dor moderada e intensa, conforme a indicação da Organização Mundial da Saúde (OMS).


"O Brasil está entre os países que menos prescrevem opioides, com média de 13.13mg per capita, quando o considerado adequado seria 192,91mg, ou seja, quase 15x maior, números que sugerem o subtratamento da dor", alerta Sabino.


De acordo com os próprios especialistas, este cenário é resultados de diversos fatores, incluindo os entraves burocráticos ao acesso às medicações para o tratamento adequado das dores oncológicas, seja no SUS ou junto aos convênios de saúde.


"Se, por um lado, a rede pública aguarda revisão do protocolo que padroniza o tratamento para dor, na expectativa de que haja ampliação das opções de analgésicos opioides disponibilizados aos pacientes, por outro, a saúde suplementar avança nas discussões sobre o tratamento da condição, ainda que tenhamos um longo caminho a percorrer", adianta o especialista.


Desde 2014, está vigente a Lei da Quimioterapia Oral (Lei nº 12.880/2013 - RN nº 387/2015) que garante aos pacientes com câncer o fornecimento do tratamento quimioterápico em casa, incluindo apenas terapias para dor decorrente da quimioterapia.


"Os estudos apontam que de 15% a 25% dos pacientes sintam dor como um efeito colateral das terapias, seja quimioterapia, radioterapia ou das próprias cirurgias. O grande problema é que a maioria dos pacientes, cerca de 80%6, têm dor associada à ação direta do tumor e, portanto, não estão contemplados nesta lei. Além de ser uma medida pouco conhecida, nós médicos vemos a possibilidade de ampliar esse acesso e temos buscado discutir formas de beneficiar ainda mais pacientes", comenta o médico.

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Neste mês de conscientização, o especialista reforça ainda que "o objetivo principal é continuar divulgando informações sobre a prevenção do câncer de próstata e, quando falamos de tratamento, mencionar também que o controle da dor é fundamental para que os pacientes possam ter uma melhor qualidade de vida".


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